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Impeachment de Dilma Rousseff repercute na imprensa internacional

Cenário político e econômico do Brasil, segundo analistas estrangeiros, é de incertezas e muitas disputas. Jornais apontam desafios de Michel Temer implementar uma agenda de austeridade nos próximos meses

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postado em 31/08/2016 14:53 / atualizado em 31/08/2016 15:05

Marcelo da Fonseca

A decisão do Senado de destituir Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República teve grande repercussão entre os principais veículos de comunicação internacional. Citando um longo processo de crise política e econômica, os jornais The Guardian, Wall Street Journal, Le Monde e The Washington Post avaliam que o cenário político e econômico brasileiro deve permanecer turbulento durante a gestão de Michel Temer (PMDB).

O norte-americano The New York Times destacou o intenso debate que tomou conta do país sobre o fato de Dilma ter cometido ou não crimes contra a Constituição. “Para muitos críticos, o impedimento foi uma queda justa para uma líder arrogante e representante de um partido que se perdeu no poder. Já os críticos ao processo chamam o processo de golpe de Estado, que atacou a jovem democracia brasileira”, avaliou o jornal.

Alguns veículos europeus apontaram a presença de parlamentares corruptos no julgamento de Dilma. “A primeira presidente mulher do Brasil foi destituída do cargo por um Senado manchado por corrupção depois de um duro julgamento que põe fim ao período de 13 anos de governo do Partido dos Trabalhadores”, diz a matéria do periódico britânico The Guardian.

O jornal norte-americano The Washington Post, o processo de impedimento da petista pode acabar “alienando ainda mais eleitores desencantados com o sistema político no Brasil”. O jornal cita os baixos índices de popularidade de Dilma nos últimos anos em que ficou no poder, mas cita que o novo presidente também enfrenta grande rejeição das ruas.

Em artigo editorial, o jornal"Clarín", da Argentina, destaca a dificuldade para que o novo governo aprove uma agenda de austeridade nos próximos meses e cita que o Brasil caminha para um “buraco negro ao contornar as eleições”. O editorial ressalta que Dilma reagiu tardiamente à queda na economia e que o Congresso barrou medidas de austeridade que ela tentou implementar em 2015, e afirma que "todos são culpados" pela situação atual.

Para o analista político dos países latinos da rede britânica BBC, Daniel Gallas, o processo de impeachment levantou várias questões sobre as instituições democráticas no Brasil. “Senadores e brasileiros sabem que a questão de condenar a sra. Rousseff foi muito além de apenas decidir tecnicamente se ela é realmente culpada ou não”, cita Gallas.

América Latina

O La Nación também noticia a saída de Dilma com destaque. O diário argentino qualifica o processo de impeachment do país vizinho como "polêmico, intenso e dramático". O La Nación lembra que Temer assumirá o cargo e cumprirá o restante do mandato, até o fim de 2018, com o "difícil desafio de tirar o Brasil da pior recessão desde a década de 1930".

"É curioso que o Congresso tenha deposto Dilma Rousseff quando um político acusado de corrupção diretamente pelo Supremo Tribunal Federal ainda sobrevive no cargo de deputado. Este é Eduardo Cunha, ex-chefe da Casa, também responsável por ter deflagrado o julgamento contra o ex-presidente.

A rede Telesur, projeto de vários países, como Venezuela, Cuba, Argentina e Uruguai, afirma que "se consuma o golpe de Estado" no Brasil, com a destituição de Dilma pelos senadores. A emissora lembra, em sua reportagem sobre o tema, que o Nobel da Paz argentino Adolfo Pérez Esquivel qualificou o quadro brasileiro como um "golpe brando".

O jornal peruano El Comercio também registrou os acontecimentos deste dia em Brasília. Segundo o periódico, com a votação do Senado "se encerra uma sangria política que há nove meses mantinha pendente a maior economia da América Latina". O diário também lembra a "forte crise econômica" e os protestos recentes no País.

A versão online do jornal chileno "O Mercúrio" lembra que Temer não tem assegurado a sua continuidade até 2018, uma vez que o Tribunal Superior Eleitoral julga se houve "transferência de fundo estatais" para a campanha de Dilma em 2014. "Caso seja dada a luz verde, toda a chapa estaria prejudicada, incluindo o atual presidente em exercício", afirma a matéria.

Já o uruguaio El Observador destacou que o plenário do Senado "irrompeu a cantar o hino nacional" no momento em que se anunciou a decisão, mas foi interrompido pela nova votação sobre a inelegibilidade e perda de funções públicas de Dilma, que foi rejeitado por 42 votos a 36.

E por fim, O jornal mexicano El Universal disse em sua reportagem sobre o tema que o julgamento político contra Dilma é "polêmico" e recorda a discussão sobre as "pedaladas fiscais". Segundo o diário, o processo contra a presidente agora deposta ocorreu em meio a "vários escândalos de corrupção que salpicam praticamente toda a classe política do país".
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José
José - 31 de Agosto às 19:19
Uma curiosidade. Se o Senado é soberano e suas decisões são """""IRRECORRÍVEIS"""""", como ouvi alguém falar, me digam: PORQUE A PRESENÇA DO PRESIDENTE DO STF PARA O PAPEL DE UM B--U--R--O--C--R--A--T--A DE ALTO CUSTO ? ? ? ?