DIA DOS NAMORADOS

Casal no automático: 5 hábitos que prejudicam a relação

Mesmo antes dos filhos, o casal já é uma família, diz terapeuta familiar ao explicar como certos comportamentos interferem na conexão a dois

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Morar junto, dividir tarefas e dormir na mesma casa não significa, necessariamente, estar conectado. Em muitos relacionamentos, o dia passa entre trabalho, filhos, tarefas da casa e problemas urgentes, enquanto a conversa de verdade fica para depois.

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Segundo a terapeuta familiar Aline Cantarelli, muitos casais não percebem como hábitos pequenos, repetidos todos os dias, podem enfraquecer a relação. Horários desencontrados, excesso de telas, refeições feitas separadamente e falta de presença ajudam a empurrar o casal para uma vida no automático. “O problema não é a rotina, são as escolhas que você fez e a rotina que você construiu”, afirma.

De acordo com Aline, a vida a dois não se sustenta apenas na intenção de continuar junto. Ela também depende de escolhas concretas, como reservar tempo, conversar, criar momentos de contato e perceber quando o casal entrou no "modo automático". A seguir, ela lista cinco comportamentos que podem afetar a vida conjugal.

Passar o dia sem conversar de verdade

Um dos sinais de alerta aparece quando o casal fala apenas sobre tarefas, contas, filhos, horários e problemas da casa. A comunicação existe, mas fica restrita à logística.

Para a especialista, muitos casais se acostumam a funcionar no automático. Acorda, trabalha, volta para casa, vai para o celular, dorme e repete a mesma sequência no dia seguinte. “Às vezes, o casal passou o dia inteiro sem se falar e depois reclama da libido lá na frente”, diz.

Deixar as telas ocuparem o lugar do outro

O celular também aparece como um ponto importante. A terapeuta observa que é cada vez mais comum ver casais e famílias juntos fisicamente, mas cada um preso à própria tela.

Segundo a terapeuta, a tecnologia não é o problema em si. A questão é quando ela passa a ocupar o espaço da conversa, da presença e do interesse real por quem está ao lado. “Às vezes eu conheço mais o meu amigo virtual do que o sujeito que dorme comigo”, exemplifica.

Não reservar tempo para o casal

Aline defende que a conexão precisa de intenção. Para ela, esperar que a relação funcione apenas quando “der tempo” costuma ser uma armadilha.

Uma orientação simples é reservar 15 minutos por dia para o casal. Não precisa ser uma conversa longa nem um encontro elaborado. Pode ser um chá, uma conversa antes de dormir, um momento sem celular ou até ficar junto em silêncio. A ideia, segundo a terapeuta, é criar um momento de atenção focada. “Não adianta estar no mesmo ambiente se cada um está distraído com outra coisa”, diz.

Não ter nenhuma refeição juntos

Nem sempre é possível almoçar e jantar junto todos os dias. Ainda assim, a especialista afirma que garantir ao menos uma refeição compartilhada pode fazer diferença na rotina da família e do casal.

Para ela, a mesa não serve apenas para comer. É também um espaço para perguntar como foi o dia, conversar sobre o trabalho, combinar decisões e retomar a sensação de parceria. Ela lembra que o casal já é uma família, mesmo antes dos filhos. Por isso, preservar uma refeição a dois também pode ser uma forma simples de manter contato.

Culpar a rotina sem rever escolhas

Na avaliação da terapeuta, muitas pessoas dizem que o problema é a rotina, quando, na verdade, o casal deixou de construir a rotina que gostaria de viver.

Isso pode aparecer em horários incompatíveis, excesso de trabalho, falta de descanso, ausência de momentos juntos e dificuldade de dizer não para demandas externas. Para Aline, a vida familiar exige escolhas. Às vezes, isso significa adiar uma tarefa, recusar um compromisso ou organizar melhor os horários para que a relação não fique sempre em último lugar.

Como sair do modo automático?

A primeira mudança, segundo Aline, é perceber que o casal não precisa esperar uma grande crise para ajustar a rota. Pequenas decisões diárias podem ajudar a reconstruir presença e conexão.

Algumas perguntas podem servir como ponto de partida:

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  • Em que momento do dia nós conversamos sem distração?
  • Temos alguma refeição juntos durante a semana?
  • O celular entra na cama ou na mesa?
  • Estamos falando só de problemas ou também da nossa vida?
  • Existe algum momento reservado apenas para o casal?

Para a terapeuta, criar bons hábitos não significa transformar a relação em uma agenda rígida. Significa escolher, todos os dias, algum espaço para conversa, presença e intimidade.

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