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O dilema do filho único

Algumas pessoas dizem que é egoísmo ter filho único. Isso depende mesmo do seu ponto de vista


postado em 10/12/2019 06:00 / atualizado em 09/12/2019 20:06

A sociedade sempre nos cobra o segundo filho(foto: Pixabay)
A sociedade sempre nos cobra o segundo filho (foto: Pixabay)
Tenho um filho só, foi uma escolha que eu e meu marido fizemos antes de tê-lo. E uma escolha que fazemos todos os dias. Seguimos firmes na decisão que foi a melhor para a nossa família. Uma escolha difícil, todo casal que tem um filho vive o dilema do filho único.
 
A sociedade sempre nos cobra o segundo filho:
 
“Não vai dar um irmão pra ele?”
 
“Quando vem o segundo?”
 
Quando decidimos ter um filho só, o principal motivo era que o mundo já tem gente demais. Ter filho não é sustentável. Depois que ele nasceu e ter filho se tornou algo concreto, várias outras razões para não ter o segundo surgiram. 
 
Algumas pessoas dizem que é egoísmo ter filho único. Isso depende mesmo do seu ponto de vista. O mundo não comporta tanta gente, estamos acabando com os recursos naturais e é uma decisão consciente, racional e não egoísta. 
 
A questão financeira é um ponto muito importante, talvez o mais importante para os pais de hoje. Um filho custa muito dinheiro. Com um só é mais fácil ter acesso à escola particular, a cursos extracurriculares, ter plano de saúde, morar melhor, sobrar dinheiro para lazer.
 
A gente sabe que o amor pelos filhos se multiplica, sempre cabe mais um no coração de mãe. Mas os boletos também multiplicam, e fechar essa conta já é mais difícil.
 
Se eu queria muito ser mãe, o filho único já me realiza plenamente. Me ensina, me cansa, me levanta, me faz mudar. E não tem nada de egoísta, ser mãe é se desdobrar, se doar.
 

Uma escolha, uma renúncia

Um estudo de uma Universidade na China mostrou que filhos únicos são mais criativos, mas são menos preocupados com os outros. Outro estudo, de uma universidade dos EUA mostrou que, quanto mais filhos, menores as suas notas na escola.
 
Irmãos
 
Irmão não é presente. Você não tem um segundo filho porque seu primeiro filho quer um irmão. Você tem o segundo filho porque você quer outro filho.
 
Não tem documento que garanta que irmãos vão se dar bem. Não tem documento que garanta que, na sua velhice, os filhos vão dividir os cuidados com você. 
 
Maternidade atípica
 
Tenho amigas, mães de crianças atípicas que resolveram não ter o segundo devido ao risco. Embora ser mãe de filho único seja uma questão encerrada para mim, hoje eu também penso muito nos riscos de ter um filho com problemas de saúde. Ou com problemas de desenvolvimento. Conheço tantas mães que passam por isso e sei como é difícil para elas.
 
Amo muito esses pequenos que precisam superar tantos obstáculos, faço o que posso para abrir-lhes portas. Para buscar uma sociedade mais inclusiva. Sabemos de todo o esforço extra que uma criança fora do padrão exige os pais. Conheço as batalhas diárias de amigas muito amadas. Eu sei tudo que elas mudaram em suas vidas para cuidar de filhos autistas, filhos com paralisia cerebral, filhos com síndrome de down, filhos com alergia alimentar severa. 
 
Sabemos que o amor supera tudo, mas é difícil, racionalmente, querer passar por tudo isso. Mais difícil ainda, conhecendo as estatísticas de abandono paterno, quando o filho tem alguma deficiência grave. Como não entender a amiga que não deseja correr o risco? Empatia, amigos, é fundamental.
 
E quando dizem para elas terem outro filho para que ele possa cuidar do primeiro? Escolhas são muito pessoais, mas não é um peso muito grande para se colocar nas mãos de uma criança?
 
Amor
 
Decidi, há anos, que, se um dia eu mudar de ideia e quiser ter mais um filho, ele virá por adoção. Nenhuma criança está preparada para ser órfã, se for para eu ter mais um, a via de parto será essa, buscar uma criança que esteja esperando por uma família.
 
A minha escolha pode ser diferente da sua, isso não importa. O importante é que cada um respeite a escolha do outro. Um filho, ou uma dúzia de filhos, o importante é que sejam muito amados.

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