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Estado de Minas

Feliz é quem não tem


postado em 09/04/2019 04:00 / atualizado em 08/04/2019 17:59


Você já ouvir falar em acufeno? É a síndrome do zumbido constante no ouvido, que afeta mais de 28 milhões de brasileiros. São ruídos gerados dentro do próprio corpo – e não barulhos do ambiente –, que atormentam as pessoas, prejudicam o dia a dia e a qualidade de vida. Segundo a fonoaudióloga Isabela Papera, há relatos de vários tipos de ruídos nos ouvidos. “Muitos pacientes comparam o ruído do seu zumbido ao barulho da cigarra. Outros já descrevem o incômodo como um som de apito, panela de pressão, concha, cachoeira”, diz a especialista, explicando que “normalmente, os ouvidos captam os sons do ambiente e os enviam para o cérebro na forma de impulsos elétricos. O zumbido ocorre quando as vias auditivas passam a enviar esses impulsos mesmo sem haver uma fonte externa gerando aquele som. Para o tratamento, o desafio então é descobrir o que leva a essa emissão indiscriminada de impulsos, já que o zumbido em si não é uma doença, e sim, um sintoma”.

 A impressão de que o acufeno – ou zumbido permanente – afeta apenas os idosos é falsa, mas tem uma explicação: cerca de 90% dos casos têm como causa principal a perda de audição. E como o déficit auditivo é maior entre as pessoas da terceira idade, há mais ocorrências de zumbido nessa faixa etária. Além disso, o problema acomete mais o sexo feminino. Esse som incômodo, entretanto, pode aparecer em qualquer idade e gênero, inclusive em pessoas com audição normal, embora em menor escala.

O zumbido pode ser temporário ou permanente (acufeno) e ocorre por causa da exposição a sons altos; perda auditiva; infecção nos ouvidos; estresse e até como efeito secundário da meditação. Em alguns casos, a causa decorre de cera nos ouvidos, transtornos crônicos de saúde e lesões ou doenças que afetam os nervos do ouvido interno ou o centro auditivo do cérebro. Estudos mostram que 95% da população já ouviu zumbido pelo menos uma vez na vida e até 17% apresentam o sintoma. Além disso, o zumbido atinge cerca de 30% dos idosos acima de 65 anos.“As células ciliadas são, como o próprio nome diz, como cílios ou microfilamentos muito delicados que se movem dentro do ouvido, em reação à pressão das ondas sonoras. Nosso cérebro interpreta esses sinais como sons. Se os cílios se dobram ou se rompem, pode ser criado um fluxo de impulsos elétricos sem que realmente haja um som externo.”, explica a fonoaudióloga.

Não há um único meio de tratar o zumbido, mas os médicos costumam recomendar terapia sonora, terapia cognitivo-comportamental ou mesmo a terapia de retreino de acufeno cardiovascular, pois o mal pode ocorrer também por causa de uma deficiência no funcionamento dos vasos sanguíneos. A forte ligação entre zumbido e perda auditiva facilita bastante o tratamento.

Nestes casos, para a maioria dos pacientes, o uso de aparelho amplificador é suficiente para aliviar o desconforto com o zumbido e oferecer enriquecimento sonoro, melhorando a condição auditiva. O tratamento é realizado muitas vezes junto com um aconselhamento psicológico. Quando o estresse age como um gatilho para o zumbido, por exemplo, o paciente pode não conseguir escapar de um eventual retorno de zumbido mais intenso.


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