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Estado de Minas BRA$IL EM FOCO

Pandemia: o vírus da incerteza

O próprio governo se rendeu às evidências e já admite que vai revisar a previsão de crescimento deste ano pra 0,5%, contra 2,1% há uma semana


postado em 19/03/2020 04:00 / atualizado em 19/03/2020 08:19

(foto: Pixabay.com)
(foto: Pixabay.com)

Acreditar que a Terra é plana não faz a Terra ser plana, assim como imaginar que se trata de pessimismo ou otimismo lidar com os impactos do coronavírus na economia não torna a realidade melhor ou pior: a realidade é a realidade e a situação é crítica. Desdenhar do coronavírus é menos útil ainda. Um vírus não atende aos ânimos e crenças dos seres vivos que ataca. Os primeiros números divulgados pela China, onde a doença se iniciou, mostram o tamanho do estrago que a pandemia de coronavírus fez na economia chinesa. Investimentos (-24%), produção industrial (-13,5%), exportações (-17,2%), vendas do comércio (-20,5%) e vendas de imóveis (-34,7%) desabaram. E mesmo após controlar a disseminação do vírus, a China ainda sente os efeitos da pandemia.

Nesse cenário, não é possível prever o impacto que o coronavírus terá na economia brasileira, mas é possível imaginar que ele poderá ser grave ou devastador, dependendo das ações do governo e da sociedade e do tempo de duração da doença. As medidas adotadas pelo governo até agora são acertadas e dimensionam o impacto esperado para quando o país, se tiver necessidade, decretar quarentena compulsória e fábricas e comércio – que já começam a reduzir atividades e dar férias coletivas aos funcionários – tiverem que parar. O próprio governo se rendeu às evidências e já admite que vai revisar a previsão deste ano pra 0,5%, contra 2,1% há uma semana e 2,4% em janeiro. Já há quem fale que a recessão é certa (PIB negativo) e que o risco agora é uma depressão na economia.

O reconhecimento do estado de calamidade pública é fundamental neste momento, para liberar recursos orçamentários para o combate ao coronavírus. Até porque, a COVID-19 impacta também os caixas dos governos federal, estadual e municipal com a redução da atividade econômica e a queda do preço do petróleo e de outras commodities. Só em petróleo, o rombo na arrecadação pode passar de R$ 20 bilhões. Com menos receita, o governo não teria como cumprir a meta fiscal de R$ 124 bilhões este ano. Agora, o governo pode usar o orçamento para cobrir a falta de receita e para ampliar o dispêndio para reforçar o sistema de atendimento à pandemia e minimizar os impactos em uma economia que pode parar. O gasto adicional pode ficar perto de R$ 80 bilhões este ano, elevando o rombo para R$ 224 bilhões.

É correto antecipar o 13º para aposentados e pensionistas – muitos deles maior fonte de renda em famílias mais pobres – e reduzir os juros do compulsório do consignado, assim como liberar recursos do FGTS para os trabalhadores – o desemprego vai aumentar, e muito. Também é correto socorrer as empresas. Elevar o rombo fiscal agora e combater de forma efetiva a disseminação do coronavírus pode ser argumento para aprovação de medidas de corte de gastos no futuro, quando a pandemia passar.

É preciso evitar quebradeira de companhias aéreas, indústrias e de empresas de serviços e comércio, sobretudo as micro e pequenas para que se tenha base para o momento de retomada. “Quando começar a quarentena no Brasil haverá um impacto muito forte na economia. Mas não se trata de um problema econômico e sim um fator exógeno e quando voltar à normalidade a retomada será exponencial”, diz o economista Vitor Hugo Fonseca, consultor financeiro da G2W Investimentos.

A imprevisibilidade dos impactos econômicos e a oscilação das bolsas de valores mesmo após os governos do mundo todo reduzirem juros e anunciarem pacotes de trilhões de dólares para aplacar a febre que acometeu a economia mundial com a COVID-19 são fruto das incertezas quanto ao tempo de duração da pandemia e da quantidade de pessoas que o coronavírus pode contaminar, o que pode provocar o caos no sistema de saúde de todo o mundo e na economia global. O coronavírus já impactou a economia, o problema agora é evitar que suas sequelas se estendam por mais tempo do que a pandemia.


Fuga de dólares de US$ 2,82 bilhões


É o saldo negativo no fluxo cambial do Brasil neste ano até 13 de março, segundo o Banco Central


Aquém da expectativa

Para Vitor Hugo, economista da G2W Investimentos, a decisão do Copom de reduzir o juros de 4,25% para 3,75% foi acanhada, porque o mercado já estava apontando para um corte de 0,75 ponto a 1 ponto percentual. “Pode ser um problema pelo que se está desenhando na crise e porque o incentivo fiscal para combater o coronavírus ainda está baixo”, diz ele. Bancos centrais nos Estados Unidos e na Europa promoveram cortes mais agressivos nas suas taxas básicas de juros.

Garantia-safra

A secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou que mais de 76 mil famílias de agricultores familiares receberão o benefício do garantia-safra este mês. São agricultores de Alagoas, da Bahia, do Ceará, de Minas Gerais, da Paraíba, de Pernambuco, do Rio Grande do Norte e de Sergipe. O montante em recurso autorizado para esses agricultores de março até o mês de julho de 2020 chegará a R$ 65 milhões, segundo o ministério.
 
 

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