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Cartunistas mineiros prestigiam Miguel Paiva no projeto Sempre um Papo

No lançamento do livro Memória do traço, Miguel contou detalhes sobre o fim da Radical Chic, a mais famosa de suas criações


postado em 16/02/2020 04:00

Miguel Paiva entre os cartunistas mineiros Nilson, Guto Respi, Lor e Duke(foto: Daniel Bianchini/Divulgação )
Miguel Paiva entre os cartunistas mineiros Nilson, Guto Respi, Lor e Duke (foto: Daniel Bianchini/Divulgação )
Na terça-feira, a chuva que castigou BH não impediu a presença de fãs de Miguel Paiva no projeto Sempre um Papo. Eles foram prestigiar o cartunista no lançamento do livro Memórias do traço. A plateia da Sala Juvenal Dias reuniu exatas 14 pessoas, que garantiram uma noite inesquecível para o criador de Ed Mort, Gatão de Meia Idade e, claro, Radical Chic. “Se tivesse mais público, esse encontro não teria sido tão amistoso, tão divertido e tão íntimo”, disse ele, prestigiado pelos colegas mineiros Nilson, Guto Respi, Lor e Duke.

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Miguel falou sobre tudo. Reconheceu Radical Chic, que deixou de existir há cinco anos, como sua criação de maior sucesso. Revelou que o fim da trajetória dela já estava em seu radar, mas isso acabou ocorrendo sem que a personagem tivesse a chance de dizer adeus, devido à demissão dele do jornal O Globo. “A Radical cumpriu seu papel num momento em que as mulheres não tinham espaço nem lugar de fala”, afirma. Com o tempo, as mulheres foram conquistando espaço, as questões femininas não eram mais do jeito que ele imaginava e Miguel começou a ter receio de errar.

 “Fiquei na tangente até ser demitido”, admitiu. Nos últimos anos, Miguel parou de desenhar. Eventualmente, quando percebe uma ocasião 
adequada, publica um trabalho. 

O cartunista não escondeu o desejo de que Radical siga sua jornada nas mãos de uma mulher. “Se souberem de alguma, me avisem”, brincou
Ao comentar as curiosidades em torno do sucesso da Radical Chic, Miguel contou estranhar quando as pessoas 
dizem que ele tem alma feminina. 

“Por que uma pessoa com alma masculina não pode entender, respeitar e valorizar as mulheres?”, questionou.

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Miguel foi um dos primeiros cartunistas a abordar questões de gênero, sexualidade e ecologia. “No livro dos recordes, vou precisar de um capítulo inteiro”, brincou. Citou a série Happy days, história de uma família classe média baixa com pai sindicalista, mãe dona de casa, filha feminista e menino que queria ser bailarino. “Foi muito divertido fazer esse trabalho, mas ele causou certa estranheza, pois os homens não gostavam de se expor ou de ver homem lidando com essas questões”, revelou.

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Dias antes do Sempre um Papo, Miguel comemorou 18 anos de relacionamento com Angela Vieira. A atriz, segundo ele, foi responsável pelo start do projeto de suas memórias. Angela o ajudou a compreender o universo feminino. Além disso, deu a ele um presente valioso, fundamental para o projeto. 

“Diante do caos do meu arquivo, com mais de 10 mil desenhos, fora revistas e livros, ela contratou uma pessoa para organizar, catalogar e higienizar todo o material. Aquilo foi espetacular. Quando comecei a fazer o livro, sabia onde ir. Tanto que o dediquei a Angela.”



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