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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

É preciso extinguir os hooligans brasileiros

Invasão de CTs, intimidação de jogadores, depredação de carros, brigas em estádios e fora deles... É necessário dar um basta nessas atitudes de pseudotorcedores


postado em 06/10/2019 04:00 / atualizado em 05/10/2019 20:34

Cerca de 20 integrantes da Máfia Azul invadiram a Toca da Raposa II na terça-feira. A polícia foi chamada, mas ninguém foi preso porque o clube não quis prestar queixa(foto: Paulo Galvão/EM/D.A Press)
Cerca de 20 integrantes da Máfia Azul invadiram a Toca da Raposa II na terça-feira. A polícia foi chamada, mas ninguém foi preso porque o clube não quis prestar queixa (foto: Paulo Galvão/EM/D.A Press)
 

Invasões de CTs, portões arrombados, carros depredados, ameaças a jogadores e dirigentes, rojões no campo de treinamento, intimidação de toda a espécie. São atos recorrentes e cenas terríveis que as chamadas torcidas organizadas vêm promovendo nos principais clubes do Rio, São Paulo e Minas Gerais. Um absurdo sem precedentes, com a conivência das autoridades. Sim, porque se fosse num país sério, essas facções já teriam sido extintas há tempos. Não há mais como suportar tanta violência, tanta covardia, como se fossem eles os donos dos times. A alegação das autoridades é de que sendo vigiados e identificados, essa gente fica sob controle. Balela! Já vimos tantas mortes Brasil afora, tanta tragédia, que desanima ir a um estádio de futebol. Esse “fenômeno do mal” aconteceu na Inglaterra, quando os hooligans se sentiam acima do bem e do mal. Porém, uma campanha de repressão da polícia e outras autoridades aniquilou aquele tipo de gente, e hoje o futebol inglês, considerado o mais organizado e mais forte do mundo, vive dias de paz. Já fui a dezenas de jogos na Inglaterra. É uma tranquilidade só. Camisas rivais lado a lado no metrô, no trem, nas imediações do estádio e dentro dele. Civilidade é o termo certo.


Sabemos que tudo o que acontece no Brasil é reflexo de uma sociedade violenta e desorganizada. De um país quebrado economicamente, com os valores morais completamente invertidos. Isso acaba contaminando o futebol com essa gente mal-amada, que não tem Deus no coração e na mente, e que se acha dona dos clubes. Quando uma equipe grande vai mal, logo surgem esses pseudotorcedores fazendo baderna, ameaçando com a frase “ou joga por amor ou por terror”. Ameaças veladas ignoradas pelas autoridades. Quantas cenas covardes temos visto nos estádios! Quantas vidas já foram ceifadas, com pauladas, tiros e outras armas. Tudo fruto da impunidade, da irresponsabilidade de um país que mata mais de 50 mil pessoas por arma de fogo ou arma branca. Isso é mais que qualquer guerra no mundo. E a sociedade assiste a tudo isso como se fosse normal.
É preciso que o torcedor entenda que os jogadores não vão jogar melhor se tiverem o carro amassado ou se forem agredidos. Não. Eles não conseguem atuar bem porque não têm condição de vestir aquela camisa. Os clubes são culpados, pois a maioria repatria ex-jogador em atividade pagando salários de Europa, com contratos longos. Nome no Brasil ainda vale muito. No Velho Mundo, não vale nada. Pode ser o maior ídolo da torcida. O clube o aposenta, faz uma homenagem e tchau! Se for um cara de visão, pode ser aproveitado como dirigente ou treinador. Caso contrário, é rua. E o “desempregado” volta para o Brasil com status de celebridade, enganando nos clubes e recebendo fortunas por mês. São os chamados “come e dorme”, ou, em alguns casos, os chinelinhos. Não adianta as facções ameaçarem, pois nem na porrada eles vão conseguir render o esperado.


É preciso que as autoridades sérias deem um basta nessa covardia que essas facções proporcionam de norte a sul do país. O futebol só tem razão de ser se for emoção e paixão, mas sem exageros ou violência.


A vida humana não está valendo nada nas mãos de bandidos. Mata-se por tudo e por nada. As mulheres são violentadas, agredidas, massacradas e, muitas das vezes, têm medo de denunciar o agressor. Esse é o sentimento que temos com relação às autoridades e às facções organizadas. Parece que elas têm medo de encarar e enquadrar esses bandidos. O Ministério Público suspendeu duas facções do Cruzeiro depois da invasão à Toca da Raposa e por brigas em jogos. É pouco. É preciso extinguir, pois essa gente não é dona do clube. O verdadeiro dono é o torcedor, anônimo, que paga seu ingresso, não ganha, e que xinga, grita e festeja na arquibancada. Quem invade local de trabalho de jogador, ou qualquer outra pessoa, não é torcedor e, sim, agressor. Já passou da hora de o Brasil acabar com esses “hooligans”. Será que não há dinheiro para mandar promotores e policiais na Inglaterra para aprender com os criadores do futebol como se faz para acabar com essas facções? Façam isso antes que elas acabem com o futebol, que ainda é o esporte mais popular do Brasil. Até quando, eu não sei!

Galo

O Atlético enfrenta o Palmeiras hoje, em São Paulo, precisando da vitória de forma desesperada. De repente, Mano Menezes, o retranqueiro, virou o “melhor técnico do mundo, com conceitos inovadores”. Claro que o Palmeiras, pelo dinheiro que gastou e pelo grupo que tem, é o favorito. Mais uma derrota e o Galo não vai segurar Rodrigo Santana. Acho um erro. Ele é o menos culpado, pois dirige um time que tem Luan, Patric, Fábio Santos, Elias e Ricardo Oliveira, só para citar alguns. Nem Guardiola faria milagre com um grupo desses na mão. O Galo tem que pensar em pontuar, salvar-se de qualquer possibilidade de queda e se reprogramar para 2020. O futebol pelas bandas de Minas Gerais anda doente.


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