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Resultado das urnas revela fragmentação partidária em Minas

Eleição é marcada pela maior divisão de representantes de Minas na bancada federal

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postado em 06/10/2014 08:18 / atualizado em 06/10/2014 08:28

Maria Clara Prates

No rastro da vitória de Fernando Pimentel (PT), ainda em primeiro turno, o Partido dos Trabalhadores não só conseguiu ampliar sua bancada de oito para 10 deputados de Minas na Câmara Federal, como também fazer o deputado federal mais votado no estado. Reginaldo Lopes, ex-presidente estadual do PT e atual vice-presidente, conseguiu se eleger com 310.226 votos. O PSDB ficou com o segundo maior número de cadeiras: sete, uma a menos que em 2010. O vice-campeão de votos é o tucano Rodrigo de Castro, presidente estadual do PSDB, que se reelegeu com 292.848 votos. O PMDB também perdeu uma cadeira, baixando de sete para seis, em relação à eleição de 2010. O que fica claro é que essa é a maior fragmentação partidária da bancada mineira na Câmara dos Deputados. A grande maioria dos caciques políticos de Minas conseguiu a reeleição e, com isso, a renovação foi de 32%, o que significa dizer que a bancada mineira, com 53 cadeiras, terá apenas 17 novos representantes.

Após encerrada a apuração, o deputado Reginaldo Lopes comemorou o primeiro lugar no ranking. “Isso é demonstração de trabalho. Primeiro quero dizer que me dediquei ao tema que as pessoas acham que não dá voto: a educação. Atuei para que as pessoas cuidassem da educação da creche até a pós-graduação. Estou muito feliz porque sou filho de trabalhador rural e acreditei que poderia ajudar os municípios a melhorar a vida de crianças e jovens. Fico feliz que a sociedade me reconheceu”, disse o deputado. Na verdade, Lopes tirou do tucano Rodrigo de Castro o título de primeiro do pódio, que ele conquistou nas eleições de 2010.

O Solidariedade (SD), partido recém-criado, conseguiu eleger um representante mineiro, o deputado Zé Silva. O Democratas (DEM), que encolheu no cenário nacional, seguiu a mesma lógica em Minas e, em relação às eleições gerais de 2010, caiu de três para dois eleitos. No entanto, entre os dois democratas mineiros eleitos, está um campeão de votos, o estreante Misael Varella, que recebeu mais de 258.363 votos, o terceiro mais votado no segundo maior colégio eleitoral do país. Mas a enxurrada de votos de Varella tem explicação: ele é herdeiro político de seu pai, o ex-deputado e empresário Lael Varella, que desistiu da reeleição em favor do filho. Lael Varella foi deputado por sete legislaturas seguidas.

Mas se houve pouca mudança nas representação partidária de Minas, o Partido Republicano (PR) foi um dos que mais perderam cadeiras. Em 2010, ele chegou a eleger sete representantes para a Câmara, mas nestas eleições gerais foram apenas três, sofrendo um encolhimento de mais de 60% de seus parlamentares. Entre aqueles que não sofreram alteração estão o PP, com cinco; o PV com um; o PCdoB com um, o PTdoB, também com um, além do PHS, com um. Com o lançamento da candidatura de Marina Silva pelo PSB, os socialistas conseguiram fazer mais um representante, passando de dois para três eleitos.

HERDEIROS DE VOTOS
Uma das características desta eleição é que vários caciques políticos de Minas conseguiram fazer de seus filhos os herdeiros de seus votos. Um deles, o também estreante Newton Cardoso Júnior, conseguiu uma significativa votação, depois que seu pai decidiu deixar a cadeira de deputado federal. Newton Cardoso – baiano que se elegeu prefeito de Contagem e governador de Minas –, conseguiu repassar ao filho boa parte de seus votos. Newton Júnior está entre os cinco deputados federais mais votados em Minas, tendo sido escolhido por 128.489 eleitores. No PT, o legado político familiar também garantiu uma vaga para Gabriel Guimarães, filho do ex-deputado Virgílio Guimarães, que já está em sua segunda legislatura. Gabriel ficou em quinto lugar entre os mais bem votados e foi eleito com 200.014 votos.
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