Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas

Antônio Marcellini é o entrevistado da 100ª edição de 'Com a palavra'

Nome de destaque do setor de entretenimento em BH, empresário revela como se adaptou à perda da visão. Este ano, ele vai lançar livro sobre os 40 anos do Chalezinho


postado em 01/03/2020 04:00 / atualizado em 28/02/2020 16:38

(foto: Helvécio Carlos/EM/DA PRESS)
(foto: Helvécio Carlos/EM/DA PRESS)

“É um grande sonho comemorar os 40 anos do Chalezinho”

A história de Antônio Augusto Marcellini dá um bom livro. Há 40 anos o nome desse engenheiro descendente de italianos está ligado ao entretenimento em Belo Horizonte. E ele não fez pouca coisa. Do Santa Tereza Cine Show, que ganhou outros formatos e nomes – Fábrica de Macarrão, Fábrica e Trash –, à fundação da Abrasel nacional, em 1986, nada é mais marcante na trajetória de Antônio Augusto do que o Chalezinho. A casa começou como restaurante na Savassi e se transformou em marca respeitada. A novidade mais recente é a Vila Chalezinho, que funciona há quatro meses no Bairro Vila da Serra.Houve um baque na vida desse empreendedor, que perdeu a visão durante uma cirurgia. “Hoje, ando em bando”, diz ele, com bom humor, lembrando que já foi um homem independente e agora depende de outras pessoas. “Tenho uma nova vida de aprendizado, de enxergar de dentro para fora”, revela.O livro, quase pronto, está previsto para o segundo semestre. Escrito pela jornalista Bianca Alves, ele ainda não tem título.


COM A PALAVRA

Antônio Augusto Marcellini,
Empresário

Há quatro meses, BH ganhou o Vila Chalezinho. O que esse projeto representa para o senhor?

É o resultado da determinação, de um sonho. E também da espera de 10 anos, desde que o Chalezinho foi desativado para abrigar o Concórdia, edifício com 40 andares. O nosso Chalezinho voltou para o mesmo lugar, com características atualizadas. É uma casa acolhedora, que pretende continuar a história do Era Uma Vez... Mantivemos o piano, o clima intimista, o cardápio de fondues e outros pratos tradicionais. É a continuação de minha própria história, da história da nossa família. É a marca dos 40 anos do Era Uma Vez Um Chalezinho, agora batizado carinhosamente como Vila Chalezinho em homenagem ao Bairro Vila da Serra e também para não ser confundido com o Clube Chalezinho, o das baladas.

O Chalezinho marcou a história de várias gerações. O que ele representa para o senhor?

É a história de amor de um rapaz e de uma moça (Taísa Araújo) deslumbrados com locais românticos como Gramado e Campos do Jordão. Em 1972, um ano depois de nosso casamento, criamos uma loja de adornos rústicos, que mais tarde foi para o BH Shopping, e a ideia de um piano bar, o Era Uma Vez Um Chalezinho, sob as frondosas mangueiras da Savassi. No primeiro endereço ficamos oito meses. Saímos porque o terreno havia sido comprado pela construtora Caparaó. Fomos para a Rua Paraíba, onde ficamos por mais 13 anos, e, em 1994, para o Seis Pistas, iniciando ali a terceira fase da nossa história em sede própria, com o Cucas Bar e o Sótão Restaurante. Ali entram os filhos, Ralph e Rick, nesse impressionante caminho de vida. Tenho um grande orgulho do sonho que ainda continua se realizando com meus filhos Gutinho, Rusty e Taty. É uma grande felicidade celebrar os 40 anos do Chalezinho.

Qual é a sua grande lembrança do Chalezinho?

São tantas... Dos tempos da Rua Fernandes Tourinho, apesar do período curto de funcionamento, entre maio dezembro. Foi lá que começou a grande chama da paixão. Momentos inesquecíveis.

Há seis anos, o senhor perdeu a visão...

Foi em 11 de setembro de 2013. Depois de oito horas de uma cirurgia da coluna cervical – havia o risco do bloqueio de minha medula e de ficar paraplégico –, perdi a ativação do nervo ótico. Quando voltei da anestesia, pedi para ligarem as luzes. Mas elas estavam acesas. Lili, minha namorada naquela época, saiu do quarto gritando pelos médicos. Antes da cirurgia, eles disseram que a possibilidade de ficar cego era a mesma do choque de dois aviões no ar. Quando entraram no quarto, depois da cirurgia, disseram: um avião bateu em outro. Durante seis meses, foram muitas pesquisas para tentar recuperar a visão. Aos poucos, fui tomando consciência do que realmente estava por vir. Fui tomando providências, formando minha equipe, mudando algumas coisas na minha vida. Aos poucos, as coisas foram clareando dentro de mim (risos), porque por fora era preto mesmo. Não enxergava mais a minha casa no meio do jardim, no Estância Serrana, onde estou há 30 anos. As coisas foram repensadas, mas dentro do projeto de vida que sempre tive com minha família. Rosa Amélia, que está comigo há seis anos, Deus ajudando meus sonhos, a Abrasel, minha força de vida, meu caminho de origem, e o destino sendo realizado. É outra visão de vida, mais obediente, respeitando o tempo.

Fale do Antônio antes e depois de perder a visão. O que mudou?

Estou me adaptando a esse destino. A diferença é que o Antônio Augusto lá de trás era bem mais soberbo e determinado. Às vezes, chutando o balde e tomando atitudes apressadas. Hoje, o Antônio Augusto é diferente. Tenho uma equipe e devo respeitá-la. É um pouco difícil, pelo meu DNA de família italiana, mas estou aí aprendendo a respeitar a natureza da vida e me adaptando a situações que jamais imaginaria experimentar. Tenho usado mais a razão, conto até vinte para poder continuar nesse caminho de muitos sonhos e realizações.


Compartilhe no Facebook
*Apenas para assinantes do Estado de Minas

Publicidade