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Mais votada de BH, Áurea Carolina vai propor redução de salário de vereadores

Negra, feminista e do Psol, a cientista política Áurea Carolina conquista o mandato de vereadora com a promessa de um trabalho com participação popular.

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postado em 03/10/2016 12:28 / atualizado em 03/10/2016 15:19

Juliana Cipriani /

Divulgação/ Patrick Arley/ Facebook

Eleita com um apoio histórico de 17.420 eleitores, que deram a uma mulher negra e feminista, de um partido de esquerda que nunca havia chegado ao Legislativo na cidade, a maior votação na Câmara de BH, a cientista política Áurea Carolina (Psol) promete chegar causando. A representante dos movimentos sociais e de rua afirmou ao Estado de Minas que um dos primeiros projetos que pretende apresentar será para reduzir o salário dos vereadores, que hoje é de R$ 15.066,59.

“É um abuso um salário tão alto quando a maioria da população se vira com salários muito baixo. É necessário que o exercício da política como profissão seja um trabalho de cidadania e não coisa para fazer carreira e ficar tão distante da população”, afirmou a vereadora eleita. Áurea Carolina disse que vai estudar tecnicamente um valor a ser proposto, mas acha que dá para reduzir “bastante”.

Para si, a vereadora eleita firmou em cartório a promessa de doar parte do subsídio para servir a movimentos sociais. O coletivo que fundou e ajudou a eleger, além dela, Cida Falabela, das “Muitas pela cidade que queremos”, oficializou a proposta de doar de 40% a 70% do salário, de acordo com a necessidade de cada um. “Vou doar pelo menos a metade”, diz.

A jovem Áurea Carolina, de 32 anos, mora com o companheiro, o advogado Saulo Veríssimo, e as gatas Margô e Baobá no Bairro João Pinheiro, Região Noroeste de BH. Não tem filhos e não pensou sobre isso ainda.

“Sou essa lutadora, entreguei minha vida em nome dessa construção com os movimentos sociais. Sou feminista e cientista política de formação”, diz.

Muitas pela cidade


Ainda emocionada com a votação surpreendente que teve, ela conta com o apoio popular para tentar colocar suas ideias em prática na Câmara. Sabe que, como em suas lutas até agora, será minoria junto com apenas mais uma vereadora do Psol.

“Acredito muito no diálogo, na convivência e acho que vai ser possível criar algum campo de proposição lá dentro. Os movimentos vão me amparar, assim como os vereadores que tem respaldo na luta da cidade. Tem os vereadores reeleitos Gilson Reis (PCdoB), Pedro Patrus e Arnaldo Godoy, do PT, que acho que vão ser parceiros. É uma expectativa, porque temos pautas em comum”, disse.

Reprodução facebook
Áurea Carolina se surpreendeu com votação que teve. Disse que foi uma demonstração da força do campo de resistência na cidade. “É que somos muitas mesmo. Era por convicção e conquistei uma vitória extraordinária para as mulheres, a população negra, a juventude, geral colou em busca de outra política possível”, afirmou.

Companheiro de Áurea, o advogado Saulo Veríssimo acredita que a votação expressiva dela tenha sido em razão de uma sociedade que clama por representatividade. “Ela conseguiu canalizar essa luta. A Áurea já é uma política desde sempre, está nas ruas na batalha, o que aconteceu foi uma vaga na câmara. Essa votação expressiva é ressonância de uma carência de representatividade dentro da câmpara, acho que ela é justamente essa representatividade”, afirmou.

Com os motes “mulheres no poder” e “nenhum direito a menos”, Áurea Carolina, conquistou uma das 41 cadeiras da Câmara Municipal de Belo Horizonte com as promessas de lutar pela aprovação de um plano municipal da juventude, pela ocupação dos espaços públicos, por igualdade racial e pelo “empoderamento das mulheres”.

