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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Moniquinha do Bento: uma cruzeirense inspiradora

'Fiquei fascinado com a força daquela mulher à minha frente. Desde ali, não quis desgrudar dela nunca mais na minha vida. Deu certo'


08/12/2021 04:00 - atualizado 08/12/2021 09:23

Mônica dos Santos
Mônica dos Santos, a Moniquinha do Bento (foto: Arquivo pessoal)

No pior momento da vida dela, a gente se tornou amigo. Daqueles de querer abraçar bem apertado toda hora. “Meu quarto era todo enfeitado de Cruzeiro.” Ela me contou em frente à Casa de Cultura, em Mariana, me mostrando fotos no seu telefone celular, envolto numa capinha com o escudo do time do coração. Foi o nosso primeiro encontro.

Poucos dias antes, a casa de Mônica dos Santos, o bar de sua tia, a vizinhança, todo o subdistrito de Bento Rodrigues e as memórias de seus moradores foram destruídos pelo mar de lama vindo do rompimento da barragem de Fundão, propriedade das mineradoras Samarco/BHP/Vale, que só em 5 de novembro de 2015, primeiro dia do crime, matou 19 pessoas.

Fiquei fascinado com a força daquela mulher à minha frente. Desde ali, não quis desgrudar dela nunca mais na minha vida. Deu certo. A primeira roda de prosa (de cachaça, torresmo, dobradinha e risadas), no Bar do Carlão, foi para marcar o fato de nos tornarmos colegas de trabalho. Eu e Moniquinha fizemos parte do grupo criador do Jornal A Sirene, naquela época, janeiro de 2016, um veículo de comunicação – genuinamente – dos atingidos pelo crime do rompimento da barragem de Fundão.

Deixamos o Jornal A Sirene algum tempo depois, mas mantivemos uma cumplicidade pura e um carinho gigante um pelo outro. Fizemos um filme juntos com os Loucos por Bento; dividimos ações de comunicação por justiça e reparação; escrevi uma crônica em homenagem a ela chamada “O último gol do Cruzeiro no Bento”, que faz parte do livro “O time do povo mineiro”; vivemos dois títulos da Copa do Brasil e algumas dores com o nosso Cruzeiro; nos falamos sempre para matar a saudade que a distância e o tempo sempre fazem crescer. “Manda um beijo para a Maria.” Eu sempre pedia a ela ao final de nossas conversas, porque a mãe da Moniquinha se tornou meu xodó desde os tempos em que me chamava de “professor” nas nossas Reuniões de Assuntos, como batizamos as reuniões de pauta do Jornal A Sirene.

Mulher segura garrafa de cachaça
Moniquinha e a garrafa de cachaça do Cruzeiro, o troféu que ergueu depois de mais uma batalha vencida (foto: Arquivo pessoal)


Passaram-se seis anos daquele primeiro encontro na porta da Casa de Cultura. Moniquinha se fez uma das pessoas mais inspiradoras do mundo. Graças a ela, jamais me calei quanto à missão de ser um comunicador atuante na luta por justiça no caso do crime cometido contra milhares de atingidos, principalmente os de Bento Rodrigues, onde passei alguns dias da infância e da adolescência.
Ontem, mesmo de longe, reencontrei minha amiga. Emocionado, assisti à defesa de seu trabalho final de graduação na banca da faculdade de direito. Moniquinha se formou com a nota máxima, “com louvor” e cercada por pessoas, que ao longo de sua trajetória, ela própria cativou.

Chorando de emoção no meu canto, eu vi uma mulher foda se derramar em sorrisos e gratidão. Como um troféu, ela levantou a garrafa de cachaça com o escudo do Cruzeiro e deu um suspiro de batalha vencida.

Ela seguirá firme. O crime da barragem da Samarco/BHP/Vale se RENOVA há seis anos, mas nada nos cala. Um brinde, companheira! Voa, Moniquinha!

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