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É preciso lutar e enfrentar o etarismo

Enfrentar a discriminação etária exige uma nova compreensão do envelhecimento por todas as gerações sobre essa fase da vida


21/06/2021 04:00


Semana passada, escrevi aqui sobre postagens na internet e citei um post da Cris Guerra sobre etarismo. Semanalmente, me reúno via Zoom com um grupo de amigas, a maioria delas na faixa acima dos 50, e acabei tocando no assunto. Fiquei impressionada, porque apenas uma delas sabia o que era etarismo. Por isso, decidi escrever sobre o tema, que, na minha opinião, precisa ser bastante divulgado.

Etarismo: preconceito às idades que pode assumir muitas formas, desde atitudes individuais até políticas e práticas organizacionais que perpetuam a discriminação etária.

Coincidentemente, recebi um amplo material sobre o assunto de Marília Gersely, head de planejamento da MCM Brand Experience, que vai ajudar a explicar como surgiu toda essa história. O termo etarismo (ageism) foi utilizado pela primeira vez pelo gerontologista Robert N. Butler, nos Estados Unidos, para descrever a discriminação contra adultos mais velhos. No entanto, o conceito evoluiu para ser frequentemente aplicado a qualquer tipo de discriminação com base na idade, envolvendo preconceito contra crianças, adolescentes, adultos ou idosos.

Apesar de se referir a qualquer tipo de idade, o mais praticado é contra o idoso, que é tido como peso para a maioria da sociedade, que ainda encara o envelhecimento como problema, e o governo brasileiro alega que o sistema previdenciário não será sustentável ao longo dos próximos anos. Segundo o IBGE, no Brasil, 13% da população tem mais de 60 anos, sendo que a partir de 2031 haverá mais idosos do que crianças e adolescentes. Em 2042, essa faixa etária alcançará o número de 57 milhões de brasileiros.

Enfrentar a discriminação etária exige uma nova compreensão do envelhecimento por todas as gerações sobre essa fase da vida. Precisamos eliminar os conceitos desatualizados de pessoas mais velhas como fardos e reconhecer a diversidade da experiência da velhice e as desigualdades do preconceito etário.

Os mais novos precisam entender que idade agora é apenas um número. As pessoas com mais idade continuam sendo produtivas. Atualmente, as empresas estão abrindo vagas exclusivas para maiores de 50 anos. A experiência acumulada pode agregar muito para a organização, e esse tema foi muito bem representado no filme “Um senhor estagiário”, com Robert De Niro e Anne Hathaway.

É claro que tem pessoas mais velhas que pararam no tempo, se recusam a aprender a lidar com a tecnologia, não se atualizam e nem se reciclam. Outros estão debilitados por questões de saúde; porém, a grande maioria das pessoas acima dos 50 anos é totalmente ativa, participativa, entendida de tudo o que acontece no país e no mundo, com uma grande vantagem sobre os mais novos: têm conteúdo histórico, pelo estudo e pela vivência. Isso é um rico valor que pertence apenas aos mais velhos, e bobo é aquele que desperdiça isso. Empresas de sucesso fazem questão de manter em seu quadro funcionários de diversas faixas etárias.

Segundo Marília, no dia a dia do trabalho, dentro da agência em que atua, está no DNA defender a pluralidade, diversidade e inclusão e alinhar com os propósitos dos clientes. “É um olhar de igualdade para todas as pessoas, não importa a idade, origem ou etnia. Nos trabalhos de casting, buscamos sempre oferecer um público diverso e selecionar pelo desempenho, simpatia e comunicação. Em todos os eventos híbridos é incluída a tradução em libras, e são esses detalhes que trazem o diferencial, não apenas dizer, mas praticar.”

Para combater o etarismo é necessário se policiar, assim contra todas as formas de preconceito. Ter o olhar empático e compreender que cada um, independentemente da idade, é capaz de aprender, produzir e evoluir. Lembre-se de que você também será um idoso no futuro. O respeito deve prevalecer sempre.

(Isabela Teixeira da Costa/Interina)

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