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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

A solução para o futebol é o clube/empresa e a responsabilidade fiscal

O mundo mudou, mas o futebol brasileiro continua como uma "Alice no país das maravilhas"


23/08/2021 04:00

Daniel Alves, de 38 anos, tem salário no São Paulo de R$ 1,5 milhão, mas estaria há 10 meses sem receber(foto: Lucas Figueiredo/CBF)
Daniel Alves, de 38 anos, tem salário no São Paulo de R$ 1,5 milhão, mas estaria há 10 meses sem receber (foto: Lucas Figueiredo/CBF)


Leila Pereira é candidata à presidência do Palmeiras e já avisou que sua forma de gerir não será a de mecenas, e sim altamente profissional. Ela já emprestou muito dinheiro ao clube do coração, mas se arrependeu de algumas contratações, como Borja, por exemplo, que custou uma fortuna e não correspondeu, além de outros engôdos, que ganham fortunas, não jogam e o clube paulista não consegue emprestá-los, por causa dos altos salários. Leila não quer transformar o Palmeiras em empresa, mas promete gerir como se fosse a sua própria empresa, que aliás, dá um lucro fantástico, haja vista que ela sempre ajudou o clube do coração.

Leila está errada em não querer transformar o Palmeiras em empresa. Aliás, eu já disse que os torcedores têm que ficar de olho nos presidentes que não quiserem aderir ao novo projeto, que eu considero a salvação para o falido, quebrado e retrógrado futebol brasileiro. Mas está certa ao não querer contratar jogadores com salários milionários, pois conhece bem a realidade econômica do Brasil. Um clube pagar R$ 2 milhões a um jogador, R$ 1,5 milhão e por aí afora, é um crime contra a população.

E esse negócio de mecenas é um paliativo, jamais a solução. O Fluminense teve em Celso Barros o seu principal mecenas no começo de 2010. Foi campeão Brasileiro em 2010 e 2012. A empresa de Barros não vai bem das pernas no Rio, e tão logo ele deixou de injetar dinheiro no clube, o Fluminense não ganhou mais nada e não conseguiu formar times competitivos. É uma ilusão passageira, que deixa o torcedor eufórico, com possíveis conquistas, mas que aumenta, substancialmente a dívida.

A melhor gestão para um clube de futebol é a profissional. Contrata-se um CEO e ele terá que gastar menos do que arrecada, pagando salários dentro da realidade econômica do país. E o pior: gastar dinheiro com jogadores com idade avançada, não é uma boa ideia. Os clubes têm que investir em jovens, que darão títulos e servirão como ativos no futuro. Por isso, o europeu é cético: tira o máximo do jogador e depois o manda embora. Aí eles procuram os mercados mais emergentes, China e mundo árabe. Essa é a realidade que a gente vê há décadas no futebol.

Olhem o São Paulo, que paga R$ 1,5 milhão a Daniel Alves, de 38 anos, por mês. Quer dizer, paga não, pois as informações dão conta de que há 10 meses de atraso salarial. Isso é uma piada. Vampeta, quando jogou no Flamengo, disse: “o Flamengo finge que paga e eu finjo que jogo”. Não cabe mais esse amadorismo no futebol. Claro que o torcedor está se lixando para a crise financeira do clube. Quer ver o maior número de jogadores famosos e comemorar taças.

A melhor maneira é se organizar financeiramente, equilibrar os gastos, as receitas e despesas, e transformar o clube em superavitário, arrecadando mais do que gasta. Cumprindo orçamento. Por isso, o clube/empresa assusta alguns dirigentes, que querem manter a mentalidade amadora, alguns comprovadamente usando o clube em benefício próprio, como se fossem seus donos. Chega dessa figura de presidentes que alegam não ganhar nada para ficar 24 horas por dia por conta do clube. Alguma vantagem eles levam, seja financeira ou a de querer apenas se tornar conhecido. O futebol encanta, promove, principalmente os vaidosos.

Leila Pereira já é conhecida e pôs um bom dinheiro no Palmeiras. Porém, como presidente, caso seja eleita, vai gerir de outra forma, com inteligência, consciência e responsabilidade. Duvido que ela vai querer que algum mecenas invista no seu clube, e nem ela própria vai botar mais um tostão. É isso mesmo, dona Leila, gestão austera, dentro da realidade do clube e do país. Quando a gente vê um trabalhador receber um salário-mínimo de miséria e um jogador ganhar R$ 2 milhões por mês, é realmente um descalabro. Nem mesmo na Europa os clubes podem fazer isso. Vejam que o Barcelona, um dos clubes mais ricos do mundo, deve 2 bilhões de euros, cerca de R$ 12 bilhões. O mundo mudou, mas o futebol brasileiro continua como uma “Alice no país das maravilhas”.

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