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Dia Mundial do Câncer de Ovário emite sinal de alerta

Sintomas que podem alertar para o surgimento da doença são comumente associados a outras enfermidades


postado em 08/05/2020 04:00

Com o objetivo de identificar e difundir para o público as melhores estratégias para que a doença seja descoberta mais precocemente, a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) se une à World Ovarian Cancer Coalition (worldovariancancercoalition.org/) no Dia Mundial do Câncer de Ovário, movimento global de conscientização sobre a doença, que é celebrado em 8 de maio. Criada em 2013, a coalização reúne atualmente mais de 140 organizações.

A alta taxa de diagnóstico tardio impacta no resultado do tratamento. Menos da metade das pacientes (48,6%) vivem por mais de cinco após o diagnóstico. Comparativamente, quando a doença é identificada ainda restrita ao ovário, a chance de viver por mais de cinco anos sobe para 92,6%. “Quando a doença é descoberta mais precocemente, pode-se oferecer um tratamento curativo, com melhores resultados, que será guiado com base na classificação realizada pelo médico patologista quanto ao tipo e agressividade do tumor”, explica Leonardo Lordello, médico patologista da SBP.

Diferentemente do que ocorre com os exames de Papanicolau, mamografia e colonoscopia, que funcionam como métodos de rastreamento, respectivamente, para câncer de colo do útero, mama e colorretal, com o câncer de ovário não há uma metodologia eficaz. “Houve tentativas com o marcador CA125 ou exames de imagem, mas os estudos mostraram que oferecer essas avaliações para população assintomática (sem sintomas) não resultou em redução de mortalidade”, explica o especialista.

Outro complicador é o fato de que os sintomas que podem alertar para o surgimento de tumores de ovário também são comumente associados com outras doenças. Embora esses sinais de alerta sejam inespecíficos, a atenção a eles pode ser um caminho para o diagnóstico mais precoce. Os principais são aumento do abdômen, dificuldade para se alimentar, dor na região pélvica e/ou abdominal, sangramento vaginal anormal (principalmente pós-menopausa), mudança no hábito intestinal, fadiga extrema e perda de peso.

Em um cenário no qual predomina uma doença com alta taxa de mortalidade, a correta definição do tipo de lesão, apontando se ela é benigna ou maligna (câncer), torna-se ainda mais importante, assim como a indicação de seu tamanho, grau de agressividade, perfil biológico, capacidade de se espalhar e potencial resposta aos tratamentos disponíveis no caso de malignidade.

Em cerca de 90% dos casos, os tumores malignos do ovário são derivados de células epiteliais que revestem o ovário e/ou a tuba uterina. O restante provém de células germinativas (que formam os óvulos) e células estromais (que produzem a maior parte dos hormônios femininos), sendo esses casos mais frequentes em adolescentes e mulheres mais jovens. Entre os tumores malignos epiteliais de ovário, cerca de 70% deles são carcinomas serosos, que podem ser de baixo ou alto grau.

O câncer de ovário é mais prevalente a partir dos 60 anos, quando a mulher não se encontra mais em fase reprodutiva. No entanto, a doença pode ser diagnosticada também por mulheres mais jovens, principalmente nos casos de hereditariedade. As mulheres mais jovens, em fase reprodutiva, que têm uma predisposição hereditária para desenvolver câncer de mama, podem optar por acompanhamento clínico mais precoce e frequente. A paciente é orientada também sobre a possibilidade de fazer a cirurgia profilática (retirada preventiva dos ovários e tubas para reduzir o risco de desenvolver a doença). É importante a paciente ser orientada por seu oncologista e ter acesso também a um serviço de aconselhamento genético, coordenado por um geneticista.

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