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Estado de Minas VIVENDO E APRENDENDO

Resistir e reexistir são verbos que exigem exercícios diários na pandemia

Presidente da Academia Mineira de Letras, o jornalista e doutor em literatura Rogério Faria Tavares debate o tema na seção Vivendo e Aprendendo da Coluna Hit


25/09/2021 04:00

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Não é só pela sonoridade. Resistir e reexistir são verbos mais próximos do que a gente pensa. Se o primeiro pede força e coragem (e a capacidade de enfrentar a maldade e a ignorância), o segundo requer criatividade e fé. 
 
Ambos, no entanto, evocam a necessidade de continuar de pé, com a coluna alongada, sem quebrar, e o olhar posto na linha do horizonte, vislumbrando um futuro melhor, respaldado pelas experiências acumuladas no decorrer da vida e renovado pela esperança.
 
Nunca foi tão necessário exercitar essas habilidades como nos últimos 18 meses, quando a pandemia dominou o planeta. Não foi fácil para ninguém. O número de mortos, no mundo todo, assusta e entristece. No Brasil, pelas razões já conhecidas, ele também é apavorante. 
 
Quantos sonhos foram interrompidos? Quantas famílias foram desfeitas? Quanto amor deixou de circular? As sequelas dos que sobreviveram continuarão com eles até o fim, alterando rotas e projetos, reduzindo perspectivas, apequenando as possibilidades.
 
Não está sendo fácil para ninguém. A travessia está longe de terminar. Muito provavelmente, nada voltará a ser como antes. O uso da máscara, por exemplo, talvez siga conosco por bastante tempo, bem como alguns protocolos de segurança, sobretudo os relativos aos espaços fechados, sem ventilação, ou aos eventos que preveem grande número de pessoas. 
 
Mas se há algo que ficou claro, por outro lado, é que não é possível prosseguir sem o fortalecimento de uma consciência coletiva que conecte e aproxime, que agregue e gere identificação. As soluções individuais podem parecer eficazes, principalmente no curto prazo, mas não se sustentam. 
 
Não é razoável mais cuidar apenas da própria vidinha, sem ligar para o que acontece em volta. O olhar exclusivo sobre o próprio umbigo e a atenção dedicada somente aos desejos pessoais são atitudes que não combinam mais com o século 21. 
 
A humanidade precisa, cada vez mais, unir-se em torno de valores e de princípios comuns, que favoreçam a permanência harmoniosa da espécie sobre a Terra. Sem solidariedade e compaixão, nossas chances de continuar caem bastante...
 
A consciência comum levará, naturalmente, a ações conjugadas. Algumas delas passarão, inevitavelmente, por mudanças radicais nas nossas interações com o meio ambiente. A ciência já mostrou o que deve ser feito. Ingressamos num período em que não é mais possível negar os terríveis efeitos das queimadas, dos desmatamentos, e, nos grandes centros urbanos, da especulação imobiliária, da ocupação e do uso desordenado do solo, todos eles responsáveis por alterar o equilíbrio de nossas relações com a natureza e por problemas e crises que nunca havíamos enfrentado antes, de que as doenças imprevistas são um terrível exemplo.
 
Outra reflexão que não tem mais como ser adiada é a referente à fome e à miséria. A desigualdade social não pode ser tolerada. Tem que ser combatida por todos os meios e de todas as formas, devendo ser prioridade de governos, das empresas e das famílias, não só no plano da assistência urgente e imediata, que é importante, mas também no plano das políticas públicas, que mobilizem o aparato estatal, e das estratégias corporativas, que convençam os empreendedores, de uma vez por todas, de que não há êxito pessoal nem lucro real num cenário de terra arrasada.

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