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Saiba como comer seu ovo de Páscoa sem culpa

Médica explica que ideal é consumir de 25g a 50g de chocolate por dia, dando preferência às opções com maior concentração de cacau, como o chocolate amargo e o chocolate rosa


postado em 26/03/2020 04:00

Páscoa não é uma boa época para diabéticos, é difícil resistir à temporada de chocolates e os que são vendidos como diet não chegam nem perto dos tradicionais. São quase sempre um tapa-buraco. Felizes são os que podem se fartar com a delícia. Há pessoas, entretanto, que gostam de criar caso com tudo, que colocam uma certa resistência à guloseima: afinal, o consumo de chocolate na Páscoa coloca nossa saúde em risco?. É de se pensar que, por serem feitos de cacau, os doces sejam benéficos para a saúde. Mas, de acordo com a médica nutróloga Marcella Garcez, professora da Associação Brasileira de Nutrologia, não é bem assim que funciona.

“O cacau, por si só, é realmente benéfico, pois é rico em polifenóis, substâncias que, se consumidas com frequência, possuem uma série de benefícios à saúde, incluindo poderosa ação antioxidante e preventiva da formação de radicais e efeito protetor contra os danos ao DNA das células. Além disso, o ingrediente possui propriedades analgésica, vasodilatadora, antimicrobiana, anti-inflamatória, anticarcinogênica (previne o aparecimento de câncer) e antiaterogênica (previne o acúmulo de gordura na parede das artérias)”, destaca a especialista. O problema é que, mesmo com os avanços da indústria no que diz respeito à produção do chocolate, o processamento das sementes de cacau para transformá-las na guloseima pode levar a perda variável dos compostos fenólicos e, consequentemente, dos efeitos benéficos do ingrediente.

Então, para garantir a manutenção dos benefícios do cacau, o recomendado é que você opte por chocolates com maior concentração de cacau e menor concentração de açúcar. “Nesse sentido, o chocolate ideal para ser consumido durante a Páscoa é aquele que possui, no mínimo, 65% de cacau e traz cacau ou massa de cacau como primeiro item da lista de ingredientes, que aparece, geralmente, na parte de trás da embalagem. Quanto maior a concentração de cacau, maior a quantidade de polifenóis e a atividade antioxidante do alimento. Por isso, vale apostar no chocolate amargo”, recomenda a médica. “O chocolate amargo é a melhor opção inclusive para crianças, que, apesar de serem resistentes às versões mais amargas devido ao paladar infantil, devem ser educadas desde pequenas a evitar o excesso de açúcar na alimentação. Sempre lembrando que o cacau é contraindicado para crianças menores de 12 meses de idade”, detalha a médica.

Ao contrário do chocolate amargo, o chocolate ao leite possui uma concentração bem maior de açúcar do que de cacau; logo, quando consumido indiscriminadamente, pode favorecer o surgimento de condições relacionadas à ingestão excessiva de açúcar, como diabetes e aterosclerose. “Para que o chocolate ao leite mantenha os benefícios do cacau é necessário que seja composto por, no mínimo, 35% do ingrediente, possuindo, nesse caso, metade da capacidade antioxidante do chocolate amargo. O problema é que, segundo resolução da Anvisa, um chocolate brasileiro precisa conter apenas 25% de cacau para ser considerado chocolate, concentração abaixo da necessária para realmente conferir benefícios à saúde”, detalha a médica.

No lugar do chocolate ao leite, uma opção interessante para ser consumida nesta Páscoa é o chocolate rosa, que tem se tornado tendência na internet e nas prateleiras dos mercados. É feito a partir da semente do cacau rubi – esse chocolate distingue-se dos demais devido à sua coloração rosada natural, não possuindo corantes artificiais em sua composição. “O chocolate feito a partir do cacau rubi possui uma quantidade maior de polifenóis do que o chocolate convencional, pois os flavonóis presentes no ingrediente são mantidos até o produto final devido ao processo de fermentação especial pelo qual as sementes passam para que não percam o sabor e a coloração natural”, explica a médica Marcella.

Já o chocolate branco, queridinho de muitos, deve ser evitado. Isso porque, segundo a médica, o chocolate branco é fabricado a partir da manteiga de cacau, sendo composto basicamente de gordura, açúcar, leite e aromatizantes. Mas quem não abre mão da guloseima, pode optar pelas versões sem açúcar para minimizar seus malefícios à saúde.

No final das contas, disciplina e controle do consumo diário devem ser o lema para a Páscoa. Dessa forma, o ideal é consumir de 25g a 50g de chocolate por dia, dando preferência às opções com maior concentração de cacau, como o chocolate amargo e o chocolate rosa. “Seguindo essas dicas, a guloseima pode ser consumida sem culpa, não havendo necessidade de estratégias para inibir o apetite antes do consumo ou para diminuir o índice glicêmico do alimento. Isso porque, no geral, o chocolate possui baixo índice glicêmico e, se composto por mais de 65% de cacau, também é um alimento funcional, possuindo índice glicêmico ainda mais baixo. E para quem quer manter bons hábitos alimentares e minimizar os danos da Páscoa, uma boa estratégia é consumir frutas frescas, como as  vermelhas, que combinam muito bem com chocolates”, finaliza Marcella Garcez.


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