Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas COLUNA

Mulheres pagam caro por erros que não cometeram

'Mulheres se odiando por causa de um homem. Mulheres seguem sendo punidas. Seja por denunciar um abuso ou por defender o marido'


20/03/2022 04:00 - atualizado 20/03/2022 07:53

Ilsutração
(foto: EM/D.A PRESS)

Nesta semana, morreu a nutricionista Ilana Kalil, esposa do ginecologista Renato Kalil. Ilana foi encontrada morta em sua casa, em São Paulo. O caso foi registrado como suicídio. Imagine o que Ilana estava passando nesses últimos meses. Sendo julgada por atitudes do marido, que, muito provavelmente, ela desconhecia?
 
Em dezembro passado, Renato foi acusado de violência obstétrica no parto da filha caçula de Shantal Verdelho. Depois daquela denúncia, outras pacientes e funcionários acabaram denunciando o médico por violência sexual ou violência obstétrica. 
 
Ilana chegou a sair em defesa do marido, compartilhando, em suas redes sociais, diversas mensagens de apoio de ex-pacientes do médico. Ilana Kalil tinha 40 anos e deixa duas filhas, mais duas vítimas dessa história triste. Ilana vinha sendo atacada por haters por algo que não era responsabilidade dela. O pecado dela: ser casada com o homem acusado de abusos contra mulheres.
 
Shantal também vem sendo atacada por denunciar um abuso que sofreu. A vítima sendo culpabilizada. O pecado dela: denunciar a violência obstétrica. E agora sendo responsabilizada também pela morte da outra. Não, Shantal, você não tem culpa de nada, você é mais uma vítima. Uma vítima que teve coragem de denunciar para que outras mulheres não passem pelo que você passou.
 
Mulheres se odiando por causa de um homem. Mulheres seguem sendo punidas. Seja por denunciar um abuso ou por defender o marido. E quem mais ataca essas mulheres? Outras mulheres.
O que nos leva a odiar nossas iguais?
 
Somos treinadas para não ter opinião própria, assim é mais fácil obedecer ao pai, e depois ao marido. Somos treinadas para precisar de homem para amar e obedecer. 
 
Adestradas, passamos a odiar outras mulheres. Especialmente aquelas que denunciam abusos, violências cometidas por homens. As feministas.
 
A mulher acorrentada se sente livre quando expõe todo o seu recalque nas mídias sociais. Julga. Ofende. Xinga. Se ofende com a liberdade alheia. Odeia tudo o que não consegue ser. Uma sombra tentando apagar a luz que a cerca.
 
Às vezes ela consegue.
O discurso de ódio é nocivo. Lidar com haters não é nada fácil. Discurso de ódio mata até a vontade de viver.
 
Ser humano é podre por dentro. Do lado de fora a gente mostra o que tem de melhor. No fundo ninguém é boa pessoa. Mas alguns deixam o que está no fundo, bem no fundo. Outros trazem o mal para a superfície.
 
Não desconte suas frustações nos outros. Olhe para dentro de si mesma. Não seja a pessoa que espalha o ódio. Quando você faz isso, está apenas expondo o que tem aí dentro. Sua fala diz muito sobre você. E não diz nada sobre o outro.
 
Sinto muito, Ilana, está mesmo difícil lidar com tanto ódio num momento tão pesado para você.
Sinto muito, Shantal, você não tem culpa de nada, você também é vítima nessa história.
Está sendo atacada por haters? Bloqueie, ninguém é obrigado a agradar a todo mundo, nem é obrigado a aguentar ofensas e desaforos. 
 
Não seja essa pessoa que destila ódio nas redes sociais. Não concorda com os posicionamentos de uma pessoa, não a siga, ou argumente com educação.  Ninguém merece pagar pelos erros dos outros. 

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade