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Estado de Minas HIT

Gestora cultural narra luta que travou contra a COVID-19 e a favor da vida

Sandra Campos é a primeira convidada de 2021 na seção Vivendo e aprendendo, publicada aos sábados na Hit. No espaço, cada diz o que aprendeu com a pandemia


09/01/2021 04:00

SANDRA CAMPOS
Gestora cultural

Quando li as notícias de 11 de março de 2020, que anunciavam que a OMS havia decretado pandemia do novo coronavírus, confesso que jamais imaginei a real dimensão do que viveria a partir dali. Tive um ano profissional extremamente desafiador, e, ainda assim, com grandes vitórias e conquistas. Iniciei dezembro tentando manter toda a positividade que o fim de ano nos pede. Confesso que não era fácil, pois os caminhos pelos quais a pandemia tem seguido, muitas vezes, tiram o nosso ânimo. Jamais imaginei que esse seria o dezembro mais marcante de minha vida.

No dia 7, acordei com dor no corpo e coriza. Na manhã seguinte, tinha perdido 100% do paladar e do olfato. Ali começava a minha luta contra a COVID-19, a minha luta pela vida. Precisei ir até o hospital por três vezes, pois sentia muita dificuldade de respirar. A cada atendimento, era impossível não me emocionar com a dedicação e o carinho dos profissionais da área da saúde. Vivi os piores 18 dias da minha vida. No terceiro dia de isolamento, decidi parar de assistir aos noticiários e ler os jornais. No quarto, parei de interagir em redes sociais. Era uma solidão necessária. Foi uma medida para evitar uma “overdose” de coronavírus.

Pela primeira vez, passei o Natal so- zinha. Foi ao mesmo tempo o pior e o melhor Natal; afinal, estava viva e nunca valorizei tanto a vida como agora. Poucas pessoas ficaram sabendo, pois é uma doença solitária. Além de todo o receio com a evolução dos sintomas, vem a preocupação de não colocar outras pessoas em risco. E isso causa impactos emocionais que só quem já viveu é capaz de entender. Alguns amigos, por exemplo, me ligavam com a intenção de ajudar, porém só conseguiam me deixar ainda mais apavorada, falando de possíveis sequelas e do tempo extenso para recuperação. É necessário cuidar muito da mente, pois o emocional agrava cada sintoma.

Aprendi muito nesse período. Aprendi a me amar e a me respeitar mais. A valorizar mais meus verdadeiros amigos e minha família. Hoje, dou mais valor a coisas simples, que muitas vezes passavam despercebidas. Fico muito triste de ver o egoísmo e a ignorância de tantas pessoas diante desta doença terrível. Aglomerando-se, não usando máscaras e desafiando diariamente este vírus terrível. Após muita medicação e exercícios respiratórios, estou curada. Graças a Deus, a Nossa Senhora, às orações dos amigos e à atenção dos profissionais que cuidaram de mim.

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