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Estado de Minas HIT

Tese aborda o papel histórico das capelas de antigas fazendas de MG

Nos séculos 18 e 19, espaços devocionais domésticos se tornaram força auxiliar da Igreja Católica, afirma o arquiteto David Prado Machado


postado em 05/08/2019 04:00 / atualizado em 04/08/2019 16:55


 
 
BANCA DE DOUTORADO
PRIVATIZAÇÃO DA FÉ

Depois de quatro anos de pesquisas, o arquiteto David Prado Machado (foto) defenderá a tese de doutorado “A privatização da fé: capelas domésticas nas Minas Gerais dos séculos 18 e 19”. A banca está marcada para terça-feira (6), na Casa do Baile, na Pampulha. Em seu trabalho, que teve como orientador o professor André Guilherme Dorneles Dangelo, Davi analisou capelas das fazendas mineiras dos anos 1700 e 1800. “Elas não foram apenas espaços de devoção pessoal, mas se tornaram uma força auxiliar das igrejas paroquiais”, afirma o pesquisador.

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David Machado explica que, no século 18, o bom cristão deveria assistir à missa aos domingos, obrigação religiosa rigorosamente cumprida. “A distância que separava os moradores do campo das igrejas matrizes corroborou para que capelas das fazendas se tornassem verdadeiras sucursais das paróquias. Além das missas dominicais, em algumas delas eram administrados os sacramentos do batismo e do matrimônio. Várias contavam com cemitérios anexos”, informa.

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O arquiteto pesquisou documentos manuscritos dos séculos 18 e 19 em arquivos mineiros (Arquidiocesano de Mariana; Arquidiocesano de Belo Horizonte; Museu do Ouro/Casa Borba Gato, em Sabará; Casa do Pilar, em Ouro Preto; e Tribunal de Contas, em Belo Horizonte) e portugueses (Nacional da Torre do Tombo e Histórico Ultramarino, em Lisboa; Distrital, em Braga; e Arquivo Municipal de Guimarães). David vasculhou registros de batismos, matrimônios e óbitos, testamentos, inventários e licenças eclesiásticas.
 
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Na Europa, ao contrário do que ocorreu em Minas, o batismo e o matrimônio eram extremamente raros em capelas domésticas, enquanto sepultamentos se tornaram praticamente inaceitáveis, informa Machado. “No Brasil, além de prestar o devido amparo espiritual aos moradores do campo, as capelas das fazendas deveriam estar equipadas com todo o aparato litúrgico necessário ao culto cristão, inclusive imagens e altares, muitas vezes executados por artistas renomados como Aleijadinho, Francisco Vieira Servas e João Nepomuceno Correa e Castro”.

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Outras fontes da pesquisa foram a New York Public Library e a Frick Collection do Metropolitan Museum of Art, nos Estados Unidos. Com bolsa concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian, David passou três meses em Portugal sob a orientação do historiador e arqueólogo Eduardo  Pires de Oliveira, da Universidade de Lisboa.

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