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DJ anônimo faz Páscoa ser emocionante no Gutierrez

Ao som de MPB de boa qualidade, músicas sacras e até o lúdico Coelhinho da Páscoa, moradores do bairro se reuniram em suas janelas e varandas para louvar coletivamente a Deus


postado em 14/04/2020 04:00 / atualizado em 13/04/2020 18:45

O ser humano é um ser especial, com uma capacidade maravilhosa de se reinventar, de criar. Tudo depende, é claro, para onde vai canalizar todo este potencial. Estamos em isolamento social. Apesar de o caos não ter se instaurado em Belo Horizonte com relação ao coronavírus, as pessoas continuam optando por se manter reclusas, apesar de o movimento nas ruas ter aumentado um pouco. E essa tranquilidade com relação à doença, com certeza, é o fato de continuarmos isolados.

Cada um em casa com sua família. E na Páscoa foi assim. Moro no Bairro Gutierrez, assim como minha prima Anna Marina, titular desta coluna. Porém, ela mora em uma região que ainda não foi totalmente tomada por prédios, já eu moro cercada por eles. Exatamente por isso, pedia a ela que me desse licença para escrever a coluna hoje, porque senti um desejo muito grande de contar o que ocorreu por aqui no domingo de Páscoa.

Como de costume, aos domingos, acordei, tomei meu café, e fui arrumar a casa. Sou evangélica e, no horário habitual do culto da minha igreja, liguei meu celular e participei on-line da celebração de Páscoa: louvor, mensagem e ceia do Senhor, acompanhada da minha filha Luisa. Depois, continuei na arrumação, dessa vez na cozinha, acompanhada por um fundo musical que vinha de algum prédio vizinho. Uma seleção de MPB de boa qualidade. Estava uma delícia. Eu lá, lavando o chão da cozinha, embalada por boa música. Anima a gente, o trabalho fica mais leve. E como tenho a vantagem de morar no mesmo prédio que minha irmã, a cada dia o almoço é na casa de uma, e no domingo seria na casa dela, ou seja, nem precisaria cozinhar depois.

De repente, a música mudou. Veio uma sequência de músicas sacras, desde hinos clássicos, a músicas atuais, passando por Ave-Maria, de Gounod, e Aleluia, de Jeff Buckley. Letras dizendo que Jesus ressuscitou, que ele vive em nós. Letras em inglês e em português. Assim que começou, olhei da janela da minha cozinha e as janelas dos prédios vizinhos estavam todas abertas e cheias de seus moradores, que acompanhavam a música, ou cantando, ou se balançando no ritmo, quando não conheciam a letra. A cada fim de canção, aplausos, gritos, louvores a Deus, “viva Jesus”.

Fui tomada de tamanha emoção que as lágrimas encheram meus olhos. Ali, naquele momento, não importava religião, conhecimento, nada. Foi uma união natural, espontânea em torno de Deus, celebrando a vida de Jesus, sua vitória sobre a morte, o real significado da Páscoa. Sem nenhuma segunda intenção, sem vaias, sem críticas, só amor, só reconhecimento, só agradecimento.

Este momento de louvor coletivo durou uns 40 minutos. Cada vez que eu olhava pela janela, o cenário continuava o mesmo, ninguém se afastou de suas janelas e varandas, as expressões eram de alegria e emoção. Idosos, casais, jovens, adolescentes e crianças. Todos participando deste momento tão lindo, que foi um prelúdio para o almoço de Páscoa de todos os moradores da minha região. Fechando o momento especial, o DJ anônimo resolveu homenagear as crianças e o lúdico e fechou a seleção com Coelhinho da Páscoa, e foi um coral uníssono, alegre, mas tenho que dizer, de vozes embargadas pela emoção do momento anterior.

Já passei por muitas semanas santas lindas, mas nunca tive uma Páscoa tão emocionante e significativa como esta, que só foi possível por estarmos passando por este momento difícil no mundo. É Deus fazendo nascer uma flor em meio ao deserto.

(Isabela Teixeira da Costa/Interina) 

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