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Estado de Minas COLUNA HIT

O grito desesperado de Bruno Mascarenhas

'A casa está pegando fogo! É preciso agir!, desabafa o jornalista, no 'Diário da quarentena', ao comentar os efeitos da pandemia


07/09/2020 04:00

Diário da quarentena


Grito de alerta

Bruno Mascarenhas
Jornalista

O quarto escuro, o peso da coberta. Muito frio, ruídos lá fora. A qualquer momento mais um de nós vai ser pego. O inimigo é invisível. Entra pelo ar, pelas mãos sujas, por qualquer buraco, qualquer descuido. Ele já matou mais de 100 mil e caminha para 200, 300 mil...
Que medo!

Que medo de levantar. Medo do escuro, do obscuro. Pelos filhos, pela mulher, pelos irmãos, amigos... O inimigo invisível vai e volta sempre. Dos caçadores-coletores aos cibernéticos.

Peste Negra, Gripe Espanhola, COVID-19. Elas vêm, destroem sonhos, milhões de vidas, até que os cientistas encontrem a cura, a prevenção. É sempre assim... Dói muito, deixa cicatrizes profundas, mas passa.

O dinheiro se esvai, os freelances desparecem. No grupo de risco, fico preso ao desespero, sem aposentadoria. Uma célula no tecido. Minha vida é só isso.

A pandemia vai passar, mas ainda haverá perigo. Ele está sempre à espreita. Às vezes aparece em personagens caricatas, dignas de dó. A gente nem liga... Ele é destemperado, louco, deixe para lá...

A “Solução Final”, a indústria da morte, seis, sete, oito, nove milhões de pessoas exterminadas, inclusive crianças, partiu de uma pessoa caricata, digna de dó, Adolf Hitler. Fanatismo, obscurantismo... Imagine, isso jamais vai acontecer de novo...

Fanatismo, obscurantismo, fascismo acontecem de novo e de novo, em ciclos. O grande perigo. As soluções simples para problemas complexos. Truculência. A indústria do ódio. Se não fossem os livros, as músicas, os filmes, não sei como seria este momento sem os artistas. Eles me ajudam a suportar o que sinto e vejo durante o genocídio, a construção da destruição.

Ódio. Ódio. A semente do obscurantismo. Medo do escuro à noite. Escuro, obscuro. Negação da humanidade. Negação do afeto, da compaixão, da compreensão. Ódio, ódio, ódio! Esse é o combustível.

“A Alemanha acima de tudo” significou dezenas de milhões de mortes.

“O Brasil acima de tudo.”

Joseph Goebbels, Gabinete do Ódio, milhares de fake news por dia destruindo a verdade, gripezinha, desdém com a vida dos outros, deveriam matar 30 mil em vez de torturar, minha especialidade é matar...

Muito pior do que qualquer vírus é a negação do óbvio. A destruição da verdade. É ver todas as instâncias democráticas não tomarem atitude diante do demônio que se diz cristão e rasga a Constituição. O genocídio da COVID-19 é somente uma parte do que está por vir na versão brasileira da “Solução Final”.

Gripezinha... Que pode me pegar, me matar, matar os meus. Subo 12 andares de dois em dois degraus, caminho, surro a bicicleta, atividade física em busca da sanidade mental difícil de ser mantida, enquanto o número de mortos aumenta, numa montanha de escombros. Enquanto a casa grande sobrevive, como sempre. Mais de 300 anos de escravidão empurrados diariamente para debaixo do tapete nojento da nossa história. Mais de 500 anos de genocídio dos povos indígenas debaixo do mesmo tapete. A ilusão dos amigos do Norte, aqueles que nos roubam qualquer expectativa de sobrevivência digna.

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” Esse é o lema dos mentirosos, criminosos, roubado da Bíblia, sempre usado fora de contexto.

É como se o país estivesse em chamas e todos nas redes sociais, sem sentir o cheiro sufocante da fumaça. Da carne humana queimada. Eu gostaria que o Brasil escutasse o meu grito desesperado. FOGO!!! A casa está pegando fogo!!! É preciso agir!!! É vida ou morte!!! 

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