"É mulher preta"


Assim que foi confirmada sua eleição, Áurea foi comemorar com o povo na entrada do Psol. Aclamada com gritos de mulher preta, ela retribuiu com um discurso de participação popular.

“Geral, nós vamos construir um mandato popular para as mulheres, para a população negra, as juventudes, a população LGBT, as ambulantes, população de rua, quem rala todo dia nessa cidade, por nenhum direito a menos, por nenhum despejo a mais. É por dignidade por diversidade, uma política de amor, radicalmente democrática. Tamos juntas! Fora Temer”, disse.

Dentro do grupo cidade que queremos, Áurea e todos os outros 11 candidatos se comprometeram com as plataformas políticas uns dos outros. Eles também registraram que farão assembleias populares para tomar as decisões do mandato.



Muito conhecida nos meios do hip hop, luta pelos direitos do negro e de LGBT, ela teve apoio maciço da classe artística e dos movimentos sociais. Artistas como o músico Maurício Tizumba declararam apoio publicamente a ela.

Áurea Carolina fez especialização em gênero pela Universidade Autônoma de Barcelona.

Pediu exoneração


Foi subsecretária das Políticas para as Mulheres de Minas Gerais, de onde pediu exoneração, abrindo mão de um cargo com salário de R$ 9 mil por não concordar com os rumos do governo Fernando Pimentel (PT). “Vi que não tinha condições de desenvolver um trabalho lá dentro e preferi voltar para o trabalho autônomo de fortalecer o campo das lutas sociais.”

De lá, ela voltou à coordenação da Secretaria Executiva do Fórum da Juventude da Grande BH, uma entidade da sociedade civil, e ficou até março deste ano, quando saiu para se dedicar integralmente à campanha. Não só a dela, mas a do coletivo que ajudou a criar, o “Muitas pela cidade que queremos”.

O movimento, que tem suas raízes no movimento de ocupação dos espaços públicos impulsionado pelo carnaval de rua e a Praia da Estação, lançou 12 candidatos, conseguindo eleger, além dela, a atriz Cida Falabela.

Ultimamente, a vida de Áurea Carolina é praticamente toda voltada para a campanha, mas ela também dá oficianas para jovens e faz palestras. “Trabalho muito trazendo esse debate em diferentes formatos. Trabalho em casa também e nas redes sociais”, diz.

Votação histórica


Uma votação histórica deu a Áurea Carolina de Freitas e Silva, mulher, negra, feminista e de um partido de esquerda, a maior votação da Câmara Municipal de BH. Áurea Carolina chega à câmara prometendo um mandato diferente, voltado para as minorias.

Com R$ 15.225,72 em despesas contratadas, cerca de um terço dos R$ 50 mil gastos pelo segundo em proporção de votação, Professor Wendel Mesquita (PSB), Áurea Carolina teve mais de 4 mil votos a mais que ele. Sua campanha ganhou força nas redes sociais
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Marcelo
Marcelo - 04 de Outubro às 17:40
O Estado de Minas é um dos veículos mais tendenciosos do Brasil. É só escrever algo que vocês não gostem, que os comentários não são publicados. Cadê os 2 que fiz?? Há alguma palavra de baixo calão?? Há algo que impeça de exprimir civilizadamente minha opinião?? Isso chama-se manipulação da informação, na medida em que a opinião pública é filtrada sem regras claras, antes de ser publicada.
 
sergio
sergio - 04 de Outubro às 09:31
Não se deixem enganar, tão pouco se iludam com esse discurso de esquerda. PSOL e PT são farinha do mesmo saco. Não será surpresa se daqui há dois anos ou menos a verdadeira face aparecer. Durante 13 anos acreditamos em discursos de moralidade e vejam no que deu. Não votei e não votarei em candidatos que berram dizendo que houve golpe, golpe são os 12 milhões de desempregados, são os bilhões desviados dos aposentados e da Petrobras, golpe é usar do artifício da cartilha do comunismo e socialismo para chegar no poder. Pobre nação tupiniquim que ainda não aprendeu com a ignorância política.
 
