ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Deputada usa botão do pânico depois de soltura de agressor

Parlamentar anda com dispositivo de segurança diante da libertação de homem condenado após ameaças que deixou presídio por superlotação

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A Vara de Execuções Criminais da Comarca de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, determinou a soltura do homem condenado e preso sob acusação de ameaçar de morte e violência sexual as deputadas estaduais Lohana França (PV), Bella Gonçalves (PT) e Beatriz Cerqueira (PT).

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Ele foi condenado a 12 anos em regime fechado, mas, devido à superlotação do presídio onde cumpria pena, a juíza Bárbara Isadora Santos Sebe Nardy, que também é coordenadora do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo, determinou o cumprimento da sentença em regime domiciliar e o uso de tornozeleira eletrônica.


Em função dessa decisão, as deputadas ameaçadas passaram a adotar medidas emergenciais de proteção, como o uso de botão do pânico — dispositivo eletrônico portátil que vibra e apita caso o monitorado por tornozeleira eletrônica rompa o perímetro de segurança e se aproxime do Legislativo ou da residência das parlamentares.

“Mais de um terço (36%) das unidades prisionais mineiras estão interditadas por superlotação e/ou condições precárias, e os outros dois terços, em regra, estão com população carcerária acima de sua capacidade”, destaca a juíza em despacho datado de junho.


O homem que ameaçou de estupro e morte as deputadas estaduais foi condenado por crimes cibernéticos, incluindo ameaças, a 12 anos e nove meses de prisão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado. A investigação realizada pelo Ministério Público de Minas Gerais, Polícia Civil de Minas Gerais e Polícia Militar de Minas Gerais apontou que o homem, preso em maio de 2024, utilizava diversos perfis falsos para praticar crimes, incluindo veiculação de simbologia nazista, corrupção de menores, entre outros.


Lohana retirou nessa terça-feira o botão do pânico na diretoria de monitoramento da Polícia Penal e destacou, no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a importância do uso do dispositivo por mulheres alvo de violência, além da situação das unidades prisionais mineiras. Ela também mencionou as condições da sede da diretoria onde esteve para retirar o equipamento que, segundo ela, estão em condições precárias.  As demais deputadas não informaram se vão usar o dispositivo.  


“Temos que divulgar a importância de mulheres que têm agressores monitorados por tornozeleira buscarem o botão do pânico. É um baita instrumento de segurança pra gente, moderno, seguro, muito bom”, disse a deputada em entrevista ao Estado de Minas. Segundo ela, o dispositivo apita se o agressor chegar a 200 metros. Além disso, pode ser usado para acionar a polícia caso ele se aproxime.


De acordo com a parlamentar, algumas mulheres recusam o dispositivo e confiam apenas na tornozeleira, o que pode representar risco. “Todos os homens que estão com tornozeleira eletrônica, as suas ex-companheiras ou mulheres que foram vítimas podem receber o botão do pânico e saber onde esse cidadão está, além de ter o alerta acionado se ele se aproximar menos de 200 metros. Isso é muito importante porque eu ouvi o relato das policiais de que parte das mulheres não vai buscar o dispositivo”, afirmou.


Lohana destacou ainda o preparo das policiais penais e o atendimento recebido. “Queria agradecer a todas as policiais penais e aos policiais penais em nome da policial Tatiana e da psicóloga Janaína, que me atenderam. Fui orientada sobre defensoria pública, assistência social, serviço social, casa abrigo, sobre tudo”, disse.


Ela também criticou entrevista recente do ex-governador Romeu Zema (Novo), candidato à Presidência da República, que, segundo ela, defendeu a ampliação do número de presídios e o aumento do encarceramento, citando modelo adotado em El Salvador. “O mesmo governador que deu entrevista falando que a política dele de segurança pública vai ser abrir presídios foi o responsável por termos 36% das vagas de presídios em Minas Gerais comprometidas pela superlotação ou interditadas por problemas físicos”, afirmou.

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Segundo a deputada, Zema é um dos “grandes responsáveis por estarmos soltando bandidos”. “Ele foi colocado na rua porque, segundo a juíza, mais de 36% das unidades prisionais mineiras estão interditadas por superlotação ou por condições precárias”, concluiu.


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