Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Publicidade

Estado de Minas COLUNA DO JAECI

A 90 minutos da queda, Cruzeiro se apega a um milagre

Matematicamente, o time ainda tem chance. Mas o Cruzeiro já está rebaixado moralmente desde que a diretoria foi acusada de corrupção. Mesmo que consiga se salvar, clube precisa se reinventar


postado em 04/12/2019 04:00 / atualizado em 03/12/2019 23:05

A derrota para o Vasco na segunda-feira deixou o Cruzeiro muito perto do rebaixamento(foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)
A derrota para o Vasco na segunda-feira deixou o Cruzeiro muito perto do rebaixamento (foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)
 
 
Assim que o Cruzeiro foi derrotado pelo Vasco, na segunda-feira, a pergunta que mais ouvi foi a seguinte: “O Cruzeiro está rebaixado?”. Matematicamente, ainda não, mas moralmente, há muitos meses. Desde que a diretoria foi acusada de corrupção, lavagem de dinheiro e outras falcatruas. Desde que Mano Menezes poupou jogadores em vários jogos do Brasileiro, privilegiando Copa do Brasil e Libertadores. Desde que Thiago Neves, de forma irresponsável, brincou com a tragédia de Brumadinho, para atingir o Atlético. Desde que o Cruzeiro investiu fortunas em ex-jogadores em atividade. Não se brinca com um clube dessa grandeza sem sair impune. Foram erros e mais erros, desmandos e mais desmandos. E ainda que aconteça um milagre e o time não caia, isso não vai apagar os erros dessa gestão e a irresponsabilidade. Segundo o homem-forte do futebol, Zezé Perrella, que como cruzeirense não se furtou a tentar salvar o clube, só de comissão a empresários o clube pagou mais de R$ 70 milhões. Isso mesmo! R$ 70 milhões em comissões de negociações, um número irreal e absurdo. O clube saltou de uma dívida de R$ 110 milhões para R$ 700 milhões. A conta chegou, e ela é dolorosa.

Se o Cruzeiro tivesse quatro Fábios, três Henriques, dois Léos e dois Dedés com certeza não estaria nessa situação. Mas, ao contrário disso, tem quatro Thiago Neves, quatro Freds, três Egídios e por aí afora. Jogadores que não têm amor ao clube e à camisa. Alguns sem a menor condição de usá-la. Além disso, o senhor Mano Menezes, que não quis assumir o Cruzeiro há alguns anos para dirigir o Corinthians na Série B, e que depois treinou o time azul e o largou para ganhar milhões na China, voltando, posteriormente, foi um dos grandes responsáveis pela péssima campanha desse ano. Ao poupar jogadores no Brasileirão, deixou o time azul em péssima situação, sem condições de reverter. Quando viu que não daria conta do recado, pulou do barco, dizendo que não tinha mais condições de tirar nada do grupo. Ele fez isso com o Flamengo também. Ele é responsável por uns 50% de uma possível queda. Ainda bem que o Palmeiras precisou de apenas dois meses para perceber que havia contratado gato por lebre. Mano é mais do mesmo, um técnico retranqueiro, sem imaginação, que vai viver das conquistas de Copa do Brasil, pois, nos pontos corridos, é um engodo.

Quando o Cruzeiro gastou o que tinha e o que não tinha para ganhar taças, eu avisei que essa era uma política equivocada. A conta chega. Os torcedores só queriam comemorar, mas recebi de alguns, mais racionais, mensagens temendo o futuro. E isso se confirmou. Salários atrasados, dívida monstruosa, e o que é mais grave: a queda para a Série B implica dizer que a TV, detentora dos direitos da Série A, não dará mais os R$ 90 milhões da cota do clube. Caindo, o Cruzeiro deverá receber algo em torno de R$ 10 milhões. Vejam o tamanho da irresponsabilidade! É melhor seu clube ficar alguns anos sem ganhar nada, se planejar e colher os frutos de forma sucessiva, no futuro, do que ganhar taças, iludir o torcedor e o rombo virar uma bola de neve. O Cruzeiro está assim. Sem rumo, sem norte, sem perspectiva. Repito o que escrevi outro dia: conversando com um economista, ele me disse que se o Cruzeiro pagar suas contas em dia, conseguir um Refiz, vai levar de 10 a 15 anos para se reequilibrar financeiramente. Isso com o clube na elite. Agora, com a possibilidade do rebaixamento, com certeza ele terá de fazer novos cálculos.

Gestão é coisa séria, não é para amadores ou achacadores. O clube merece respeito, pois é uma instituição grandiosa e vencedora. Sempre se orgulhou de ser organizado e financeiramente equilibrado. A coisa desandou de uma maneira irracional. Jogadores mandando e desmandando, contratando e demitindo técnicos. A junção de ex-técnicos em atividade, com ex-jogadores em atividade, só poderia dar nisso. A vaidade do ser humano não tem limites. Onde estão os responsáveis por esse trágico ano do Cruzeiro? Cada um deve dar a cara a tapa e assumir sua responsabilidade. A Série B é logo ali. Talvez, na quinta-feira, no fim da noite, o Cruzeiro já esteja lá. Muitas equipes já a frequentaram e se refizeram, ganhando até título mundial. Não é a morte ou o inferno, como sugerem os torcedores. Entendo que o torcedor é passional, que não usa a razão. Porém, neste momento, tem que inverter os papéis. Usar, sim, a razão e perceber que a Série B poderá fazer bem ao clube, para que ele se repagine e faça as coisas como devem ser feitas. Com transparência, decência, qualidade. Um gigante do nosso futebol está prestes a cair. Se isso acontecer, que se reerga com a força de sua grandeza, e mostre para sua gente que um acidente de percurso pode fazê-lo retornar aos seus melhores dias. Sofrer na Série B é uma realidade. E aos dirigentes que forem assumir o clube, vai aqui uma sugestão: que ponham os jogadores em ônibus nas viagens pelo Brasil, pois, quem cai para a Série B não merece viajar em aviões! Avião é para clubes da elite. Os da Segundona têm mais é que andar de busão!


Publicidade