Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Publicidade

Estado de Minas

O médico Ivan Maciel ensina como tratar o idoso sem preconceitos

Filhos são egoístas, não respeitam a vontade dos pais e querem ditar a agenda dos mais velhos, adverte o autor do livro 'Receitando casos'


postado em 05/12/2019 04:00

Na semana passada, o conhecido cardiologista e homeopata Ivan Maciel comemorou um ano do lançamento de seu livro Receitando casos – Histórias de um médico, realizado no Minas Tênis Clube, onde ele passou longo tempo dando autógrafos. Ivan já está escrevendo outro livro – histórias não lhe faltam, porque está comemorando 47 anos de profissão.

 Recentemente, esteve em viagem para conhecer o Rio Tapajós, onde foi entrevistado pela jornalista Scheylli Caflefi. Como sempre, defendeu sua teoria, que é absolutamente coerente. Ele acredita que os filhos, por causa de preconceitos, não tratam bem os pais com mais idade. E encantou a entrevistadora com suas ideias, não muito comuns, que reproduzo a seguir:

“O problema é que os filhos querem fazer a agenda dos pais que estão mais velhos, por várias razões. É o que vejo no consultório. Primeiro, por egoísmo, os viúvos não podem arrumar uma namorada ou namorado porque os filhos ficam sempre com medo, focados no material, com medo de ele/ela tomar o dinheiro do/a viúvo/a. Isso acontece várias vezes.

Quando o paciente fuma aos 80 anos de idade, os filhos querem que pare de fumar. É um absurdo, pois um indivíduo de 80 anos que fumou e ainda não morreu de câncer no pulmão, de câncer de garganta e nem enfartou tem pouco objetivo na vida e pouca ilusão. O cigarro é um vício do qual a pessoa gosta e não lhe dá nenhuma doença. Provavelmente, vai viver mais ainda, até porque quem tem 80 anos já passou a estatística de vida.

Outro problema muito sério é a bebida. Velhos diabéticos, geralmente os homens gostam de beber uma cerveja, um uísque, e os filhos ficam proibindo. 'Ah, papai é diabético, doutor, já cortou o dedinho', dizem. E não deixam que tomem uma latinha de cerveja. É uma agressão, um assédio moral o que esses filhos fazem com os pais. Sempre digo isso a eles no meu consultório. Às vezes, os filhos saem de lá com raiva, mas os pais saem satisfeitos. Outra questão é a comida, o velho de 80 anos não pode comer um lombo assado? Por quê? Há um egoísmo, como se o velho fosse eterno, como se pais e mães fossem eternos e não pudessem desfrutar de pequenos prazeres – talvez os últimos prazeres que têm na vida.”

A repórter quis saber qual é a dica de Ivan para os filhos respeitarem mais o desejo dos pais. “É preciso ser coerente: se uma pessoa mais velha, seu pai, mãe, padrasto, fuma com 80 anos ou mais, para quê tirar esse cigarro? Você vai fazer uma sacanagem, vai fazer um mal para ela, que não quer perder esse prazer dos últimos anos da vida”, diz ele.

“É o caso que conto no meu livro, do torresmo. O velhinho não podia comer torresmo porque a família não deixava, pois sujava a cozinha. Era um absurdo. Se ninguém quer limpar, que pague uma empregada. Não se pode privar o idoso dos prazeres da vida. É o cigarro, é a bebida, é a comida. E quando as pessoas de mais posses falam que não têm tempo para nada e colocam os pais nessas casas de asilo? Outra grande sacanagem, pois tira o idoso de seu ambiente, do seu quarto, da sua sala, do seu quintal. Isso acelera a morte do velho, com certeza”, adverte o autor de Receitando casos. 

 


Publicidade