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Tentar se distrair nesta quarentena está muito cansativo

Canais de televisão não cansam de repetir filmes e séries, o que deixa o telespectador mais enfadonho ainda na pandemia


postado em 02/07/2020 04:00 / atualizado em 01/07/2020 20:13


Se me pedissem para escolher a imagem mais brega que apareceu na TV nas últimas semanas, durante a novela Fabrício Queiroz–Flávio Bolsonaro, escolheria, sem dúvida, a que mostrou, repetidas vezes, o vilão do folhetim apoiado em um colchão de molas de cetim azul-turquesa, que está, pelo visto, encostado na parede da casa do advogado Frederick Wassef, em Atibaia. O flagrante está bem de acordo com o enredo da tramoia, que transformada em novela não daria grande coisa. Isso porque, por falta de outros assuntos que não sejam da COVID-19, as redes de televisão repetem e repetem o mesmo assunto até o telespectador não querer saber mais daquela história. Capítulo de folhetim de segunda, que se repete com a indicação do ministro da Educação, brasileiro que paga impostos não merece isso.

Pior de tudo é que essa repetição não fica só nos fatos eventuais da novela sem fim do desgoverno do governo nacional. Os programas que não fazem parte dos acontecimentos eventuais, não respeitam quem não tem outra coisa para fazer além de ler e ver TV. A Universal, que se especializou em séries que têm Chicago como cenário, se propôs a criar uma programação que rola os dias mostrando capítulos sobre polícia, incêndio, saúde, etc. A chatura é que parece que os capítulos são escolhidos aleatoriamente e, por causa disso, confundem as marchas de quem os acompanha. 

Ninguém teve o cuidado de fazer uma sequência dos capítulos e o resultado disso é uma bagunça só. Se os capítulos fossem sequenciados, seria muito mais fácil de acompanhar. Quem está vendo a programação não tem a graça de poder saber o que se segue ao capítulo que terminou, porque o próximo que mostram tem outro enredo, completamente diferente. Até os capítulos que terminam com o aviso de que a continuação será em seguida não são organizados.

Esse tipo de distração está uma verdadeira canseira, até as estações que mostram principalmente filmes não estão nem aí para ninguém. Eles são repetidos inúmeras vezes, não dá para entender se não existiria em cada uma delas um estoque de filmes variados. 

O tal do Corvo branco já teria sua cópia gasta se os tempos fossem outros, porque é mostrado praticamente todos os dias. Outro filme que a HBO Mundi adora é Nunca deixe de lembrar, e o da vida de Marilyn Monroe está sempre lá, nos sete dias que passa com um jovem desconhecido, e por aí vai.

Fazer um esforço em favor do telespectador não devia custar nada às redes de TV. E fico imaginando que se essa desgraceira de pandemia continua por muito tempo, será que vamos aguentar isso até nem sei mais quando? Costumo ver as redes internacionais e mesmo os programas que aparecem por aqui são bastante diversificados. 

É claro que é uma programação escolhida para outros países, mas a preocupação de mostrar coisas diferentes parece ser uma tendência, seja na França, Itália, Portugal e outros. A impressão que tenho é que as redes estrangeiras de televisão querem manter o espectador vendo suas programações e, por isso mesmo, se esforçam em variar o que mandam para nós. 

Aqui, como parece que ninguém reclama e se importa, somos entulhados todos os dias com as coisas.


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