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Estado de Minas PADECENDO

Momcation - tempo sem marido e sem filhos

'Acredito que o caminho começa por nos livrarmos da culpa que nasce junto com o filho. Ter mais tempo para nós, para o autocuidado'


postado em 12/01/2020 04:00

(foto: Depositphotos/reprodução)
(foto: Depositphotos/reprodução)

 

 Só me dei conta do peso da carga mental diária sendo mãe nos últimos três dias quando, pela primeira vez em 10 anos, meu marido e meu filho viajaram e eu fiquei. Depois até descobri que essas férias têm nome: momcation (mom + vacation) e tem sido recomendada por psicólogos.

 

Confesso que até algumas horas depois de eles saírem para pegar o voo eu ainda estava chateada por não poder ir. Comecei a arrumar a casa, lembrei-me de que precisava almoçar. Sozinha. Não precisava fazer comida, poderia ir comer em qualquer lugar sem pedir opinião para ninguém. Nem quis chamar uma amiga para me fazer companhia, porque teria que definir lugar e horário.

 

Nunca tinha me sentido confortável fazendo coisas assim sozinha, tipo ir almoçar num restaurante ou ir ao cinema. Estava certa de que ia ficar em casa fazendo maratona de uma série qualquer na TV.

 

Caminhei até um lugar onde estava acontecendo um evento sobre câncer de mama, era outubro, semana das crianças. Almocei e fui fazer aula de automaquiagem para pacientes oncológicas, participei do bate-papo sobre maternidade e câncer de mama. Conheci pessoas muito legais que também passaram pela experiência do diagnóstico e tratamento. Troquei experiências. No dia seguinte, a mesma coisa, almocei sozinha, procurei atividades culturais, assisti a show de jazz, caminhei vendo o movimento da rua.

 

Me, myself and I.

 

Dias comprometida comigo. A maior pausa que tive da tarefa de ser mãe em 10 anos. Claro que conversamos por vídeo todos os dias, mas sem aquela carga de ter hora pra sair, pra voltar, pra lembrar de escovar dentes, ou avisar que tá na hora de dormir, ou me preocupar se almoçou bem, se fez a tarefa... aquela carga mental que ninguém vê, mas que suga nossas energias. Preciso fazer isso mais vezes!

 

Imersão na paternidade

 

Em dezembro, veio outra constatação libertadora. Nossa semana viajando de férias – marido, filho e eu. Sem hora marcada para nada. Só fazendo passeios. Sem ter que pensar no café da manhã, porque já tinha tudo pronto no hotel. Sem hora para almoçar ou jantar. Para mim estava uma maravilha, mas para o marido...

 

Ele é um paizão, mas sai de casa cedo e volta à noite. Não acompanha nossa rotina. Nada como uma imersão na paternidade 24 horas por dia para vir aquele choque de realidade. Mesmo que seja a versão light da coisa. Confesso que sinto um prazer sádico quando o vejo sentindo na pele o que eu sinto todos os dias.

 

A gente conta, mas eles não têm muita noção da dimensão do que é a rotina. Não dá para imaginar como uma tarefa de casa de uma página pode levar duas horas para ficar pronta. Ou como pode demorar mais de 30 minutos entre o tempo que você chama para sair para um compromisso e você conseguir sair de casa com a criança. Ou como foi que, até hoje, a criança não entende que existe um tempo entre sair de casa e chegar ao compromisso e que o elevador do prédio não tem um sistema de teletransporte que te leva de casa para o endereço do dentista com o apertar de um botão.

 

Tem muito pai que, depois de alguns dias de férias com a família, fica louco para voltar ao trabalho para descansar. Rotina em família cansa, cansa muito!

 

Por mais que a gente tente equilibrar a balança da parentalidade, ela sempre acaba pesando para o lado da mãe, salvo raras exceções. “Você sempre será julgada um nível acima” – fala da personagem de Laura Dern, de História de um casamento. Cabe a nós procurar soluções para equilibrar essa equação. Acredito que o caminho começa por nos livrarmos da culpa que nasce junto com o filho. Ter mais tempo para nós, para o autocuidado. Delegar. Eu sei que é muito difícil, mas precisamos de momcation. Nossa saúde mental agradece!

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