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Estado de Minas Bra$il em foco

Arrocho forte terá efeito lento na inflação, mas vai afetar o PIB

Com o Ministério da Economia inerte em relação à aceleração dos preços, não resta outra opção ao Banco Central a não ser elevar a taxa básica de juros


28/10/2021 04:00 - atualizado 28/10/2021 07:32

Com os combustíveis pressionados pela alta do petróleo
Com os combustíveis pressionados pela alta do petróleo e do dólar, novos aumentos vão impactar na inflação até o fim do ano (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 9/10/21)
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de elevar a taxa básica de juros de 6,25% ao ano para 7,75% veio um dia depois de o IBGE mostrar que a inflação continua resiliente em outubro, deixando para trás a previsão do mercado de que o pico dos reajustes tivesse ocorrido em setembro. Em 12 meses, o IPCA-15 está em 10,34%.

Mas antes que o arrocho monetário, que elevou os juros ao patamar mais alto desde outubro de 2017, gere efeito sobre a inflação, o Brasil ainda terá pressão de preços nos próximos meses.

Os recentes reajustes dos combustíveis, a permanência do dólar num patamar acima de R$ 5,50 e a perspectiva de um maior dinamismo da economia no fim do ano, a partir da entrada em circulação dos recursos do 13º salário e de contratações (ainda que temporárias), além da elevação dos gastos do governo, devem manter a inflação em alta.

No caso dos combustíveis, com reajustes acumulados de 73% no caso da gasolina e de 65,3% para o óleo diesel, mais aumentos devem ocorrer, mesmo com a elevação dos juros pelo Banco Central. Isso porque as cotações do petróleo no mercado internacional devem permanecer em alta com o reaquecimento global e o aumento da demanda.

Esta semana, o barril de petróleo do tipo brent bateu em US$ 86,35 na segunda-feira e ontem era negociado a US$ 83,53 no fim da tarde. Esse valor corresponde a um aumento de 111,74% sobre US$ 39,45 em novembro do ano passado. Com um horizonte de perda de espaço dos combustíveis fósseis nos próximos anos, por causa da transição energética, os países produtores relutam em elevar a produção para baixar os preços.

A chegada do inverno no hemisfério norte será só mais um ingrediente nesse cenário de alta dos preços do petróleo e do gás natural em todo o mundo, incluindo o Brasil. Além dessa pressão, a desconfiança dos investidores com a capacidade do governo de controlar as contas públicas reduz a entrada de dólares na economia, pressionando o câmbio.

Mais reajuste nos combustíveis vai significar mais aumento no custo de geração das termelétricas que operam a óleo diesel e consequentemente maior aumento na tarifa de energia. Produtos e insumos importados ou com preços referenciados no dólar também ficam mais caros. A inflação alta vai permanecer entre nós por mais tempo.

Com o Ministério da Economia inerte em relação à aceleração dos preços, não resta outra opção ao Banco Central a não ser elevar a taxa básica de juros, o que pode funcionar como um freio para a economia, que se recente dos efeitos da pandemia de COVID-19. Para a indústria, a aceleração dos juros vai afetar a recuperação da economia.

Para os empresários da indústria, que mostram estar menos confiantes na economia, com a perda de dinamismo da atividade econômica no terceiro trimestre, o desemprego ainda alto (13,2%) e o nível alto de endividamento das famílias e empresas, a desaceleração da retomada é certa no curto prazo. Juros e inflação em alta vão derrubar o crescimento do PIB brasileiro.

Como na decisão de ontem o Copom já avisou que, na reunião de dezembro, elevará novamente a Selic em 1,5 ponto percentual, fazendo com que a taxa chegue a 9,25% ano, a expectativa do mercado financeiro agora é quanto ao controle da inflação em 2022, uma vez que para este ano o IPCA pode até fechar acima de dois dígitos, caso o contexto atual, de câmbio pressionado e combustíveis em alta, permaneça em novembro e dezembro.

Outro ponto na avaliação do mercado é que um possível impacto sobre o câmbio com investidores trazendo recursos para o Brasil em busca de maior rentabilidade deve ser diluído pela expectativa de mais gastos do governo com o furo do teto de gastos, o que manterá o real desvalorizado frente ao dólar.

Avanço da TI

O mercado de serviços de tecnologia da informação (TI) ultrapassou a marca de R$ 44 bilhões nos últimos 12 meses no Brasil, segundo o IDC Brazil Semiannual Services Tracker 2021, que pesquisa serviços gerenciados, orientados a projetos e suportes. O estudo foi realizado pela IDC Brasil. Esse volume representou um crescimento de 6% em relação aos 12 meses anteriores.


Na linha

R$ 50 bilhões - é quanto deve render em investimentos o leilão do 5G com todos os lotes arrematados, segundo cálculos da Anatel

Leite

Os produtores de leite do Rio Grande do Sul não estão conseguindo repassar a alta dos custos para os preços. O valor de referência do leite projetado para outubro no estado é de R$ 1,6463, 4% abaixo do consolidado de setembro (R$ 1,7149). Enquanto o aumento acumulado nos custos industriais é de 33%, a reposição de preço do leite ao varejo foi de apenas 12,8% nos últimos 12 meses.

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