Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas

Com o futebol no pico da pandemia, vida não importa

No Brasil, o dinheiro anda falando mais alto que as vidas. A retomada do Campeonato Carioca é exemplo de nossa tragédia em plena crise do coronavírus


postado em 21/06/2020 04:00 / atualizado em 20/06/2020 21:45

Os clubes deveriam criar uma liga, negociar seus próprios jogos e faturar muito mais do que a ninharia que ganham atualmente”
Partida entre Atlético e Flamengo pela Copa União de 1987: competição é exemplo de que os clubes podem organizar suas ligas(foto: ARQUIVO EM/D.A PRESS %u2013 2/12/87 )
Partida entre Atlético e Flamengo pela Copa União de 1987: competição é exemplo de que os clubes podem organizar suas ligas (foto: ARQUIVO EM/D.A PRESS %u2013 2/12/87 )

Enquanto as pessoas vão morrendo no Brasil pela pandemia do coronavírus, o Campeonato Carioca, ultrapassado e falido, recomeçou na quinta-feira, com Flamengo 3 a 0 no Bangu. Ao lado, no hospital de campanha, no complexo do Maracanã, mais dois óbitos eram registrados. Não havia público nem vendedores ambulantes nem humanidade por parte dos dirigentes. Como o ser humano anda odioso e cruel. Muito triste tudo isso. O dinheiro falando mais alto que as vidas. A partida não foi transmitida pela Globo, detentora dos direitos da competição, pois o Flamengo não se acertou com a emissora. Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro anunciava a medida provisória que muda a Lei Pelé, determinando que o clube mandante tem o direito de arena e de negociar a transmissão dos jogos, usando também as plataformas digitais. Os clubes não sabem o poder que têm e continuam reféns da TV, vendendo o produto por uma ninharia, se submetendo aos horários criminosos de jogos às 21h30, num país onde se mata por arma de fogo ou arma branca mais de 50 mil pessoas todos os anos. Claro que a medida provisória terá de passar pela votação do Congresso, mas foi forte o suficiente para a Globo, no JN, soltar nota oficial garantindo que aquilo que está assinado e acordado com os clubes terá de ser cumprido ou então a Justiça será acionada.

Os clubes deveriam criar uma liga, negociar seus próprios jogos e faturar muito mais do que a ninharia que ganham atualmente. O Flamengo, que se tornou superavitário, com um grande time e a casa arrumada, e receitas de R$ 1 bilhão em 2019, não está nem aí para a Globo. Ou a emissora cede e paga o que o rubro-negro quer ou nada feito. Não vai poder mostrar seus jogos, pelo menos no Campeonato Carioca. Esse futebol amador que a maioria dos clubes brasileiros pratica, dependendo de mecenas apaixonados por eles ou dessa cota irrisória da TV, é ultrapassado. Em 1987, quando criaram a Copa União, deram uma demonstração de força e foi uma das competições com maior público na época. Por que não fazer novamente? Os clubes não precisam de ninguém para vender os direitos de seus jogos. Eles mesmos podem negociar e pedir aquilo que acham justo. É assim na Europa e terá de ser assim aqui também.

Vidas parecem não importar. O futebol voltou no meio da grande pandemia de coronavírus


Corremos o risco de ter apenas uma ou duas equipes em condições de ganhar taças, e o resto figurando nas competições. Além de terem de ser independentes das federações, os clubes terão de virar empresa. Não há outra solução para suas dívidas e problemas. Diretorias amadoras, que não ganham nada para trabalhar, contratações absurdas, salários irreais e por aí afora. Tudo isso levou os clubes à quebradeira e, com o coronavírus, a situação piorou. Sem receitas de bilheteria e até de patrocínios, as dívidas monstruosas vieram à tona. Vários grandes clubes devem mais de R$ 700 milhões, mesmo com o Refis do Profut. Dívidas impagáveis, que crescem a cada gestão, justamente por salários acima de R$ 500 mil, num país onde o trabalhador ganha míseros R$ 1.040 de salário-mínimo. Não dá mais! Ou o torcedor percebe isso e cobra postura profissional, ou vai ver seus clubes se afundando ainda mais em dívidas. A conta sempre chega e ela é cruel. Gastar o que não tem para montar times figurantes, que jamais serão campeões, é uma irresponsabilidade. Contratam jogadores, repatriam da Europa, pagando os salários de lá, faturando dentro da nossa realidade econômica. É realmente contraditório.

O governo federal acena com a proposta de clube empresa. Pelo menos garante que não vai perdoar dívidas de clube nenhum. Ainda bem. Se o trabalhador comum não é perdoado de suas dívidas, por que perdoariam os clubes de futebol? Tá tudo errado. Gestões ultrapassadas. Clubes têm de ter donos, virar franquias, como na MLS, nos Estados Unidos. Os clubes lá participam da liga se derem garantias de que vão cumprir o orçamento e de que os salários estarão em dia. Se isso não ocorrer, os dirigentes podem até ser presos. Vi que o Vasco pagou, agora em junho, o mês de janeiro de salários dos funcionários. Isso é um crime. Aqui nos Estados Unidos faltaria cadeia para tantos dirigentes incompetentes. Talvez por isso eles relutem em transformar seus clubes em empresas, pois se isso ocorrer, terão responsabilidade fiscal.

E para fechar, um seguidor do meu canal e do meu Blog aqui no Superesportes me pergunta se não seria esquisito torcer por uma empresa. Claro que não. Os torcedores continuarão a torcer por Flamengo, Atlético, Corinthians e por todas as equipes existentes. Nos Estados Unidos, os clubes pertencem às franquias, mas os torcedores torcem pelo Orlando City, pelo Los Angeles Galaxy. Na Europa, o mesmo acontece com os grandes clubes, bancados por empresas. É a única solução. Serei repetitivo neste espaço. Foi assim que conseguimos o Brasileirão por pontos corridos e será assim que conseguiremos a transformação dos clubes em empresas. Resta saber se os torcedores se engajarão nessa campanha. Não há outro caminho!



*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade