(none) || (none)

Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas DIÁRIO DA QUARENTENA

Silêncio ancestral*


17/08/2020 04:00


Por Luiz Ruffato
Escritor



Exilado entre as quatro paredes do meu quarto
Tendo por única companhia
O silêncio ancestral dos meus gatos
Acompanho imperturbável
O naufrágio lento do imenso barco
Que outrora eu chamava utopia

Sei que por detrás das cortinas da janela
Há rangidos, gritos, alvoroço
Mas meu corpo se recusa a ir até ela
Pois sondar o insondável
Não traria de volta o meu querê-la
E aguardo calmo a água me alcançar o pescoço

Eu idealizei futuros impossíveis, até quis
Abraçar as multidões, amar o estranho
Mas tudo que aqui finquei, toda raiz
Mostrou-se frágil, inviável
Percebo tarde demais que daquele país
Nada mais resta, nada ficou, nem mesmo o sonho


*O escritor Luiz Rufatto conta que, durante a quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus, só se animou a escrever esse poema, que foi lançado no exterior. O Estado de Minas publica-o pela primeira vez no Brasil.

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)