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Estado de Minas HIT

'Diário da quarentena', especial da Coluna Hit, tem mais um capítulo

A escritora Fernanda Mello, autora dos livros 'Amar é punk' e 'Mulher de frases', revela como está encarando os dias fechada em casa


postado em 19/03/2020 04:00 / atualizado em 18/03/2020 18:40


“Eventos cancelados. Abraços adiados. Projetos suspensos. Ruas vazias vistas pela janela. E uma aflição que insiste em me fazer companhia.

O coronavírus chegou para pausar nossas vidas, ressignificar nossas relações e nos lembrar o que não podemos deixar de lado: a responsabilidade coletiva, a empatia e a solidariedade.

Chegou a hora do “nós” virar sujeito novamente e reger os nossos solitários (e descompassados) dias, em detrimento 
do tão apressado “eu”. Momento de olhar para o mundo e para o outro com generosidade, ajudar os idosos e pessoas em situação de risco, e tentar, ao mesmo tempo, manter nossa própria sanidade e esperança.

Desafiador? Eu diria que sim.

Enquanto escrevo estas linhas, vejo os compromissos desmarcados na agenda, os textos que mudaram automaticamente de tema, a bagunça da casa sem diarista e o espaço livre que chega, atrevido, e me faz pensar além da conta...

A verdade é que não me incomodo em ficar sem sair de casa, muito pelo contrário: a reclusão é amiga da minha escrita (e do meu signo solar). O que dói é ficar longe de quem a gente gosta, não poder abraçar nossos pais, não cumprimentar com um beijo, não passar os dias sem se preocupar, não poder ajudar todo mundo que precisa – efetivamente – de ajuda. Dói ficar em alerta o tempo todo, porque essa apreensão nos lembra que a vida é breve.

E a brevidade da nossa existência, que nos inquieta em situações como esta, também nos faz mudar individualmente. Nos torna seres humanos mais empáticos e faz do planeta uma extensão da nossa própria evolução.”

•  Fernanda Mello
Escritora

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