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Estado de Minas JAECI CARVALHO

Falência ou clube-empresa? A escolha é do presidente!

A investigação policial mostrou que o Cruzeiro foi surrupiado, financeiramente, pela gestão anterior


17/01/2021 15:42 - atualizado 17/01/2021 15:47

Se eu fosse o presidente, viria a público e explicaria aos 9 milhões de cruzeirenses, espalhados pelo mundo, que não há mais o que fazer(foto: Alexandre Guzanshe/EM)
Se eu fosse o presidente, viria a público e explicaria aos 9 milhões de cruzeirenses, espalhados pelo mundo, que não há mais o que fazer (foto: Alexandre Guzanshe/EM)
A crise pela qual passa o Cruzeiro só tem uma solução: transformar o clube em empresa. Qualquer coisa que for dita, fora disso, é mentira e enganação. Um clube que deve mais de R$ 1 bilhão, com salários atrasados, receitas pífias e na Segunda Divisão, sem um time competitivo, não há como salvar. Ou decretam a falência-, acho que como é clube de futebol, isso não é possível-, mas há algum dispositivo para cancelar o CNPJ e começar do zero, na Série D, com outro nome, ou então arranjam alguém com muito dinheiro-, estou falando de bilionário-, para assumir 49% do clube e transforma-lo em empresa, tão logo o senado aprove o projeto. A câmara já aprovou. Por mais que haja alguém bem intencionado, cruzeirense roxo, não há solução. Pelo que um conselheiro me contou, na mudança do estatuto, não o modernizaram sobre a questão do clube-empresa. 
 
Será? O Cruzeiro tem Fábio, um patrimônio incomensurável, Marcelo Moreno, que voltou para ajudar o clube que ama, e mais uns dois ou três jogadores em condições de vestir a camisa azul. O resto, com todo o respeito, pode procurar outro clube. Se tivesse voltado à elite, poderia ter receitas melhores, mas, ainda assim, sofreria, pois sem dinheiro, nada se consegue. Formar um time competitivo no Brasil está cada vez mais difícil. Botafogo, Vasco e mais uns 15 clubes estão passando pelo mesmo drama do Cruzeiro.
 
Porém, ainda se mantém de pé com as receitas da Série A, e porque não tiveram seus cofres assaltados. A investigação policial mostrou que o Cruzeiro foi surrupiado, financeiramente, pela gestão anterior. Que a Justiça puna os culpados, os coloque na cadeia e que o produto do roubo seja devolvido.
 
Fico a me perguntar: o que foi feito com o dinheiro desviado pelo ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, hoje presidiário em Bangu? Será que a Justiça conseguiu reaver o que foi roubado, ou a família continua usufruindo da riqueza e do luxo conseguidos com o dinheiro público que foi desviado? Tenho um amigo, ex-jogador, que jogava pelada com um dos filhos de Cabral. Me disse, certa vez, que o rapaz disse que não sabia das falcatruas do pai. 
 
Aí o ex-jogador perguntou: “meu amigo, com tantos voos de helicópteros até para levar a cachorrinha que foi esquecida, com aquela mansão em Mangaratiba, e você não sabia dos desvios? Olha a renda do seu pai e veja se ela é compatível com o patrimônio que ele adquiriu. O rapaz se calou e fingiu que não era com ele. 
 
O grande problema do Brasil é esse. Prende-se o ladrão, mas não conseguem recuperar todo o produto do roubo. Sei que a casa de Mangaratiba, lanchas e outros bens foram bloqueados, mas não sei até que ponto conseguiram recuperar tudo, já que o roubo de Cabral foi um dos maiores da história do país.
 
Feito esse parêntese, volto a falar do Cruzeiro e dos bem intencionados. Não há o que fazer mais. O clube tem dívidas impagáveis e não adianta parcelar com Dedé ou qualquer outro jogador. Não há recurso para quitar as dívidas e não há onde conseguir. Sei que o presidente atual é apaixonado pelo clube e tem muitos projetos e ideias, mas isso não será suficiente para manter o clube vivo. Ou o Cruzeiro vira empresa, ou estará com seus dias contados, na Série B, sem a menor perspectiva de acesso. 
 
Quando eu dizia que os títulos têm um preço, os torcedores não queriam saber. Queriam comemorar, gozar os adversários. A conta chegou. Ninguém fica impune, quando contrata sem ter dinheiro, pagando salários irreais a ex-jogadores em atividade, repatriados da Europa. E a conta é essa: um clube arrasado, sem dinheiro para pagar salários, sem time, sem nada. Uma realidade dura, para um time tantas vezes campeão. Sempre cito as 6 Copas do Brasil, 4 Brasileiros e 2 Libertadores. Até pouco tempo atrás, o Cruzeiro ganhava taças e era organizado. Com uma dívida pequena, bem equacionada. De repente, virou mais de R$ 1 bilhão, e com o time na Segundona. Não há economia que resista a isso.
 
Se eu fosse o presidente, viria a público e explicaria aos 9 milhões de cruzeirenses, espalhados pelo mundo, que não há mais o que fazer. Ou fecha as portas e recomeça do zero, cancelando o CNPJ, ou vira Clube-empresa. Não sou economista e não entendo nada disso. Mais já conversei com alguns economistas que me confirmaram isso. Fiz uma live com o presidente, logo que ele assumiu e disse à ele que um economista me disse que se o Cruzeiro equacionasse suas dívidas e conseguisse pagar, regularmente as parcelas, demoraria uns 15 anos para voltar a competir em alto nível. Ele rebateu, dizendo “que não, e que seu clube voltaria à elite já em janeiro, com as dívidas resolvidas”. Pelo jeito, o economista tinha razão e o presidente não cumpriu nada do que planejava e prometeu. Ele não tem culpa. Pegou terra arrasada.
 
Porém, quando assumiu, sabia dos riscos, e agora o caldo já entornou. Não há outra saída, presidente. Ou você arruma um investidor, bilionário-, milionário não serve-, para investir em 49% das ações,
transformando o clube em empresa, ou o Cruzeiro não resiste mais 6 meses. A matemática é simples: onde se gasta mais do que se arrecada, aparece um rombo, que vira uma bola de neve, sem solução. Encare a realidade e mostre ao torcedor sua grandeza. É falência ou Clube-empresa, a escolha é sua!   

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