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Estado de Minas DA ARQUIBANCADA

Nossa arte é ser o campeão do improvável. Vai dar Galo!

Contra os juízes, a matemática e os rivais que eram tidos como favoritos, o Atlético vai atropelar na reta final pelo título brasileiro


09/01/2021 04:00 - atualizado 08/01/2021 23:38

Mesmo que os pessimistas não acreditem, gol do título do Brasileirão será de Tardelli, aos 50 do segundo tempo(foto: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A PRESS %u2013 3/3/20)
Mesmo que os pessimistas não acreditem, gol do título do Brasileirão será de Tardelli, aos 50 do segundo tempo (foto: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A PRESS %u2013 3/3/20)


Assim como é inócuo dizer a um bolsonarista “eu avisei”, nada quer dizer o fato de o analista ter dito o que disse. Ainda assim, se me permite o raro leitor, sim, eu avisei. E eu também disse, conforme o último parágrafo da encíclica última da Igreja Universal do Reino do Galo: “Como um Pai Dinah, afirmo: seremos campeões. O São Paulo desandará a partir da desclassificação para o Grêmio na Copa do Brasil. O Flamengo ficará no cheirinho. Tardelli fará o gol do título – aquele que só ganharemos assim, aos 50 do segundo tempo, na última rodada, depois de a bola bater no travessão e em ambas as traves, rolar pela linha e oferecer-se a Dom Diego”.

O atleticano, homo atleticanus, é uma criatura bastante peculiar. Entre suas idiossincrasias está um certo otimismo pessimista, ou um pessimismo sempre otimista. São ateus plenos da fé mais poderosa que se pode ter. E, quando crentes, aprendem a dizer: “Eu não acredito que isso possa estar acontecendo”. Junta, essa massa disforme é capaz de remover montanhas. Não é milagre, é Atlético Mineiro.

Confio no título, eu juro, e acho mesmo que ele virá. E confio nisso justamente por ter passado a desconfiar. O atleticano não ganha de véspera. A gente ganha quando a derrota parece inevitável. “Treino é treino, jogo é jogo.” A gente é o Leo Silva e a parábola improvável que aquela bola preenche, aos 42 do segundo tempo. Nós somos o Guilherme, desacreditado, depois daquele apagão. O Cuca teve a coragem de tirar o Tardelli pra colocar o Guilherme. Ninguém acreditou, ainda que tenhamos inventado, minutos antes, no escuro do estádio, o nosso melhor mantra: “EU A-CRE-DI-TO! EU A-CRE-DI-TO!”. Claro que ele faria o gol. Aos 52 do segundo tempo. É muito nóis.

Há algumas semanas, já incorporado o Pai Dinah, eu disse que o Galo seria campeão apenas se perdesse para o São Paulo. Aqueles que tinham o duelo como final de campeonato não conhecem o Atlético. A gente tinha que perder, e do jeito que foi, para que o título ficasse impossível – e, sendo impossível, se tornasse possível. Era óbvio e ululante, não precisa ser conhecedor de futebol nem Pai Dinah.

Cá estamos, pois, a sete pontos do São Paulo e um jogo a menos. Chegou a nossa hora. Daqui pra frente, toda a sorte de estranhezas nos favorecerá. Não conte com o juiz. Confie nos gols espíritas, nas parábolas improváveis, no Deus desligando o disjuntor. O Flamengo já foi. O Inter parece apenas um penetra entre os três primeiros, embora tenha vencido as quatro últimas. No São Paulo, um lá se atrasou para o treino, o outro é “ingrato” e “mascaradinho”. Só não vamos soltar foguetes porque houve o primeiro caso de COVID entre os são-paulinos. Soltemos um traque.

Para fazer justiça ao otimismo pessimista do atleticano, recorro a uma imagem recebida em meu WhatsApp, vinda de outro atleticano: trata-se de um queijo, uma faca e uma mão. O Atlético estaria com a faca e o queijo na mão. A faca, contudo, está partida ao meio – o cabo na mão e a serra enterrada naquele reluzente canastra. É muito nóis, não se pode negar. De modo que todo o cuidado é pouco. Devagar com o andor, e pau na máquina.

Quando entrar em campo na segunda-feira, contra o Bragantino, o Atlético estará iniciando uma nova era. Saiu Alexandre Mattos e chegou Rodrigo Caetano. Saiu Sette Câmara e chegou Sérgio Coelho. Saiu o que restava da turma do Kalil, e sentaram praça os 4R, Rubens e Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador. Sampaoli fica. Ao analisar o novo time, um amigo atleticano me diz que o Galo está preso no Dia da Marmota. Um outro está convicto de que seremos o maior time do mundo. A qualquer momento, o primeiro pode passar a pensar como o segundo, e o segundo como o primeiro. É nóis.

Boa sorte a quem chega, obrigado a quem vai. Galo sempre!

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