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Impacto da pandemia na saúde mental já é extremamente preocupante

Excesso de informações sobre a COVID-19, verdadeiras ou falsas, pode deixar as pessoas paranoicas ou gerar crise de confiança


24/08/2020 04:00

Difícil fugir do assunto que ataca as pessoas do corpo à alma, sem piedade. Por mais que se tente, por mais que se busque, é difícil encontrar uma só pessoa que não esteja sofrendo com a pandemia que invade o planeta. O assunto roda mundo e o isolamento não dá segurança a ninguém, como observa o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus: “O impacto da pandemia na saúde mental das pessoas já é extremamente preocupante. O isolamento social, o medo de contágio e a perda de membros da família são agravados pelo sofrimento causado pela perda de renda e, muitas vezes, de emprego.”

E Tedros aponta para uma situação na qual acredito piamente, a pouco conhecida infodemia, que na tradução leiga significa a abundância de vídeos, textos, gráficos, ilustrações e áudios, sejam eles verdadeiros ou mentirosos, que dificultam o entendimento das orientações e geram uma crise de confiança entre a população. Das duas, uma: ou você fica totalmente paranoico ou passa a duvidar de tudo que brota na tela do seu celular.

Uma coisa é certa, a COVID-19 é uma doença que requer atenção e cuidados diretos, principalmente para as pessoas do grupo de risco, porém, indiretamente, pode ascender muito mais efeitos colaterais. Primeiro, pelo confinamento em casa. Estudo da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, estima que a falta de contatos sociais traz riscos à saúde comparáveis a fumar 15 cigarros por dia e chega a ser duas vezes mais danosa que a obesidade. Um aumento no consumo de álcool é outra área de preocupação dos especialistas em saúde mental. Estatísticas do Canadá relatam que 20% das pessoas de 15 a 49 anos aumentaram seu consumo de álcool durante a pandemia. Afinal, lidamos com uma doença em que não há perspectiva de vacinas ou remédios com capacidade de cura para os próximos meses.

Segundo efeito colateral é a crise econômica mundial que vem chegando. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que o mundo entrará na maior crise desde 1929, ano em que ocorreu a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, nos Estados Unidos. E uma coisa acaba levando a outras, mais graves. O colapso econômico que acometeu a Europa a partir de 2008, afetou a saúde mental da população. Nesse período, houve aumento significativo das taxas de suicídio no continente.

Terceiro motivo é pela pressão cotidiana na vida das pessoas, como, por exemplo, a tripla jornada entre as mulheres, que ficam responsáveis por cuidar de vários quesitos do lar, da família, estando ainda em home office. Na China, o primeiro epicentro do coronavírus, alguns cartórios registraram aumento nos pedidos de divórcio quando a vida começou a voltar ao normal. Nas províncias de Shaanxi e Sichuan, houve recorde nos índices de separação a partir das últimas semanas de março, de acordo com informações do jornal chinês The Global Times.

Ainda na China, durante a pandemia, os profissionais de saúde relataram altas taxas de depressão (50%), ansiedade (45%) e insônia (34%) e, no Canadá, 47% dos profissionais de saúde relataram a necessidade de suporte psicológico. Dados do Núcleo de Gênero e do Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público de São Paulo revelam que casos de agressões aumentaram 30% em março, quando o isolamento social foi iniciado.

Esse compilado de informações é assustador, mas existem soluções para minimizar tudo isso. Quando estamos em casa, temos a tendência de atrasar os compromissos diários: acordamos, almoçamos, jantamos e voltamos a dormir cada vez mais tarde. Precisamos manter uma regularidade nos horários durante todos os dias da semana, especialmente neste período de quarentena.

O hábito de tomar sol todos os dias também ajuda muito. Reserve alguns minutos da manhã, antes das 11h, para relaxar na varanda, no quintal ou na laje. Esse banho de luz estimula a liberação de serotonina, substância que, entre os neurônios, produz a sensação de bem-estar. Manter uma rotina de exercícios físicos é outra via para garantir o equilíbrio da química cerebral, além da utilização de vitaminas para um melhor equilíbrio do corpo e da mente.

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