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Natal prova que progresso pôs fim a lindos brinquedos tradicionais

Casinha de boneca? Nem pensar. Mobília para montar uma salinha de brinquedo? Credo, quem vai querer.? O mundo está mais do que mudado e estou custando a aceitar


postado em 14/12/2019 04:00 / atualizado em 13/12/2019 18:48


Num esforço de fim de ano, fui ao BH Shopping arrematar alguns itens de minha lista natalina. Junto estava uma prima, em busca também de presentes para crianças abaixo de 8 anos. Levei mais uma lição de como o mundo está mais do que mudado – e estou custando a aceitar. Ainda acredito que presente para meninas é tudo o que as liga ao que as espera ao longo da vida: casa, filhos, vida doméstica. Esse tipo de brinquedo não usa mais, não é encontrado. Se existisse, certamente ninguém ia querer. Os próximos me convidam a acompanhar o que mudou e o que a meninada de hoje gosta. Casinha de boneca? Nem pensar. Mobília para montar uma salinha de brinquedo? Credo, quem vai querer? Caixa para aprender os primeiros pontos de bordado? Raras são as mulheres que, nos dias de hoje, pegam em uma agulha, até para prender um botão. Os dedos gostam mesmo é de percorrer o teclado do computador.

E o fogãozinho para brincar de comidinha? Alguns de antigamente podiam receber até um pouco de calor, quando eram maiores e as meninas gostavam de cozinhar, mesmo que o arroz ficasse cru e o feijão não pegasse caldo. Esse tipo de ocupação é antiguidade pura. As mulheres atuais não sabem nem fritar um ovo, fazer café só Nespresso, que não pede água para ferver e coador para dosar o pó. Já conheci mulher que colocou um litro de óleo na frigideira para fritar um ovo. Ninguém pensa nesse tipo de ocupação, que as meninas de antigamente achavam bem legal. A curiosidade dessa negação para o exemplo é que a maioria das estilistas entrevistadas para matérias do caderno Feminino & Masculino deste jornal conta ter aprendido a costurar acompanhando mães ou avós, fazendo roupinhas para as bonecas.

Bonecas que, aliás, perderam aquele encanto antigo, vindo até de outros países, com vestidos lindos que as meninas adoravam e faziam de tudo para conservar em bom estado. Pode até ser que existam bonecas lindas, que agradem às meninas. Não vi nenhuma assim nas lojas de brinquedos, como não vi aqueles conjuntos de bonecas acompanhadas por guarda-roupa completo. As meninas brincavam com elas criando um verdadeiro festival de mudanças, algumas bem combinadas, outras uma novidade só. Todos me ensinam que esses brinquedos não são mais aceitos pelas meninas. Elas preferem ganhar, por exemplo, estojos de maquiagem para brincar de adultas. De vez em quando, esse tipo de brincadeira, que lembra caracterização de teatrinho, até pode ter graça. Mas como brinquedo? Só descaracteriza a beleza da infância, que é ter o rosto limpo, claro, embelezado pela juventude.

Do lado dos meninos, o que mais se vê à venda são estojos de monstros de todos os tipos. Para brincar e mascarar-se, copiando não só os heróis das histórias em quadrinhos que foram legais em uma época, mas os pavores que a TV mostra o tempo todo. Fora isso, o que existe de mais importante são os jogos tecnológicos que viciam, principalmente devido à repetição. Os meninos estão ganhando das meninas com a paixão pelo Lego, aquele brinquedo de montar que ativa a criatividade e refina a capacidade de montar peças, criando objetos variados, muitos deles longe do que existe por aí.


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