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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Um jogaço pra matar a saudade do bom futebol


postado em 17/11/2019 04:00

Em rodada antecipada do Campeonato Brasileiro, o 4 a 4 de Flamengo e Vasco foi um dos melhores jogos dos últimos tempos(foto: MAURO PIMENTEL/AFP)
Em rodada antecipada do Campeonato Brasileiro, o 4 a 4 de Flamengo e Vasco foi um dos melhores jogos dos últimos tempos (foto: MAURO PIMENTEL/AFP)

Flamengo e Vasco fizeram um dos jogos mais épicos dos últimos tempos, no empate em 4 a 4, quarta-feira. Uma partida que relembrou os velhos e bons tempos do futebol brasileiro. Jorge Jesus, o português que revoluciona nosso esporte mais popular, conheceu de perto a estratégia de Vanderlei Luxemburgo, técnico pentacampeão brasileiro, que, mesmo com um time inferior tecnicamente, deu uma aula tática, explorando as subidas dos laterais rubro-negros e do volante Arão. Se houvesse um vencedor, deveria ter sido o Vasco, que foi melhor em boa parte dos 90 minutos. O Flamengo mostrou seus pontos vulneráveis e Marcelo Gallardo, técnico do River, estava de olho em tudo para tentar fazer o mesmo no sábado, na decisão da Libertadores, em Lima, no Peru. Quase campeão brasileiro, o Flamengo tem encantado a todos, com futebol pra frente, de muitos gols e nenhuma retranca. Luxemburgo, sabendo da deficiência técnica de seu time, marcou muito bem, mas não ficou lá atrás. Explorou a velocidade de seus homens nas costas dos laterais e construiu seus gols por ali. Como é bom assistir a dois treinadores que gostam da tabela, do drible, do gol, ao contrário de Tite, Mano e Felipão, cuja linguagem principal é “pega, mata a jogada, fecha a defesa”. Não sei até quando a CBF vai insistir com Tite, um técnico com conceitos ultradefensivos e pouca criatividade. E para os que diziam que Luxemburgo estava ultrapassado, a resposta vem com essa bela campanha do Vasco, que ele pegou no Z-4 e já sonha com Libertadores. Como digo, tirando Renato Gaúcho, Luxemburgo e Tiago Nunes, os demais técnicos, são tudo do mesmo, cuja palavra de ordem é retranca!

Gabriel Jesus e Thiago Silva

Não adianta. Tite insiste com Gabriel Jesus e Thiago Silva. O primeiro, ainda jovem, reserva no City e com péssimas atuações na Seleção Brasileira. O segundo, veterano e fracassado no time canarinho. Estamos a exatos três anos da Copa do Mundo, no Catar, e Tite não consegue desenvolver um bom futebol no time brasileiro. Continua privilegiando sua confraria e, quando leva jogadores jovens, não lhes dá a chance de atuar os 90 minutos. Eu não me preocupo com resultados em amistosos. O que me preocupa é perceber que nossa Seleção não tem qualidade, criatividade e imaginação. Claro que não temos mais Ronaldinho, Ronaldo e Rivaldo, craques que foram eleitos os melhores do mundo, mas a safra não é de toda ruim. A Seleção Sub-17, por exemplo, tem grandes jogadores e está na final da categoria contra o México. O grande problema é que não há um padrão de jogo determinado desde as divisões de base até a Seleção principal. Isso compromete todo o trabalho e as perspectivas são as piores possíveis. Nas próximas três Copas do Mundo não acredito que o Brasil possa levantar o caneco. É torcer para Alemanha e Itália também não ganharem, para, pelo menos, mantermos o título de único penta do planeta.

Caem pra cima

Não me canso de dizer que a profissão de técnico de futebol é a única no Brasil em que o cara “cai pra cima”. Sim, um técnico é demitido de uma equipe por deficiência técnica e contratado por outro ganhando salário maior. Em qualquer outra profissão, demitido, o profissional terá dificuldades de se recolocar no mercado. E, mais grave que tudo isso, é saber que os treinadores recebem fortunas, pulam de galho em galho sem ganhar títulos, apresentando futebol medíocre. É preciso uma intervenção, não sei de quem, para acabar com essa mordomia desses caras. Os clubes precisam se mobilizar e determinar um teto salarial para evitar a quebradeira que assola nosso futebol. A maioria dos clubes brasileiros está de pires na mão, cometendo atos irresponsáveis, contratando ex-jogadores em atividade e mantendo esses técnicos caros e ruins. Ou o futebol muda ou, em breve, teremos apenas Flamengo e Palmeiras, esse porque tem um mecenas que banca o clube, disputando taças. O resto fará apenas figuração. Ainda há tempo de salvar o nosso futebol e a única maneira é transformando os clubes em empresas. É assim no mundo todo.


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