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Estado de Minas ANNA MARINA

Cultural: Progresso na construção

Drywall faz as vezes do tijolo, é mais rápido e fácil de ser feito do que o tijolo e sua eficiência é comprovada nos estados Unidos, Canadá e Europa


postado em 20/06/2019 04:00 / atualizado em 02/07/2019 12:21

Nunca tinha ficado hospedada em casa construída no estilo americano ou, no caso, canadense. Fui passar férias no Canadá e o que mais me impressionou foi a casa em que fiquei hospedada: quatro andares, com todo conforto, piso aquecido e lareira em todos os cômodos. Para quem não presta atenção, estava longe de ser uma residência produzida inteiramente em drywall. Como fiquei, para meu conforto, no cômodo mais baixo, resolvi abrir a porta do quarto e olhar a estrutura da construção. Meu queixo caiu quando vi que tudo se apoiava em ripas de madeira de mais ou menos uns 20cm de largura. E me informaram que a casa foi feita em pouco tempo, porque é fácil montar toda aquela estrutura, colocar as paredes, fazer a infraestrutura para manter o conforto oferecido. Pensei logo que essa história de casa durar uma eternidade, não é lá grande coisa. Qual a razão dessa preocupação? Quem fala sobre isso é o engenheiro Luiz Fernando Silva Borges, diretor da Construtora Santa Rosa.

As paredes de 88,2% das casas brasileiras são feitas de alvenaria, segundo dados divulgados, em 22 de junho, pela Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad – Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais de 62 milhões de brasileiros usam esse tipo de material para construir as suas casas, mudando apenas o tipo de revestimento. Mas por que esse método é o mais convencional no Brasil? Segundo especialistas da área de construção, a alvenaria, embora tenha muitas falhas, é visto no país como o mais confiável, por uma questão de hábito. A pesquisa ressalta que essa preferência brasileira advém, também, por ser um gasto menor. “Acredito que a maioria das casas brasileiras seja feita em alvenaria de tijolo cerâmico comum devido à questão cultural e o baixo custo de produção de tijolos, uma vez que a matéria-prima do referido item é de fácil acesso em praticamente todas as regiões do país”, afirma o especialista.

Existe no mercado internacional o drywall, comumente usado nos Estados Unidos, por exemplo, capaz de fazer basicamente a mesma função de vedação que uma alvenaria de tijolo cerâmico comum, porém é mais leve, mais rápido e fácil de instalar, gera menos entulho e, ainda, é um sistema seco e limpo. “Em se tratando de uma parede de vedação, tanto o drywall quanto a alvenaria de tijolo cerâmico fazem bem a mesma função. Aí, quem define o melhor material para cada situação, na maioria das vezes, são os arquitetos e projetistas estruturais, após as compatibilizações de projetos. Se uma determinada laje de concreto armado não suportar grandes esforços, por exemplo, certamente o projetista optará por uma parede de drywall, levando em consideração que ela é mais leve e automaticamente vai gerar um menor empenho para tal”, explica Luiz Borges.

Os revestimentos comumente utilizados pelos brasileiros, como o porcelanato, a pintura ou mesmo o cerâmico, são bem recebidos pelos dois tipos, tanto alvenaria quanto drywall. “O que muda é que no drywall existem variações de placas de gesso. Ou seja, se o projeto pedir que o revestimento de drywall seja cerâmico, a compra da placa de gesso terá que ter como critério maior resistência ao arranque”, pontua o engenheiro.

Segundo o especialista, a questão cultural ainda é preponderante quando se trata do uso da alvenaria no país, principalmente em projetos residenciais. Porém, ambientes corporativos já vêm mudando esta mentalidade e diversificando as estruturas, com a utilização do drywall. “Definitivamente o drywall ainda não é visto com bons olhos nos projetos residenciais. Nos ambientes corporativos, industriais e hospitalares, ele é o queridinho dos projetistas e clientes. Afinal, é um método construtivo ágil, limpo e que é executado com equipe reduzida. Pouco a pouco, o drywall vem quebrando as desconfianças do cliente residencial e ganhando força nessa área. Mas está longe de ser o principal sistema construtivo”, encerra.


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