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Com a volta do futebol, Brasil afronta o novo coronavírus

Na Europa, onde muitos campeonatos já estão em andamento, a decisão de reiniciar as partidas não veio no auge da pandemia de COVID-19


19/06/2020 04:00 - atualizado 18/06/2020 22:20

Flamengo e Bangu se enfrentaram no Maracanã, na noite dessa quinta-feira, no reinício do Campeonato Carioca(foto: Alexandre Vidal / CRF)
Flamengo e Bangu se enfrentaram no Maracanã, na noite dessa quinta-feira, no reinício do Campeonato Carioca (foto: Alexandre Vidal / CRF)
Entramos no terceiro mês desde a primeira morte por COVID-19 no Brasil – registrada em 16 de março. A pandemia do novo coronavírus ainda está em crescimento. Os registros oficiais dessa quinta-feira (18) apontaram 1.238 óbitos notificados no país num espaço de 24 horas. Por enquanto, não é possível avistar um horizonte muito animador.

Em um cenário desses, seria prudente que todos os esforços estivessem voltados para a proteção das pessoas, para o tratamento dos infectados, para o respeito a quem perde alguém querido. E aí, numa escala de prioridades, competições esportivas deveriam estar bem abaixo de tudo isso. Deveriam.

Talvez já cansados do distanciamento (única forma possível de diminuir o risco de contágio), certamente preocupados com as finanças, a cada dia os defensores da volta dos campeonatos de futebol apresentam seus argumentos. Pior: determinam o retorno dos jogos.

E não importa se a poucos metros do estádio há um hospital acolhendo doentes – como é o caso do Maracanã, que na noite dessa quinta recebeu o Bangu x Flamengo, na retomada do Campeonato Carioca.

Empatia? Possivelmente um conceito que desconhecem ou, pelo menos, menosprezam. Solidariedade à dor alheia então, esquece! Atira os problemas para debaixo do tapete (no caso, do gramado) e deixa a bola rolar! Afinal, o que são 48 mil mortes?

Não gosto muito de fazer comparações entre países nas análises por entender que há muitas diferenças socioeconômicas e estruturais que tornam algumas delas bem abstratas. Mas, no caso da relação entre futebol e COVID-19, vale a pena rever estatísticas que podem ajudar a jogar luz sobre a discussão.

Na Europa, onde muitos campeonatos já estão em andamento, a decisão de reiniciar as partidas não veio no auge da pandemia. Tampouco veio quando ainda não se sabia se o pico da doença havia sido atingido, incerteza vivida na maioria dos estados brasileiros.

Muito menos foi autorizada enquanto os números estavam em visível curva ascendente.

A ordem lá fora foi: primeiro, controla-se a contaminação. Depois, vem a flexibilização. Percebe a diferença?

Na Itália, de onde vieram as imagens mais dramáticas da pandemia por causa da concentração do surto na Região Norte do país, serão 84 dias de intervalo entre a data em que foi registrado o maior número de mortes (28 de março, com 971 óbitos) e a retomada do Calccio, neste sábado.

Outro exemplo vem da Espanha, que também viveu dias de muita angústia com o efeito avassalador do novo coronavírus. Foram 70 dias entre o pico de mortes, em 3 de abril (950 óbitos), e a volta dos jogos pela La Liga.

A Alemanha, que conseguiu domar a doença antes dos vizinhos, teve o recomeço da Bundesliga 57 dias depois do ápice de vidas perdidas, em 16 de abril (315 mortes). Foi esse também o intervalo que prevaleceu no Reino Unido até o apito (re)inicial: 57 dias após o 21 de abril, quando foram registrados 1.172 óbitos.

No Rio, já se fala em segunda onda da COVID-19, sendo que a primeira ainda nem passou. Por lá, Botafogo e Fluminense destoam de seus pares, discordando da volta do estadual neste momento. No tricolor, os jogadores soltaram até uma nota, numa tomada de posição poucas vezes vista no esporte brasileiro.

 “Ainda vivemos em um cenário de muitas mortes diárias, tanto na cidade do Rio de Janeiro, quanto em outras regiões do país. Sendo assim, evidentemente, não nos sentimos confortáveis em colocar ainda mais vidas em risco. Nossa luta, desde o início dessa situação, é para que o futebol retorne em um momento oportuno”, dizia um trecho do corajoso comunicado. Digno de aplausos.

Em Minas, fala-se em retorno do campeonato em 26 de julho. Muitos clubes do interior nem sequer têm times para entrar em campo, já que suspenderam contratos em março, quando a competição foi paralisada por causa da pandemia.

Mas a maior questão de todas é como estará a situação sanitária do estado até lá. Se depender do que sinalizou o governo nessa quinta-feira, a perspectiva não é otimista.

O governador Romeu Zema, que no início da pandemia criticou quem adotava postura mais rigorosa em relação ao isolamento, agora admite que o novo coronavírus está crescendo rapidamente, mais do que ele projetava. E alertou que se mantiver nesse ritmo, o sistema de saúde mineiro poderá colapsar em um mês.

Palavras de Zema: “Essa trajetória ascendente não pode continuar como está, caso contrário, em um mês teremos o estrangulamento total do sistema de saúde”. E aí fica a pergunta: se ele, a esta altura, está preocupado, não deveríamos estar também? 

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