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Estado de Minas PADECENDO

Das mentiras que contam pra gente

Mãe ama os filhos, pode amar ter filhos, mas o pacote completo da maternidade pode ter um peso muito maior do que estávamos preparadas para carregar


(foto: Depositphotos)
(foto: Depositphotos)

Era uma vez uma princesa que foi salva por um príncipe, se casou e...

Basta ter nascido menina para terem colocado essa história na sua cabeça. Vou te contar um segredo: a única parte verdadeira é o “era uma vez”. Depois do tal do príncipe encantado, a maior mentira que contam para gente é que mulher foi feita para ser mãe.

É verdade que a gente tem o corpo projetado para produzir neném. A gente fornica, o espermatozoide encontra o óvulo, a gestação acontece. Durante umas 40 semanas, aquele pequeno ser vai ficar na sua barriga, se alimentando do que você come, sendo nutrido por você. E vai ser emocionante sentir o primeiro chute e ver as imagens do bebê no ultrassom.

Ah, a gravidez! Tirando os enjoos, os gases, a azia, as espinhas e uma ou outra dezena de intercorrências, é tudo perfeito!

E a gente estuda tudo sobre gravidez e parto, aprende a trocar fralda. Faz curso de amamentação, curso para curar umbigo. Depois descobre que isso era o básico para a sobrevivência do bebê, mas que ser mãe e pai vai muito além disso. E não, a gente não nasce sabendo.

Mulher não foi feita para ser mãe, a gente aprende a duras penas, na prática.

Meu filho nasceu há quase 12 anos, e, se eu fosse fazer uma prova hoje, depois de todos esses anos aprendendo, eu seria reprovada. Se fosse uma faculdade eu teria que repetir várias matérias. Eu errei tanto!

O pior é que a gente começa errando, jurando que está fazendo o certo. É como se eu acordasse preparada para fazer uma prova de ciências, e chegando na escola descubro que a prova é de matemática.

Um dia, a pediatra fala que está na hora de complementar as mamadas com fórmula; no ano seguinte, você se sente enganada porque descobre que aquilo era totalmente desnecessário. Um dia, você acha que teve o parto normal dos seus sonhos, no outro descobre que sofreu violência obstétrica.

E não melhora conforme eles crescem. Chega um momento em que você começa a ser chamada para reuniões com a coordenadora da escola só para ela jogar na sua cara tudo o que ela, que não tem filhos, acha que você está fazendo de errado.

Deixa o trabalho, vai ficar em casa se dedicar mais à maternidade. Lê tudo sobre disciplina positiva, educação não violenta. Participa de workshops, seminários. Aprende um pouco sobre nutrição. Chega em casa e perde o controle. Começa a gritar porque está cansada demais para colocar toda aquela teoria em prática. Quantas vezes a gente vai surtar até atingir a zenitude materna?

Nasce um filho, mas a mãe não nasce no mesmo instante. O instinto materno não se incorpora em você do dia para a noite. A gente precisa ir construindo a mãe que existe em nós. Mesmo quando, no meio do caminho, a gente entende que maternidade não é essa plenitude toda.

Mãe ama os filhos, pode amar ter filhos, mas o pacote completo da maternidade pode ter um peso muito maior do que estávamos preparadas para carregar. Tem hora que a gente pensa: onde fui amarrar minha égua! E isso não diminui o amor que você sente.

Toda mulher nasceu para ser mãe. Grande mentira. Nem toda mulher nasceu para ser mãe. Maternidade deve ser escolha, e não uma imposição. E viveram felizes para sempre

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