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Estado de Minas PADECENDO

Casamento x confinamento

'Vamos tentar aproveitar este momento de caos para criar um mundo mais democrático e com mais equidade entre homens e mulheres. E esse futuro começa em casa'


postado em 29/03/2020 04:00

Estamos há poucos dias em confinamento e as reclamações das mães não param de pipocar. Crianças sem aula, pais fazendo home office, escola mandando atividades que os pais têm que gerenciar, e o que acontece?

As mães se dividem entre cuidar da casa, administrar os filhos, fazer home schooling, cozinhar e ser produtiva no home office. Enquanto a maioria dos maridos se tranca em algum canto com o computador e não colabora com nada em casa.

Tenho que contar que quem lava a louça aqui é ele, que também saiu para fazer supermercado, pendurou roupa no varal. Se eu não conto ele acha que eu não vejo. Mas a verdade é que, na maior parte das casas do nosso país, a carga vai para a mãe. Mesmo aqui, apesar de haver mais equilíbrio, quem vocês acham que administra as atividades escolares e aguenta o chamado eterno: “Mãe, mãe, mãe!”?

Hoje mesmo, já vi mulheres reclamando que o marido está em casa, mas não faz nada e argumenta: ‘Neste horário eu não estaria aqui’. Assim, então a esposa e os filhos têm que fingir que ele não está lá. Na hora de almoçar ele está, mas quando tem que lavar a louça do almoço ele já entrou no portal para o escritório.

O resultado disso é aquela sobrecarga materna multiplicada por dois, somada ao estresse dos boletos que continuam chegando, o medo do colapso da saúde e de uma crise financeira. Essa matemática tem tudo para fechar como na China, com o número de divórcios subindo após o término do confinamento, mostrando que proximidade demais pode ser prejudicial ao relacionamento.

E tem outra questão muito séria, a violência doméstica, que subiu na China e vem subindo na Espanha e em outros países que adotaram o isolamento como medida preventiva para achatar a curva de disseminação do coronavírus.

Mulheres e crianças passam a ficar mais tempo expostos ao seu agressor. Esse efeito colateral do lockdown é tão preocupante que está levando países como Espanha e França a ampliar o combate a esse tipo de violência, criando canais de comunicação alternativos, uma vez que fica difícil a vítima ligar para a polícia se o agressor está com ela durante todo o dia.

Precisamos ficar atentos a isso aqui no Brasil, ampliando os serviços de atenção à mulher e à criança. Lembrando que 90% dos casos de violência sexual contra crianças acontecem no ambiente familiar e que, em média, uma mulher é assassinada a cada sete horas no Brasil por ser mulher (feminicídio).

O que fazer para passar por esse período de confinamento sem enlouquecer?

A gente sabe que saúde mental é fundamental em um momento como esse. E que todas essas mudanças em um espaço tão curto de tempo são difíceis. Leva tempo para nos adaptarmos.

Vale fazer uma reunião de família e definir as tarefas de cada um em casa. Crianças podem ajudar a tirar a poeira, lavar louça, fazer um bolo, colocar roupa na máquina de lavar. Marido pode lavar banheiro, ajudar a fazer o almoço, varrer a casa, acompanhar a lição diária se a escola estiver enviando. Combinado não é caro! Quando a gente divide as tarefas, tem mais tempo para colocar o trabalho em dia. Dividindo as tarefas ninguém fica sobrecarregado.

E tem hora, amiga, que a gente tem mesmo que abstrair e fingir demência – deixa a casa bagunçada, deixa as crianças montarem barraca no meio da sala, deixa um pouco de poeira acumular.

Muita calma nessa hora, estamos todos no mesmo barco, mas uns têm, sim, mais privilégios que outros. Vamos tentar aproveitar este momento de caos para criar um mundo mais democrático e com mais equidade entre homens e mulheres. E esse futuro começa em casa.

Casamento que superar confinamento supera qualquer coisa. Tenho certeza de que nada será como antes quando isso tudo passar. Sejamos a mudança que queremos para o mundo, começando agora. Tenha fé!

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