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Lidar com o câncer é mais fácil do que com a depressão

Se você conhece alguém com esses sintomas, seja gentil, escute, ajude a encontrar um profissional competente para que ela se trate'


postado em 05/01/2020 04:00 / atualizado em 05/01/2020 09:39

(foto: Depositphotos/reprodução)
(foto: Depositphotos/reprodução)
Não sei dizer o número de mães com depressão que conheci nos últimos 10 anos. Eu sou uma delas. Quem tem ou já teve depressão sabe como é difícil lidar com a doença, em 2016 fui diagnosticada, medicada e melhorei, tive alta. Quando recebi meu diagnóstico de câncer, no início do ano passado, comentei com amigas que era bem mais fácil lidar com ele do que lidar com a depressão.

Todo mundo entende que câncer é uma doença. Com depressão é diferente, nem eu mesma conseguia acreditar que aquilo melhoraria com medicamentos. Mas procurei ajuda e, sim, melhorou. Ela voltou em novembro, e eu voltei ao tratamento.
 
O câncer é uma coisa que está em você, e que pode te matar. Mas você se sente vivo.
Eu me sinto morta, apesar de estar viva, quando tenho crises de depressão. Não é o dia todo, não é todo dia. Mas é tudo arrastado. Tudo sem cor. Sem vontade. Sinto frio. Um frio de dentro para fora. Não é um frio do ambiente. É meu.
 
Eu perdia o sono à noite e tinha dificuldade para respirar. Ansiedade. Medo. Em muitos momentos eu queria não estar viva. Ao mesmo tempo, acreditava que aquela sensação iria comigo se eu morresse. Talvez por isso eu tenha entendido que precisava resolver aquilo ali, naquele momento.
Ninguém entende o que é ter depressão. Ou como a pessoa é capaz de sorrir e fazer piada quando está com depressão.
 
No começo, eu ficava muito irritada com as pessoas. Surge uma agressividade, isso também é sintoma de depressão. Nem sempre o sintoma é apatia ou tristeza.
Dizem-me para ser forte. Uso todas as minhas forças para respirar.
Dizem para me segurar em Deus, como se fé bastasse. Ou como se a culpa fosse de uma suposta falta de Deus no coração.
 
Respirar dói.
Meu corpo treme.
As lágrimas descem. Quero me afogar nelas.
Não sei por que choro. Não tenho motivos.
Parece que meu corpo pesa toneladas. Arrasto-me. Faço tudo que tenho que fazer, mas o esforço para isso é gigantesco.
Eu estou quebrada. Desmanchei-me em mil caquinhos.
Existe alguma cola que junte tudo de novo?
Comecei a fazer terapia, voltei ao meu psiquiatra, voltei a tomar o medicamento. Voltei à vida. Fiquei leve. Alegre. Demorou umas semanas entre o início do tratamento e os efeitos aparecerem, é preciso ter paciência. Mas passa.
 
Recuperei a alegria de viver com um comprimido diário. Algumas sessões de terapia. Meditação diária e a prática do Ho’oponopono (prática havaiana antiga, com vista à reconciliação e ao perdão). Sinto o ar enchendo meus pulmões sem me sufocar. Sinto a vida.
 
Se você está com sintomas de depressão, saiba que muitas pessoas se sentem assim, você não está sozinha! Existem medicamentos. Essa dor passa. A alegria volta. Procure ajuda!
 
Se você não sabe o que é se sentir assim, agradeça. Mas não julgue quem sente. A depressão nos fecha em um universo de falta de esperança e de dor. Nosso corpo falha na produção de substâncias no sistema nervoso gerando essa falta de alegria, de prazer, de energia. Isso não significa que a pessoa deprimida é fraca ou não tem Deus no coração. Se você conhece alguém com esses sintomas, seja gentil, escute, ajude a encontrar um profissional competente para que ela se trate.
Quando você tem câncer você vai ao médico, quando você tem depressão você deve fazer a mesma coisa. Encontre um psiquiatra, ele vai indicar a melhor medicação para o seu caso. Depressão é doença. Para doença existe tratamento.
Depressão tem cura.

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