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Estado de Minas COLUNA DO JAECI

Irresponsabilidade!

Já passou da hora de os clubes se reorganizarem, encararem a realidade econômica e fazerem contratos decentes, sem quebrar a instituição. Eu sou a favor da transformação de clubes em empresas


postado em 28/07/2019 04:00



Os dirigentes brasileiros, em sua maioria, continuam irresponsáveis com o dinheiro que não lhes pertence e, sim, aos clubes. O Flamengo é o maior exemplo disso. O senhor Rodolfo Landim, aquele que não se importou com as famílias das 10 crianças mortas no Ninho do Urubu, pois não se sensibilizou em pagar o que as famílias desejavam, está metendo os pés pelas mãos ao contratar dois laterais em fim de carreira por uma fortuna salarial. Rafinha tem serviços prestados durante os 15 anos de Europa, principalmente no Bayern de Munique, assim como Filipe Luís tem grandes serviços no Atlético de Madrid. Porém, quando os clubes europeus não se importam em manter tais jogadores, é porque eles já deram todo o caldo da laranja no Velho Mundo e sobrou apenas o bagaço. É a realidade, e só não enxerga quem não quer. Além disso, o senhor Landim gasta mais de R$ 20 milhões mensais com uma folha salarial absurda, para um país quebrado economicamente, com 30 milhões de desempregados. O futebol é mesmo um mundo da fantasia. Pagar mais de R$ 1 milhão mensais, salário de Europa a jogadores em fim da carreira é mesmo um crime. E, para piorar, isso vai inibir o surgimento de garotos oriundos da base no time de cima. Landim, literalmente, chutou a velha frase de que “craque o Flamengo faz em casa”.

Há vários exemplos desses clubes afora. O São Paulo repatriou Alexandre Pato, outro que não joga há tempos, que ficou milionário na China, onde não há cobrança nem competitividade. O que mais me impressiona é ver torcedores, esses jovens que não sabem o que é futebol, irem ao aeroporto para receber um “ex-jogador em atividade”. Essa conta um dia chega. Por isso, temos visto vários clubes de pires na mão, implorando adiantamentos de cota de TV. É inadmissível num país de economia em frangalhos um jogador ganhar essas fortunas. O que levou o Cruzeiro, por exemplo, a pagar quase R$ 1 milhão mensais a Fred, que foi um grande artilheiro, mas que de 2014 para cá nunca mais foi o mesmo? Façam um balanço dos gols importantes que ele marcou ou de títulos ganhos, para saber quanto valeu cada partida do jogador. É um absurdo. Isso tem ocorrido em Minas, Rio, São Paulo, Porto Alegre. Os dirigentes não têm responsabilidade fiscal e, dessa forma, fazem a “farra do boi”, gastando o que têm e o que não têm com ex-jogadores em atividade para dar uma satisfação porca aos torcedores. Não investem nas divisões de base, não colocam gente competente para geri-las e o resultado é esse futebol pobre, sem inspiração e sem qualidade. Sei que os jovens de hoje querem ganhar a qualquer preço. Não foi o que aprendi com Pelé, Zico, Rivellino, Dirceu Lopes, Reinaldo, Telê Santana e Carlos Alberto Silva. Aprendi que vale a pena perder quando se pratica algo bom, no caso, um futebol de alto nível. Perder faz parte do jogo, mas ganhar a qualquer preço, jamais.

O futebol brasileiro caminha na contramão da história. Somos ainda os únicos pentacampeões. Estamos organizados, com belo trabalho da CBF, principalmente na nova gestão. Porém, precisamos melhorar sobremaneira a parte técnica e isso não será possível repatriando jogadores do Velho Mundo. Aos 33 anos, o que Rafinha e Filipe Luís poderão dar ao Flamengo? Se as divisões de base do rubro-negro não foram capazes de produzir um bom lateral-direito e um esquerdo, é melhor fechar as portas.

Já passou da hora de os clubes se reorganizarem, encararem a realidade econômica do país e fazerem contratos decentes, sem quebrar a instituição. Eu sou a favor da transformação de clubes em empresas, pois dessa forma haverá responsabilidade fiscal e um CEO, que será cobrado para dar lucros e taças. Somente assim vamos parar de repatriar ex-jogadores em atividade. O futebol brasileiro está doente e carente tecnicamente. Os treinadores são fracos e preguiçosos, em sua maioria. Os jogadores não treinam além do horário. Largam tudo para estar com os empresários, ávidos por uma transferência. Talvez esteja aí a explicação para um nível técnico tão baixo e tão falido. Nelinho e Zico ficavam uma hora, além dos treinamentos, cobrando faltas e fazendo gols para acertarem nos jogos. E era batata! Davam vitórias e títulos e mais títulos às suas equipes. Hoje a gente vê jogador dominando a bola na canela. Não podemos mesmo querer um futebol de alto nível com dirigentes irresponsáveis, técnicos preguiçosos e jogadores repatriados do exterior, chegando aqui como bagaços, pois o caldo da laranja foi chupado no Velho Mundo. Ou os dirigentes mudam sua filosofia ou vamos para o fundo do poço, que é bem mais fundo do que imaginamos. Em 2022 vamos completar 20 anos sem ganhar a Copa do Mundo. Há algo errado ou não?


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