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Estado de Minas

Temer decide manter tucanos no governo para tentar estancar crise que assola governo

Mesmo com votos contrários do PSDB na Comissão de Constituição e Justiça, Planalto vai segurar os cargos dos quatro ministros do partido por lealdade


postado em 16/07/2017 06:00 / atualizado em 16/07/2017 08:05


Brasília – Os cinco votos favoráveis do PSDB na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, ao processo contra o presidente Michel Temer — em um universo de sete parlamentares possíveis — não assustou o Planalto. Tampouco será suficiente, mesmo que essa proporção se repita quando o tema for levado ao plenário, no início de agosto, para fazer com que o presidente Michel Temer exonere os quatro ministros tucanos.

“O presidente Temer não retalia aqueles que lhe são fiéis”, afirmou um interlocutor palaciano. “Não vamos punir quem nos apoia por causa de um partido que está nitidamente dividido”, garantiu.

O governo acredita ter amarrado o apoio de parte considerável do PSDB. No caso dos ministros, o discurso é da lealdade política. O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, gravou um vídeo, na semana passada, considerando precipitada a decisão de alguns tucanos de desembarcar do governo Temer.

O titular da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, continua articulando as votações favoráveis ao Planalto e ajudou na montagem da equação para que o governo vencesse na CCJ.

O caso do ministro das Cidades, Bruno Araújo, é mais específico. Quando o escândalo JBS veio à tona, ele foi um dos primeiros ministros a ameaçar entregar o cargo, gesto que só foi efetivado pelo ministro da Cultura, Roberto Freire, filiado ao PPS. Na época, foi contido pelo próprio partido e pela bancada de deputados.

Ao longo do tempo, à medida que o PSDB começou a projetar o descolamento do governo, Bruno iniciou um caminho de retorno à seara governista. Hoje, não é encarado pelo núcleo palaciano como um ministro “disposto a abandonar o barco”.

Outra jogada milimétrica para constranger a ala dissidente do PSDB foi a escolha do deputado Paulo Abi-Ackel (MG) como relator do voto que pede o arquivamento do processo contra Temer na CCJ. Como o governo conseguiu, por 40 votos a 25, derrotar o texto elaborado pelo deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) — que pedia para a Câmara autorizar o STF a abrir o processo contra Temer —, um novo parecer precisava ser elaborado.

Abi-Ackel é ligado ao presidente licenciado do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que defende a permanência do partido no governo.

Decisão


Os movimentos não significam que a crise interna no PSDB esteja pacificada. Um deputado influente da legenda, que votou sim ao relatório de Zveiter, consultou 150 cabos eleitorais influentes que o ajudam a eleger-se ao longo dos últimos oito mandatos.

“Setenta por cento dos pesquisados defendem a abertura da investigação e, dos 30% que eram contrários, os argumentos estavam ligados ao receio de que isso pudesse atrapalhar a economia. Ninguém disse que Temer era inocente”, afirmou ele.

O PSDB marcou para o final de agosto uma reunião da Executiva do Partido que, além de definir a nova direção nacional, também vai debater se a legenda entrega os cargos que ocupa na máquina federal. O clima de racha entre os tucanos só aumenta com a jogada com o governo. Um dos principais líderes dos cabeças-pretas da legenda, o deputado Daniel Coelho (PE) afirma que nenhum tipo de pressão vai adiantar. “A posição do partido é evidente.

Os votos da CCJ mostraram isso. Foram 5 votos a favor da denúncia e 2 contra. A proporção em plenário será a mesma, independentemente da decisão da Executiva”, comenta. Coelho foi um dos primeiros a defender o desembarque do Executivo publicamente. “No começo éramos três, hoje somos 30. Não tem mais volta.”


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