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Dilma: debate será marcado por contraposição de legados

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postado em 07/10/2014 20:01 / atualizado em 07/10/2014 20:14

Agência Estado

A presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou nesta terça-feira que o segundo turno das eleições será marcado pela contraposição dos legados dos oito anos do PSDB no poder com os 12 anos de governo do PT. "Eu e o candidato do PSDB estamos apresentando agora para os eleitores as nossas propostas de governo, mas também, na medida em que temos governos que nos respaldam, vamos debater em alto nível projetos para o País baseados naquilo que já fizemos", disse. "O eleitor vai cotejar esses diferentes projetos", acrescentou, após participar de uma reunião com 40 aliados políticos, numa demonstração de força para o início do segundo turno. Para a presidente, a credibilidade das propostas apresentadas pelos candidatos vai depender do que cada um já fez quando administrou o País.

No domingo, o tucano Aécio Neves garantiu um lugar no segundo turno ao receber 33,55% dos votos válidos, desbancando a candidata do PSB, Marina Silva. Com mais uma reviravolta na campanha, o PT vai retomar a partir de agora a polarização com o PSDB e trabalhar para associar o adversário a alto desemprego e arrocho salarial.

Sobre as promessas eleitorais, Dilma destacou políticas para saúde e de segurança pública, duas das mais mal avaliadas pelo eleitor. "São áreas que a população brasileira quer melhorar", disse. Ela citou que já propôs a criação do programa "Mais Especialidades", uma rede de clínicas de atendimento formada pelos setores público, privado e filantrópico. Na segurança pública, Dilma disse que pretende replicar nacionalmente o modelo adotado na Copa do Mundo, de integração das forças de segurança pública.

Ricos vs. Pobres

A presidente criticou a interpretação de que existe no País uma divisão entre eleitores mais ricos, que votariam no PSDB, e a população mais pobre, que seria apoiadora do PT. "Está havendo uma oposição entre os ricos e os pobres", disse. "Essa é uma oposição parcialmente verdadeira. De fato os nossos governos tiveram uma preocupação fantástica que pode ser sintetizada na seguinte frase: incluir os pobres no Orçamento", defendeu.

A petista voltou a dizer que os governos do PT retiraram 36 milhões de pessoas da pobreza e levaram 42 milhões para a classe média.

De acordo com ela, não foram apenas os mais pobres que se beneficiaram das políticas adotadas pelos 12 anos de governo petista e houve medidas voltadas para outros segmentos. "Nós fizemos uma política no Brasil em que todos ganharam. Nós estreitemos a parte de baixo da pirâmide, aumentamos a parte do meio da pirâmide, a classe média no Brasil foi a que mais cresceu, e também aumentamos um pouco da classe A e B", pontuou Dilma.

Municiada de dados, ela destacou que, pouco depois de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumir o Palácio do Planalto, as classes A e B assaram de 14,1 milhões de pessoas para 29 milhões, enquanto que os segmentos D e E caíram de 97,8 milhões de brasileiros para 542 milhões. "Três de cada quatro brasileiros são das classes A, B e C", declarou. "É isso que transformou o Brasil de forma pacífica e silenciosa". Ela disse, no entanto, que o governo precisa ter os mais pobres como uma prioridade. "É fundamental que o Brasil olhe mais para os mais pobres. O governo que não olha para os mais pobres não faz direito".

Para a presidente, a mudança no perfil da renda da população aumentou a exigência por melhores serviços públicos. Ela citou como exemplo investimentos em mobilidade urbana, como o metrô. "(Antes) o governo era para um terço da população, se chegasse a dois terços era muito. O Brasil do passado não fazia o metrô, porque era coisa para rico", disse. "Tem de ter metrô para dar mais qualidade do povo, para dar qualidade de vida para a população", afirmou.

Mirando a classe média, ela também argumentou que a população tem demanda por mais educação e citou programas de qualificação como o Pronatec - de formação técnica - e o Ciências sem Fronteiras - que dá bolsas para cursos o exterior. "Não é possível não ter ensino técnico de qualidade", disse. "Não é possível que os estudantes deste País não tenham acesso ao que há melhor em educação no mundo".