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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Cruzeiro é goleado pelo Inter e escolhe morrer

Estamos a quatro meses do fim do ano, mas, para a Raposa, acabou. É tentar pontuar no Brasileirão, se afastar do Z-4 e nada mais


postado em 05/09/2019 04:00 / atualizado em 05/09/2019 00:30

Com dois gols, Guerrero foi decisivo para o triunfo do Inter sobre a Raposa, que valeu a passagem para a final da Copa do Brasil(foto: RAUL PEREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO)
Com dois gols, Guerrero foi decisivo para o triunfo do Inter sobre a Raposa, que valeu a passagem para a final da Copa do Brasil (foto: RAUL PEREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO)


Entre viver e morrer, o Cruzeiro escolheu a segunda opção. Em um ano em que a diretoria é acusada de corrupção e lavagem de dinheiro, e o clube frequentou mais as páginas policiais do que as esportivas, o Cruzeiro perdeu, ontem, sua última chance de ganhar uma taça nesta temporada. Foi derrotado pelo Internacional por 3 a 0, gols de Guerrero (2) e Edenílson, pela semifinal da Copa do Brasil. Vai viver, nos quatro meses restantes, uma crise sem precedentes. Sem dinheiro para pagar salários, em credibilidade no mercado para conseguir empréstimos, sem nada. A torcida azul está revoltada e promete faixas e protestos, pacíficos.

O Inter foi superior quase o jogo todo, e o Cruzeiro pagou caro pela contratação de jogadores inexpressivos no começo da temporada. Escrevi, aqui neste espaço, e falei no meu blog no Superesportes, que as contratações foram pífias e equivocadas. Não deu outra. Nenhum contratado correspondeu. E olha que tem gente com salário na casa de R$ 1 milhão mensais. Culpa dos jogadores? Não, e sim de quem os contratou. Uma pena que um clube de tanta grandeza e tantas conquistas tenha tido um ano melancólico e medíocre.

O primeiro tempo foi excelente, a bola rolou o maior tempo possível e houve raríssimas faltas. O futebol brasileiro tem mostrado grandes jogos ultimamente, principalmente quando dois gigantes se enfrentam. As equipes buscavam o gol, mesmo o time gaúcho não precisando vencer, pois o empate lhe bastaria. O Cruzeiro era diferente daquele treinado por Mano Menezes. Nada de retranca ou excesso de defensivismo, e sim ataque.

O jogo era lá e cá até que Nico López recebeu pela esquerda e tocou para D’Alessandro, na direita. Ele viu Guerrero entrando no costado da zaga e cruzou. O peruano só cabeceou e venceu Fábio. Inter 1 a 0. O ataque formado por um uruguaio, Nico López; um argentino, D’Alassandro; e um peruano, Guerrero, funcionou muito bem. Foi um grande primeiro tempo das equipes, e talvez o empate fosse mais justo. A torcida do Inter fizera a festa com a eliminação do Grêmio (que foi derrotado pelo Athletico, nas penalidades, 5 a 4) e fez também com seu time.

O Cruzeiro perdeu Dedé na fase final. Rogério Ceni havia dito que Henrique e Ariel Cabral juntos, jamais. Porém, eles estavam lado a lado, na etapa complementar. Péssimo prenúncio. O Inter cadenciava o jogo, esperando apenas o bote final para matar a partida. O Cruzeiro estava confuso e pior do que na fase inicial. Robinho, Marquinhos Gabriel, Cabral e o péssimo David nada produziam. Thiago Neves sumiu, mais uma vez.

Numa jogada pela direita, nova triangulação entre Nico López, D’Alessandro e Guerrero, e o peruano dominou, de forma maravilhosa, e fuzilou, sem chances para Fábio. 2 a 0 e, praticamente, o fim da esperança azul. O tempo passou. Não havia como o acomodado Cruzeiro reagir. E tinha mais: Victor Cuesta lançou Edenílson que, por cobertura, fez um golaço. 3 a 0 e goleada.

O Cruzeiro gastou uma fortuna, viu sua diretoria envolvida em escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro, frequentou as páginas policiais todo o ano, construiu uma dívida de mais de R$ 500 milhões, tem uma folha salarial de R$ 20 milhões com contratações equivocadas e pífias. Não poderia dar mesmo certo. Entre viver e morrer, optou por morrer.

Estamos a quatro meses do fim do ano, mas, para o Cruzeiro, acabou. É tentar pontuar no Brasileirão, se afastar do Z-4 e nada mais. Um péssimo ano, em que os gastos foram fabulosos e os resultados péssimos. É preciso fazer uma barca, limpar o clube e manter ali somente os jogadores comprometidos com a camisa. Tem muito come e dorme. O problema é saber de que forma a diretoria vai terminar o ano. Fora do clube, condenada pela Justiça, ou inocentada das acusações? Curiosamente, depois das denúncias no Fantástico, o time caiu de produção de forma sensível.

Valdívia

O ex-jogador do Palmeiras, o chileno Valdívia, postou no Twitter: “Ganhar dinheiro na venda ou compra de jogadores é muito fácil. Quer saber como? Pergunta pro gordo safado”. Denúncias sérias, que segundo a imprensa paulista e os palmeirenses foi endereçada ao diretor de futebol Alexandre Mattos. Sou de uma época em que diretor de futebol não era remunerado, trabalhava pela paixão. O futebol brasileiro ficou promíscuo e perigoso. Por que os presidentes não negociam entre eles, sem necessitar de intermediários?


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