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Aprender a escolher a melhor onda é a melhor opção

Vivemos de ciclos e nada é eterno. As vezes temos que esperar a próxima onda. Não sei como os surfistas fazem, mas é uma arte que gostaria de aprender


20/02/2021 04:00 - atualizado 20/02/2021 07:21

 O historiador Eric Hobsbawn mostra ciclos na história, como o do jazz, e a importância dessas ondas para a cultura(foto: Ana Carolina Fernandes/Folhapress %u2013 1/10/12)
O historiador Eric Hobsbawn mostra ciclos na história, como o do jazz, e a importância dessas ondas para a cultura (foto: Ana Carolina Fernandes/Folhapress %u2013 1/10/12)
No início dos anos 2000 tivemos uma onda liderada pelo estilo sertanejo na música brasileira. Eles vieram com novos arranjos (mais modernos), com temas voltados para o cotidiano, mais urbanos e foram inicialmente apelidados de sertanejos universitários.

Esse forte movimento foi amplificado pela estrutura das milhares de festas temáticas que temos no interior do país, sendo geralmente voltadas para o agronegócio e suas commodities. Durante muitos anos, a agenda do “Skank” foi dominada por estas feiras, eventos sempre muito estruturados, mesmo em cidades pequenas.
 
Nos últimos cinco anos, tivemos uma mudança. O Funk e o rap ocuparam os ouvidos das novas gerações. Agora, temos artistas que são celebridades digitais utilizando a música como um meio de promoção. Por outro lado, voltamos a ter uma geração que questiona a sociedade e seus valores. Esse papel era ocupado pelo rock, principalmente nas décadas de 1970 e 1980.

No início dos anos 2000, isso perdeu o sentido no Brasil, principalmente por conta do crescimento econômico. Questionar a sociedade, quando ela está beirando o pleno emprego, não fazia sentido para ninguém. Como vivemos de ciclos, isso voltou a ter espaço – sendo um dos grandes representantes na cena nacional, o Djonga, nascido em BH, e que merece todo o nosso respeito pelo seu belo trabalho e suas letras.
 
Estou lendo um ótimo livro chamado “História Social do jazz”, de Eric Hobsbawn; sim, o mesmo que escreveu “A era dos extremos” e vários outros. Esse livro é de 1959, mas recebeu uma nova versão com prefácio do Luis Fernando Verissimo. O livro descreve os movimentos do jazz e seus ciclos de importância dentro da cultura americana.
 
A obra explica claramente o quanto somos vulneráveis às mudanças culturais. O Jazz foi praticamente atropelado pela chegada do rock na década de 50. Um estilo de fácil aceitação e mais direto. Para se ter uma ideia, no inicio dos anos 1970 o jazz representava 1,3% dos discos vendidos, contra 75% do rock. No entanto, a exaustão do Rock criou uma nova geração de músicos de jazz, como o recém-falecido Chick Corea, que se desenvolveu utilizando referências do rock em suas improvisações.
 
O movimento desses ciclos merecem toda a nossa atenção. Eles determinam as nossas oportunidades e crises. A pandemia, para alguns, foi a morte econômica; porém, para outros, acabou se apresentando como uma grande solução. Para o entretenimento, que trabalha com aglomeração de pessoas, foi terrível; principalmente porque tivemos a criminalização da diversão. Entretanto, para outros segmentos, como o comércio eletrônico, supermercados, farmácias e games, o resultado foi fantástico.
 
Adoro livros e aqui vai mais um para os eternos preocupados com os movimentos do mundo: “Só os paranoicos sobrevivem”, do Andrew Grove da Intel. Esse não é tão novo, mas muito sintonizado com o que estamos vivendo.
 
Nunca aprendi a surfar. Tenho medo do mar e aprendi a nadar em piscina de cloro.  O surfista tem uma característica que me seduz: como escolher a melhor onda. Não adianta querer pegar todas, mas ficar achando que a próxima é sempre a melhor não faz sentido. Vivemos de ciclos e nada é eterno. As vezes temos que esperar a próxima onda. Não sei como os surfistas fazem, mas é uma arte que gostaria de aprender.

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