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Não é só idade: sol também envelhece a pele

Dermatologista Elimar Gomes dá dicas de cuidados relativos à exposição solar, chamando a atenção para hábitos que podem levar ao surgimento de câncer


postado em 11/12/2019 04:00

O envelhecimento cronológico da pele é aquele relacionado à idade, ocorre de forma bem lenta e progressiva e causa leve atrofia, rugas finas e flacidez. Já o fotoenvelhecimento é desencadeado pela exposição à radiação ultravioleta (UV) do Sol e, portanto, resulta no envelhecimento prematuro. De acordo com Elimar Gomes, dermatologista da Beneficiência Portuguesa de São Paulo, quando os raios UV penetram na pele, danificam todas as camadas e provocam mudanças na textura e na pigmentação, promovendo, gradativamente, manchas, perda das fibras de colágeno e produção anormal de elastina, determinando rugas mais profundas e perda de elasticidade da pele.

“Em qualquer idade, podemos claramente perceber a diferença entre o envelhecimento cronológico e o fotoenvelhecimento: basta comparar a pele localizada na parte interna com a da parte externa do nosso braço”, ressalta o especialista. “Os danos provocados pela exposição à radiação UV são cumulativos e, por isso, quanto mais cedo e melhor nos protegermos, menores serão os sinais do envelhecimento.”

Além das manchas e rugas visíveis, a exposição à luz solar provoca em todas as células da pele pequenas alterações no DNA celular. “Nossas células têm alguns mecanismos de reparo que corrigem essas alterações. Com o excesso de exposição ou com o dano cumulativo, nem todas se recuperam e, consequentemente, ocorrem mutações que promovem o crescimento anormal e descontrolado de algumas células, dando origem ao câncer de pele”, conta o dermatologista.

Quando as mutações ocorrem nas células de revestimento da pele, temos os carcinomas, que se dividem em basocelulares – das células basais – e espinocelulares, das células escamosas. “Quando temos mutações nos melanócitos, as células que produzem melanina e dão cor à pele, temos o câncer do tipo melanoma”, explica o especialista.

Além do fotoenvelhecimento, mais de 90% dos casos de câncer de pele são causados pela exposição aos raios ultravioleta do Sol. “Inúmeros estudos demonstram que tanto a exposição crônica diária à radiação ultravioleta (pequena quantidade de Sol nas áreas expostas do corpo durante muitos anos) quanto a exposição intensa e intermitente à radiação ultravioleta (episódios de exposição prolongada e desprotegida que levam à queimadura solar) estão diretamente relacionadas ao aumento do risco de desenvolvimento de câncer de pele.

Sendo assim, é indispensável usar diariamente protetor solar fator 30 ou maior, usar chapéu e óculos escuros, roupas com fator de proteção ultravioleta no tecido, evitar exposição ao Sol no período entre as 9h e as 15h e permanecer na sombra sempre que possível”, reforça o médico, coordenador da Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Pele promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, que no mês de dezembro intensifica ações de conscientização sobre diagnóstico e prevenção da doença.

O uso de protetor solar diariamente é o primeiro passo no tratamento do fotoenvelhecimento. O segundo é procurar o dermatologista, que analisará o caso e verificará o que deve e o que pode ser feito. “Existem tratamentos mais simples com cremes hidratantes, antioxidantes e ácidos que estimulam a renovação celular e podem ser usados em casa. Além disso, inúmeros tratamentos podem ser realizados no consultório, tanto para prevenção quanto para corrigir os sinais do fotoenvelhecimento, tais como peelings, luz pulsada, laser fraccionado, ultrassom microfocado, bioestimuladores de colágeno, preenchimento com ácido hialurônico e aplicação de toxina botulínica”, conclui Elimar Gomes.


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