Danilo
Danilo - 05 de Outubro às 16:28
Concordo que são farinha do mesmo saco. Contudo, independente do partido, o momento para a população pressionar os políticos é agora. A população tem que agir por conta, chega de esperar por partidos ou políticos. Como diz o ditado: "Quem quer faz, não manda outro fazer". Aproveito para divulgar os projetos para redução em níveis estadual e federal que se encontram em nossa página do facebbok: . Federal : https://www.facebook.com/178901729126801/photos/a.178901805793460.1073741826.178901729126801/178903209126653/?type=3&theater . Estadual : https://www.facebook.com/178901729126801/photos/a
 
Claudinei
Claudinei - 04 de Outubro às 07:36
Ser feminista para mim é o mesmo que ser machista . Como se o machismo fosse bom.
 
Claudinei
Claudinei - 04 de Outubro às 07:35
Legal Parabéns.... Agora disser e achar legal ser feminista?? Então disser que é machista voltou a ser legal também? Ahhh me polpem !!!
 
Fábio
Fábio - 04 de Outubro às 04:25
"Nenhum despejo a mais "? Isso é um apoio a todos aqueles que ocupam propriedade alheia irregularmente ? Será que o raciocínio predominante da esquerda desconhece leis ? Em defesa dos grupos LGBT e população de rua ? O que esse país precisa é de políticos que defendam quem realmente constrói a nação: o TRABALHADOR, aquele que efetivamente produz , que efetivamente paga impostos.
 
carlos
carlos - 04 de Outubro às 00:16
Se é do PSOL, então é comunista e apóia ditaduras sanguinárias. Devia ter valorizado sua raça negra assim como Fernando Holiday eleito em São Paulo pelo DEM. E não associar-se a esse partido imoral.
 
geraldo
geraldo - 03 de Outubro às 19:46
vai propor liberação do fuminho do capeta??rsrsrs acho que sim rsrsrs
 
Gilney
Gilney - 03 de Outubro às 19:29
Papo de fachada que nem o Kalil, apenas para agradar aos ouvidos do eleitor menos avisado e ingênuo. Kalil já falou que não quer depender de ninguém. O ultimo governante que fez isto foi o Collor, lembram no que deu?
 
Thiago
Thiago - 03 de Outubro às 15:17
Só mudou o partido. As ideias esquerdistas mantenham-se. Sucesso.
 
Leonardo
Leonardo - 03 de Outubro às 15:10
quero ver ela manter essa postura de politicamente correta durante todo o seu mandato, duvido.
 
Alberto
Alberto - 03 de Outubro às 14:16
Vou torcer por ela conseguir o que propõe apesar de ser totalmente contra o partido que a abriga. Veremos daqui a um ano se ela vai continuar com a mesma postura, espero e torço muito que continue....
 
Daniel
Daniel - 03 de Outubro às 13:55
Enquanto esse câncer chamado socialismo vai sendo extirpado Brasil afora com a derrocada do PT e cia, algumas mentes "brilhantes" em BH elegeram uma candidata do PSOL que não contente arrastou uma outra infeliz com pouco mais de 3000 votos com ela, graças a bisonhice chamada quociente eleitoral. Aprendam ignorantes: as palavras SOCIALISMO e LIBERDADE nunca caberão numa mesma sentença. Entra eleição, sai eleição o povo não aprende a votar.
 
ALBERTO
ALBERTO - 03 de Outubro às 13:48
Concordo plenamente com a proposta de reduzir o salário de vereadores, aliás o Brasil é um dos pouquíssimos países que pagam algum salário a vereadores. Na Europa e EEUU não recebem nada. Só tenho medo dessa posição de achar que só negros e mulheres devem ser cuidados por um gestor público. Sou branco vim de uma família muito pobre e acho que tenho os mesmo direitos que eles. abs