câncer de ovário -  (crédito: LJNovaScotia/Pixabay)

câncer de ovário

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Embora os cânceres de ovário diagnosticados precocemente tenham uma alta taxa de sobrevida, estudos prospectivos randomizados de ultrassonografia transvaginal e estratégias de triagem de marcadores tumorais não conseguiram reduzir sua mortalidade.

 

Atualmente, não há um teste de triagem recomendado para mulheres com risco médio. Em geral, os sintomas produzidos pelo câncer de ovário são vagos e nem sempre presentes nos estádios mais precoces da doença na população em geral.

 

Leia: O câncer de ovário e seus sintomas (parte 1)

 

O câncer hereditário  

Com os grandes avanços obtidos nas últimas décadas na genética e na genômica de variados cânceres, incluindo o câncer de ovário, se tornou fundamental em seu manejo e prevenção o teste genético para detecção de mutações nos genes BRCA 1 e BRCA 2 (e eventualmente outros ligados à predisposição a este câncer), uma vez que a detecção de mutações ou de perda de função desses genes (hoje muito bem estudados através da técnica de NGS - sequenciamento de próxima geração) é essencial não só no aconselhamento genético das portadoras e pesquisa da mesma alteração em seus familiares, mas também pode direcionar tratamentos desenvolvidos especificamente para tumores que apresentem essas variantes, a chamada terapia alvo, que hoje conta com medicamentos de alta tecnologia, os chamados inibidores da enzima PARP.

 


Hoje, discutimos inclusive a indicação das chamadas cirurgias redutoras de risco para mulheres portadoras dessas mutações, que envolvem a retirada cirúrgica preventiva dos ovários, trompas e mesmo das mamas, pois tratam-se de genes de alta penetrância, ou seja, com risco elevado de desenvolvimento desses tumores durante a vida das portadoras.


Essa discussão, a indicação e interpretação dos testes e a eventual indicação de cirurgias redutoras devem sempre ser realizadas por um especialista, que é o oncogeneticista, obviamente em conjunto com demais especialistas, como os mastologistas e os ginecologistas.


Adicionalmente. muitos profissionais de saúde aparentemente desconhecem os sintomas tipicamente associados ao câncer de ovário, de modo que o diagnóstico precoce é raramente obtido. Entretanto, um novo estudo oferece uma outra visão sobre os primeiros sintomas indicativos de câncer de ovário epitelial de alto risco, em estádio inicial: mais de 70% das mulheres acometidas têm pelo menos um sintoma, como dor abdominal/pélvica ou aumento da circunferência/plenitude abdominal, sendo que mulheres com tumores maiores se apresentam mais sintomáticas.


Essa é a boa notícia: mesmo na doença em estádio inicial, o câncer de ovário não é necessariamente uma doença silenciosa, conforme o exposto em nosso artigo anterior.