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Aécio está à espera do apoio de Marina

Candidato escolhe São Paulo para dar a largada do 2º turno e abre as portas para a socialista

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postado em 07/10/2014 00:12 / atualizado em 07/10/2014 07:25

Felipe Seffrin

Nelson Almeida/AFP

São Paulo – Após confirmar presença no segundo turno com 34% dos votos válidos, o candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) abriu as portas para uma aliança com Marina Silva (PSB), terceira colocada na corrida presidencial, ao se posicionar como símbolo da mudança em oposição à reeleição de Dilma Rousseff (PT). “Todos aqueles que têm como nós o sentimento de que o Brasil precisa mudar para avançar serão muito bem-vindos nesta caminhada”, defendeu Aécio. Para o tucano, os projetos de PSDB e PSB são semelhantes e facilitam uma aproximação. “Se avaliarem nossos programas vão encontrar mais pontos de convergência que pontos divergentes.”

De olho nos 22 milhões de votos recebidos por Marina Silva no primeiro turno, o equivalente a 21% dos votos válidos, Aécio Neves fez questão de sinalizar uma aliança programática com a candidata pessebista. O ex-senador mineiro se mostrou disposto a incluir em seu projeto temas como o fim da reeleição, sustentabilidade e manutenção das conquistas socioeconômicas, pontos defendidos por Marina para uma aliança. “Vejo nestes temas, e até em outros, absoluta convergência com o que pensamos e queremos para o Brasil”, afirmou Aécio. “Vamos aguardar a posição de quem disputou as eleições. Obviamente estou aberto para conversar sobre um projeto de Brasil. Nossas propostas sempre poderão ser aprimoradas.”

Além de “flertar” publicamente com Marina Silva, Aécio Neves enfatizou sua condição de oposição ao PT e contra-atacou as últimas críticas de Dilma Rousseff. “Me surpreende ver a candidata oficial falar dos ‘fantasmas do passado’. Na verdade os brasileiros estão preocupados é com os ‘monstros do presente': inflação alta, recessão, corrupção”, rebateu, em resposta às declarações de Dilma feitas no domingo. “Estaremos de braços abertos para receber o apoio de todos que, como nós, compreendem que este ciclo de governo do PT precisa ser encerrado, cuja marca na gestão é o aparelhamento da máquina pública.”

REJEIÇÃO O candidato tucano escolheu São Paulo, onde teve expressiva votação, para dar a largada para a campanha do segundo turno. No estado paulista Aécio recebeu 44,22% dos votos válidos contra 25,85 de Dilma, apoiado por mais de 10 milhões de eleitores. Ontem Aécio se reuniu na capital paulista com o governador reeleito Geraldo Alckmin e o senador eleito José Serra, além de outras lideranças tucanas e de partidos da base. “Assistimos no primeiro turno a vitória clara do sentimento de mudança que se espalhou pelo país. A soma dos votos das candidaturas de oposição mostra isso de forma clara. Me sinto honrado por liderar a condução deste novo projeto para o Brasil e para os brasileiros no segundo turno”, destacou Aécio.

Diante da votação expressiva de Aécio em São Paulo, com diferença de 4 milhões de votos sobre Dilma, o PSDB espera ampliar o apoio paulista, aproveitando a alta rejeição do PT no maior colégio eleitoral do país. Eleitos com votação maciça, com 57,31% e 58,49% dos votos válidos, respectivamente, Alckmin e Serra vão intensificar as ações como cabos eleitorais do presidenciável. “A palavra do Aécio atingiu o coração dos paulistas. São Paulo estará junto para ajudar o Brasil a fazer as reformas que o país precisa. Agora é Aécio na cabeça”, defendeu Alckmin. “São paulo mostrou que tem visão de longo prazo e fez a diferença no primeiro turno em favor do Aécio. Agora queremos ampliar essa diferença”, disse Serra.

Cúpula tucana já começou ofensiva


São Paulo – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso iniciou uma ofensiva por telefone para conquistar o apoio de Marina Silva à candidatura de Aécio Neves. FHC e representantes da cúpula tucana já procuraram interlocutores da ex-senadora para fazer a ponte que resultará na aliança eleitoral contra a presidente Dilma Rousseff (PT). “Aécio ganhando [no primeiro turno], a Marina tem que vir para nosso lado”, disse FHC no domingo, após votar. Fora do segundo turno, Marina telefonou na manhã de ontem para os dois candidatos que seguem na disputa pelo Palácio do Planalto, para parabenizá-los pelo desempenho na campanha, mas não tratou de apoio com nenhum dos adversários.

O coordenador-geral da campanha de Aécio, senador José Agripino Maia (DEM-RN), disse que a coligação não quer apenas o apoio do PSB, mas de Marina Silva. Para ele, a ex-ministra é um símbolo da nova política. Em entrevista, ele disse que a ex-senadora ainda não foi procurada porque poderia ter ido ao segundo turno. “Ela é uma pessoa muito importante, seus votos têm a mesma vertente do Aécio, daqueles que acham que o modo PT de governar tem que acabar. Ela tem sua individualidade, merece todo nosso respeito, pois ajudará na construção de um Brasil novo.” E reiterou: “Queremos aliança com Marina porque ela é um símbolo, um arauto da nova política. Seria muito importante que ela tomasse uma posição como líder política, apoiando a candidatura do Aécio.”

CANAIS Em Minas, o presidente do PSDB no estado, deputado federal Marcus Pestana, disse que o partido terá um diálogo “institucional e programático” com Marina. “Não pode ser um simples arranjo eleitoral. Tem que ser um programa para mudar o Brasil”, afirmou Pestana. O tucano citou Ulysses Guimarães (1916-1992) ao dizer que o combustível da política é a saliva. “Nas próximas 72 horas vamos para Brasília e consolidar os vários canais que já estão abertos. Até o fiM de semana devemos amadurecer”, afirmou, em referência à aliança com o PSB, PPS e com os militantes da Rede, partido que foi idealizado por Marina Silva, mas não foi formalmente criado.
Um dos motivos que levam Pestana a crer na aliança é a presença dos economistas Eduardo Giannetti e André Lara Resende, que são ideologicamente próximos aos tucanos e fizeram parte da equipe que coordenou o plano de governo da candidata Marina Silva. “No primeiro turno já havia grande convergência”, destaca Pestana.

ARRECADAÇÃO O comitê financeiro de Aécio Neves sentiu rapidamente os efeitos da passagem do tucano para o segundo turno. Só ontem, dia seguinte à divulgação do resultado da primeira votação, a arrecadação da campanha subiu cerca de 15% em comparação com a média da semana anterior. Ao ser questionado sobre a melhora na captação de recursos, o coordenador financeiro, José Gregori, respondeu com um sorriso: “Opa! São financiadores que já iriam nos ajudar, mas optaram por antecipar a doação”, disse. O volume de recursos não foi o único a crescer. Aécio, que passou as últimas semanas da campanha abordando pessoalmente os aliados para construir agendas, não deu conta de retornar a todas a ligações que recebeu segunda.
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