Publicidade

Estado de Minas

Árvores frutíferas aguçam paladar e lembranças dos mineiros

Nos quintais e vias de BH, floração dos pés já começou, mas moradores da capital não têm hábito de aproveitar os frutos que brotam nas ruas


postado em 08/08/2019 04:00 / atualizado em 08/08/2019 07:49

Jabuticabeiras aguçam paladar e lembranças dos mineiros (foto: Sidney Lopes/EM/D.A Press)
Jabuticabeiras aguçam paladar e lembranças dos mineiros (foto: Sidney Lopes/EM/D.A Press)
Bom da vida são as pequenas e inesperadas alegrias, que não têm preço. Como acordar, chegar ao jardim e encontrar o pé de jabuticabas cheio de flores, até nas grimpas. Quem acompanha esta coluna sabe que a jabuticaba é a minha fruta preferida, vem desde a infância nos quintais de Santa Luzia. No auge da safra, tão logo eu acordava, podia ser encontrada aproveitando a fruta bem fresquinha, por causa do frio da noite. Como não pesava nada, podia subir até os últimos galhos, sem o menor perigo.

Aprendi o truque e subia em qualquer árvore, como qualquer moleque de rua. Truque que eu repetia aqui na capital, quando subia nos pés de amora que cresciam em nossa casa na Rua Piauí. Descia de lá com a boca roxa e a gulodice aplacada pelo sabor da fruta. Só que a jabuticaba é a preferida. Outro dia, encontrei algumas no Mercado Central, não tive coragem de comprar. A medida usada não devia dar umas 20 frutas, mas o vendedor estava pedindo R$ 10. Achei um verdadeiro roubo, apesar de a boca encher d'água de vontade de provar.

Não vai demorar muito e a jabuticabeira de minha casa vai matar minha vontade – e de quem apreciar muito a fruta. Acompanho a floração das frutas de que gosto, muitas delas sem a menor possibilidade de poder aproveitar da safra. Como acontece com o pé de manga ubá imenso, plantado no canteiro central da Avenida Getúlio Vargas, em frente da Escola Estadual Barão do Rio Branco. Ele está recoberto de flores e já prevejo uma bela safra, porque no ano passado ela não foi nada boa.

Controlo os pés que conheço, como o que existe no estacionamento onde deixo meu carro, quando vou ao meu médico, Walter Caixeta, cujo consultório fica na Avenida Pasteur. Os controladores do estacionamento já me conhecem e, quando deixo o carro lá, fazem uma boa sacola para eu comprar na volta. São mangas ótimas, sempre acredito que as dos pés antigos são melhores, porque crescem de acordo com o ciclo da natureza. As que são apanhadas mais verdes, para não estragar, perdem muito do gosto.

Quando o EM funcionava na Rua Goiás, um pé de fruta de que gostava de acompanhar era o de jambo, que fica na Rua da Bahia, esquina com Tupis, bem atrás da Igreja São José. Quando estava cheio de frutos, pagava a molecada que ficava na rua para apanhar um pouco para mim. E nem são de jambo vermelho, que é o delicioso, vendido nas ruas de Recife. Quando coincidia de estar na cidade, na época da safra, comprava as frutas na rua e nem esperava chegar ao hotel para comer. Para espanto de meu marido, que acreditava que elas deviam ser bem lavadas antes. Nunca tive qualquer tipo de infecção por comer jambo comprado na rua. E nunca encontrei jambo vermelho por aqui, o que é uma pena. Um belo pé de jamelão cresce na Avenida do Contorno, quase em frente à Igreja Santo Antônio. Dá frutos praticamente o ano inteiro e eles caem na rua, os carros passam por cima, ninguém aproveita. E acredito que pouca gente saiba o que é aquilo, aquelas bolinhas pretas que caem na rua.


Publicidade