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Estado de Minas TEATRO

Grupo Oficcina Multimédia é mais uma vítima da pandemia

No 'Diário da quarentena', Ione de Medeiros, diretora da companhia, faz seu desabafo e revela preocupação com o futuro das artes cênicas em Belo Horizonte


04/08/2020 04:00

Ione de Medeiros
Diretora do Grupo Oficcina Multimédia



19 de julho de 2020.

Um dia muito triste pra nós do Grupo Oficcina Multimédia (GOM) nesta pandemia. O pior, desde que entramos em quarentena, em março de 2020, pouco antes de estrear o espetáculo Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues, programado para o mês de maio, no CCBB BH.

Depois dessa primeira frustração, veio a segunda. Foi no dia 19 de julho, quando nós, depois de 43 anos de pesquisa cênica e 27 espetáculos montados, tivemos que abrir mão de boa parte de nosso acervo e fechar o espaço onde ensaiávamos e guardávamos nosso material cênico. Um acervo armazenado há anos e utilizado como importante material de nossa pesquisa cênica.

Esse material diversificado foi se juntando no processo de garimpagem feito nas ruas, demolições, nos topa-tudo e lojas de material de construção e mais um arsenal de objetos do cotidiano, como mesas, cadeiras, sofás e poltronas usadas achados na internet, além de roupas, sapatos e toda a quinquilharia colhida em brechós. Objetos abandonados que trazíamos para nosso espaço e eram incorporados na cena desde o início dos nossos processos de criação. Explorados em suas possibilidades de expressão, e sem que houvesse alterações na sua forma original, a cada montagem eram ressignificados, adquirindo beleza e novos sentidos.

Soma-se a essa garimpagem o trabalho feito nos laboratórios de criação do GOM, como a construção de máscaras, bonecos, adereços cênicos e figurinos, como o das noivas de Navio-noiva e gaivotas (1989), as capas de Zaac e Zenoel (1998), os vestidos de época de A casa de Bernarda Alba (2001), os parangolés de Bê-a-ba Brasil (2007), os quimonos das gueixas e o labirinto de filó de As últimas flores do jardim das cerejeiras (2010), as máquinas de guerra 
de Macquinária 21 (2016).

Foi triste perder boa parte desse acervo na desmontagem de nosso galpão, sem que tivéssemos para onde ir.

Não existe em BH um espaço garantido para a preservação da memória do teatro e de sua história. Aqui, tudo tende a desaparecer. E esse parece ser o futuro de muitos outros grupos de teatro, que hoje estão mantendo seus espaços através de crowdfundings e apoio de amigos. Mas eles é que vão salvar a arte?

As verbas das leis de incentivo à cultura são insuficientes. Atingem somente alguns e por tempo limitado. Mas os grupos de teatro precisam de um apoio continuado para a produção de espetáculos e manutenção de seus espaços. Sem a garantia desse suporte, qual será o futuro das artes cênicas de BH e da preservação de sua história?

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